Linha 6-Laranja: Tarcísio prevê assinatura de aditivo em 2027 para ampliar ramal até Mooca e Velha Campinas
Governador estima investimento de R$ 10,3 bilhões para construir mais seis estações e afirma que as duas tuneladoras permanecem disponíveis para a expansão
O governador Tarcísio de Freitas afirmou que o governo pretende concluir em 2027 a negociação do aditivo contratual que permitirá a expansão da Linha 6-Laranja de metrô. O projeto prevê cerca de 7 km adicionais de vias, seis novas estações e investimento estimado em R$ 10,3 bilhões.
Segundo o governador, a ampliação ainda depende da assinatura do aditivo com a concessionária Linha Uni, responsável pela construção e futura operação do ramal.
“Ainda não foi assinado o aditivo. Estamos estudando um investimento da ordem de R$ 10 bilhões. Estamos falando de aproximadamente mais 7 quilômetros de metrô e seis novas estações. A ideia é concluir esse processo ao longo do ano que vem e iniciar as obras também no ano que vem”, afirmou.
A expansão será dividida em duas frentes. No extremo sul, a linha deverá avançar após São Joaquim com quatro novas estações: Aclimação, Cambuci, Vila Monumento e São Carlos, acrescentando cerca de 5 km de túneis até a região da Mooca.
Tatuzão da Linha 6-Laranja (Jean Carlos)
Na direção norte, o prolongamento partirá de Brasilândia até as futuras estações Morro Grande e Velha Campinas, na região noroeste da capital.
“Existe tanto interesse nessa expansão que as duas tuneladoras utilizadas na construção da Linha 6 permanecem aqui. A ideia é, assim que concluirmos essa negociação, iniciar as obras imediatamente”, disse o governador.

Na prática, porém, a situação das duas máquinas é diferente. A tuneladora sul, responsável pelas escavações entre os VSEs Tietê e Felício dos Santos, permanece no canteiro e poderá ser utilizada no futuro prolongamento em direção à Mooca. Já a tuneladora norte foi desmontada após concluir a escavação até Brasilândia já que ela não será utilizada na extensão ao norte.
Antes de iniciar a nova etapa, o governo pretende concluir a implantação da linha atualmente em construção. Segundo Tarcísio, um novo trecho entre Brasilândia e João Paulo I começará a operar neste segundo semestre, enquanto toda a Linha 6 deverá estar concluída no segundo semestre de 2027. A afirmação, no entanto, é duvidosa já que 14 Bis-Saracura segue muito atrasada.
Linha 6-Laranja: Estações da expansão ao sul (Jean Carlos)
O governador também voltou a defender a antecipação da entrada em operação do ramal. Segundo ele, a estratégia beneficia os passageiros e reduz os custos do próprio contrato de concessão.
“Houve ocorrências geotécnicas que não estavam previstas originalmente. O contrato previa o compartilhamento desse risco e essas situações acabaram atrasando significativamente o cronograma. Quanto mais cedo a linha começa a operar, menor fica essa conta, porque a receita começa a ser gerada antes”, afirmou.
De acordo com Tarcísio, a antecipação da operação reduz o impacto financeiro dos aditivos decorrentes do compartilhamento do risco geotécnico entre Estado e concessionária, mecanismo previsto desde a assinatura da parceria público-privada da Linha 6-Laranja.
Governador Tarcísio de Freitas dentro do trem da Linha 6-Laranja (GESP)
A inauguração, realizada um dia antes da proibição da participação de políticos em inaugurações em virtude das eleições, evidencia que a ‘pressa’ do governador teve um cálculo político.
A justificativa também é questionável já que com passageiros utilizando o ramal os testes terão que ser restritos a um horário menor enquanto obras nas seis estações terão de ser feitas em meio à passagem de trens e usuários.
Os quatro meses antecipados poderiam ter sido úteis para a Linha Uni entregar um trecho mais maduro e já com alguns sistemas funcionando, como portas de plataforma e sinalização, incluindo o uso de mais trens em carrossel. Para um projeto que teve início há quase 20 anos e passou por atrasos mais graves, alguns dias não seriam o fim do mundo.
