Linha Leste de Fortaleza terá mais R$ 1,23 bilhão em obras após 13 anos de atrasos

Sacyr, que já participa da construção do ramal, venceu concorrência para erguer três estações retiradas anteriormente do projeto

Tatuzão da Linha Leste à estação Colégio Militar
Tatuzão da Linha Leste à estação Colégio Militar (Seinfra)

A Linha Leste do Metrô de Fortaleza, empreendimento iniciado em 2013 e marcado por sucessivas interrupções, mudanças de escopo e atrasos, terá uma nova frente de obras estimada em R$ 1,23 bilhão para recuperar três estações que acabaram excluídas da atual etapa de implantação.

A Sacyr Construcción S.A. do Brasil foi declarada vencedora da concorrência para construir as estações Sé, Luíza Távora e Leonardo Mota. A empresa apresentou proposta de R$ 1.230.612.738,18 e participou da disputa de forma individual, sem integrar um consórcio.

O resultado final da concorrência foi publicado nesta sexta-feira (18). A definição da vencedora ainda não representa a assinatura do contrato nem autoriza o início das obras, que dependem das etapas administrativas posteriores da licitação.

A contratação integrada prevê que a Sacyr seja responsável pelos projetos básico e executivo, além das obras civis, equipamentos e serviços necessários para implantar as três estações subterrâneas.

Estações foram retiradas do escopo

A nova licitação é consequência das sucessivas reformulações sofridas pela Linha Leste. Sé, Luíza Távora e Leonardo Mota faziam parte do projeto, mas foram retiradas do escopo da primeira fase quando o empreendimento foi reestruturado para permitir a retomada das obras.

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A etapa atualmente em execução ficou com as estações Tirol-Moura Brasil, Chico da Silva, Colégio Militar, Nunes Valente e Papicu. Nos locais destinados às três estações suprimidas, o projeto previu estruturas que permitissem sua construção posteriormente.

Características da Linha Leste do Metrô de Fortaleza (Divulgação)

A reincorporação ganhou recursos do Novo PAC, que reservou R$ 1 bilhão para as três estações. O valor, entretanto, já era inferior às estimativas levantadas pela Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra).

Em fiscalização da Linha Leste, o Tribunal de Contas da União (TCU) registrou estimativa de R$ 1,178 bilhão para construir Sé, Luíza Távora e Leonardo Mota. Com a inclusão do shaft HGF, outra estrutura necessária ao projeto, a previsão chegava a R$ 1,36 bilhão.

Obra começou em 2013

A Linha Leste acumula problemas desde a primeira tentativa de implantação. As obras começaram em 2013, mas o contrato daquela etapa acabou rescindido quando menos de 2% do empreendimento havia sido executado.

Uma nova contratação ocorreu em 2018. O Consórcio FTS Linha Leste, formado pela Ferreira Guedes e pela Sacyr, recebeu um contrato inicialmente avaliado em cerca de R$ 1,47 bilhão e com prazo de 60 meses.

O traçado da Linha Leste do Metrô de Fortaleza

A previsão original, portanto, colocava a conclusão dessa etapa em 2023. O empreendimento, no entanto, voltou a enfrentar atrasos e sucessivos ajustes contratuais.

Em fiscalização realizada em 2025, o TCU constatou que o contrato acumulava 17 aditivos e que a execução física havia alcançado 41% em abril daquele ano, quase sete anos depois da contratação. O cronograma vigente na ocasião indicava conclusão em outubro de 2028.

TCU questionou prazo de conclusão

Mesmo a nova data foi considerada pouco compatível com o ritmo observado na obra. Ao analisar a produtividade das duas tuneladoras utilizadas para escavar os túneis, o TCU estimou que uma delas terminaria seu trabalho em janeiro de 2029 e a outra apenas em setembro daquele ano.

A projeção significava que a segunda máquina ainda estaria escavando quase um ano depois da data prevista para conclusão de toda a etapa contratada.

Desde então, as obras avançaram. Uma das tuneladoras chegou à região da Estação Nunes Valente em julho de 2026, após concluir mais um trecho subterrâneo. Por isso, o percentual de 41% registrado pelo TCU em abril de 2025 não representa a situação atual do empreendimento.

Uma das quatro tuneladoras do Metrô de Fortaleza (Metrofor)

Sacyr já atua na Linha Leste

A vitória na nova concorrência pode ampliar a participação da Sacyr em uma obra na qual a companhia espanhola já atua há anos. Na etapa contratada em 2018, entretanto, a empresa participa por meio do Consórcio FTS Linha Leste, ao lado da Ferreira Guedes.

Na disputa das três estações, a Sacyr concorreu individualmente e foi declarada vencedora. Caso as etapas seguintes sejam concluídas e o contrato seja assinado, a empresa ficará responsável por uma contratação separada daquela que executa atualmente em consórcio.

A Linha Leste foi concebida para criar uma ligação subterrânea entre o Centro de Fortaleza e a região de Papicu, com continuidade em direção à Avenida Washington Soares. A redução do escopo foi uma das medidas adotadas ao longo dos anos para permitir que parte do empreendimento avançasse diante das dificuldades financeiras e de execução.

A fiscalização do TCU já havia apontado que a conclusão da primeira fase exigiria recursos adicionais além do contrato existente. Considerando obras e itens anteriormente retirados do escopo, o tribunal calculou em 2025 que os gastos necessários para completar o empreendimento poderiam levar o custo total para aproximadamente R$ 4,3 bilhões.