Extensão da Linha 4-Amarela até Taboão custará R$ 4 bilhões; ViaQuatro usará trens da chinesa CRRC
Concessionária divulgou detalhes do projeto que implantará mais duas estações e 3,3 km de túneis
Após assinar o 10º aditivo contratual, a concessionária ViaQuatro, operadora da Linha 4-Amarela de metrô em São Paulo, divulgou detalhes da expansão até Taboão da Serra, trecho que levará o transporte até o município vizinho da capital.
Com prazo de ser executada entre 4 a 5 anos e meio, serão construídos 3,3 km de túneis e trilhos, além de duas novas estações: a Chácara do Jóquei e Taboão da Serra, incluindo ciclovia e terminal de ônibus para integração entre os meios de transporte.
Ou seja, o novo trecho deve ficar pronto entre 2029 e 2031, dependendo do efetivo dia a ser contado como de início da obra de fato.
Quando estiver em operação, o passageiro que embarcar em Taboão da Serra conseguirá chegar até a Luz em 26 minutos no tempo médio de trajeto, bem menor se comparado ao deslocamento atual até a Vila Sônia, onde existe um terminal de ônibus que conecta com o metrô.
Metodologia de obras
O método escolhido para a construção não demandará o uso de uma tuneladora popularmente conhecida como tatuzão, mas sim o NATM (New Austrian Tunneling Method), que combina escavação em camadas com aplicação imediata de concreto projetado.
Serão escavados de forma tradicional os três quilômetros em trechos com até 30 metros de profundidade, sendo a opção mais adequada para um curto trajeto de expansão.
Novos trens serão comprados

A ViaQuatro informou que para atender a expansão da linha 4 será necessário ampliar a frota de trens atual, com a aquisição de seis novas unidades.
A surpresa é que a concessionária decidiu encomendar as novas composições da chinesa CRRC. Ate então, a Motiva, que controla a ViaQuatro, havia feito duas encomendas junto à sul-coreana Hyundai-Rotem.
Embora não haja detalhes de como serão estes trens, eles terão de serguir o padrão de oferecer open gangway, ou seja, passagem livre entre os carros, além de ausência de cabine de comando nas pontas.
As composições devem ter integração com os sistemas já existentes na linha como sinalização, controle de trens, portas de plataforma e entre outros. Não está claro se produção poderá ser nacional a partir da planta de Araraquara ou fabricados na Ásia e enviados ao Brasil, como ocorre com os trens do Metrô de Belo Horizonte.
Estações serão mais modernas
De acordo com a concessionária, as duas novas estações terão foco na resiliência climáticas, como sistemas de drenagem contra enchentes, uso de materiais duráveis, isolamento térmico para reduzir a absorção de calor, iluminação em LED e infraestrutura preparada para a instalação de painéis solares.
Também está previsto no projeto ações para a captação e reuso de água da chuva, ventilação aprimorada e sensores inteligentes para monitorar temperatura, umidade e fluxo de ar, representando menor consumo de energia e otimização dos recursos disponíveis.
As duas estações terão acessibilidade assegurada com rampas, elevadores, escadas rolantes, sinalização tátil e visual, mapas acessíveis e banheiros adaptados.
Estação Chácara do Jóquei

A estação Chácara do Jóquei terá dois acessos, um de cada lado da Avenida Professor Francisco Morato, e plataformas laterais como no restante da linha. Serão 2 elevadores, 4 escadas rolantes, em uma profundidade a 20 metros do nível da rua.
Para evitar maiores impactos a área verde do lado da avenida que já foi motivo de queixa da comunidade local, somente 360 m² serão retirados da faixa de mata para o acesso ser construído, prevendo uma compensação ambiental no próprio local após o término da obra.
Estação Taboão da Serra

Já a estação Taboão da Serra terá também dois acessos e plataformas laterais, mas em razão de uma demanda maior de passageiros, 2 elevadores, 6 escadas rolantes, 17 bloqueios e sanitários acessíveis, estão previstos.
O terminal de ônibus contará com a capacidade para 22 ônibus do transporte intermunicipal e urbano, ciclovia conectada ao Córrego Poá e bicicletário junto ao acesso principal, com plataformas de embarque aos trens do metrô em 25 metros de profundidade.
O Aditivo contratual
Nesta segunda-feira, 29, foi divulgado o Aditivo Contratual nº 10 que oficializou a extensão do serviço da linha 4-Amarela até Taboão da Serra, com a prorrogação da concessão em mais 20 anos, seguindo até 2060.
O projeto estima um investimento estimado de R$ 4 bilhões, dos quais cerca de R$ 3 bilhões serão aportados pelo Governo do Estado de São Paulo.
A modalidade escolhida para a expansão foi através da Parceria Público Privada, sistema de PPP.
