Linha Uni explica por que trens da Linha 6-Laranja aparentam menos tecnologia e conforto

Composição fabricada pela Alstom traz mapa físico de estações e bancos sem estofamento, ao contrário de modelo chinês recebido pela CPTM há seis anos

O novo trem da Linha 6 e à direita um dos oito Série 2500 da CPTM
O novo trem da Linha 6 e à direita um dos oito Série 2500 da CPTM (Willian Moreira/CPTM)

A entrega do primeiro trem da Linha 6-Laranja de metrô, na semana passada, foi o ápice de uma espera de anos para ver o ramal chegar mais perto de se tornar realidade.

Em meio a discursos, jatos de gelo seco e muitos convidados, a composição Metropolis, fabricada pela Alstom em Taubaté (SP), teve imagens reveladas de seu interior, só acessado pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e membros da concessionária Linha Uni e sua sócia principal, Acciona, entre outros.

Embora o trem tivesse ganhado algumas prévias de como seria, a apresentação da unidade jogou luz em sua configuração e características.

Foi então que este site acompanhou a repercussão do resultado em grupos de profissionais do setor e também dos leitores. E a impressão foi de uma certa decepção.

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Entre as críticas, uma suposta regressão da Alstom em seus projetos, indo da elogiada Frota G, do Metrô, à Série 8900 da ViaMobilidade e o trem da Linha 6.

O mapa de estações digital do trem chinês (acima) e o painel físico da Alstom (Divulgação)

Algumas queixas apontaram para o painel que traz o mapa de estações acima das portas, ainda físico e com luzes de LED. Outros para o aspecto dos bancos, que são dispostos em fileiras longitudinais.

Trem chinês ainda parece novo

Esses pontos fizeram este site buscar imagens da Série 2500, da CPTM, que foi fabricada na China pela Sifang, parte do grupo CRRC, em parceria com a brasileira Temoinsa.

Os oito trens foram os primeiros modelos chineses da companhia estadual e sua concepção causou elogios pela tecnologia e bom acabamento – a despeito de algumas falhas iniciais.

De fato, quando se comparam imagens dos trens das linhas 6-Laranja e 13-Jade, a impressão é que a Série 2500 é mais atual que o modelo recém concluído da Alstom – diga-se de passagem que a fabricante francesa e o grupo chinês são parceiros na produção dos monotrilhos da Linha 15-Prata.

O salão de passageiros do trem chinês aparenta um acabamento mais refinado, com assentos estofados e ergonômicos. Já os bancos em concha da composição da Alstom remetem a modelos antigos além de não possuírem revestimento.

Outro ponto destoante é a ausência de uma mapa digital de estações, uma tecnologia já bastante difundida e presente no modelo da Sifang, concebido há mais de seis anos.

A Linha Uni optou, no entanto, pelo conhecido painel físico com luzes de LED representando as estações.

Os assentos da Série 2500 com estofamento enquanto o trem da Linha 6 aparenta simplicidade
Os assentos da Série 2500 com estofamento enquanto o trem da Linha 6 aparenta simplicidade (Divulgação)

Limpeza frequente

Houve ainda questionamentos sobre a estética do novo trem da Linha 6, mas trata-se de uma questão subjetiva e por isso ignorada neste artigo.

O site MetrôCPTM pediu esclarecimentos à Linha Uni sobre as escolhas no projeto dos trens. A concessionária respondeu com argumentos interessantes.

Segundo ela, a opção pelo painel físico envolve visualização excelente sobre qualquer ângulo além de ser uma tecnologia consolidada.

Sobre os bancos, a escolha visou ergonomia e praticidade de manutenção já que sem o revestimento, eles podem ser limpos frequentemente.

Fato é que uma avaliação das composições que circularão na Linha 6-Laranja só será definitiva a partir do final do ano que vem, quando o ramal entrar em operação.

Bancos dos trens serão todos laterais (GESP)

Veja íntegra da resposta da empresa:

“A Concessionária Linha Uni esclarece que o painel físico com iluminação interativa em LED, solução escolhida para os trens, oferece excelente visualização do trajeto da linha, com ângulo de visão adequado a partir de qualquer ponto dos carros, além de contar com tecnologia consolidada no mercado e alta confiabilidade operacional.

Quanto aos bancos, o projeto considerou aspectos como ergonomia e praticidade de manutenção. Os assentos foram desenvolvidos para permitir limpeza e higienização frequentes ao longo da operação comercial, contribuindo para um ambiente mais limpo e agradável. Em casos de necessidade de substituição de peças, o processo poderá ser realizado de forma ágil, sem comprometer a disponibilidade dos trens. Os materiais utilizados seguem os mesmos padrões de qualidade e durabilidade já aplicados nas frotas em operação nos sistemas de trem e metrô da capital.”