O Metrô de São Paulo colocou à venda nesta semana o edifício UNI 459, localizado na rua Augusta, 1626. Trata-se da antiga sede da companhia, que teve seus principais departamentos no local por muitos anos, mas desempenhava papel secundário após várias áreas terem migrado para o centro velho da capital. Até tempos atrás, funcionavam no prédio os departamentos de arquitetura e planejamento.

Com 9.865 m², o edifício fica próximo à avenida Paulista e à estação Consolação da Linha 2-Verde. No edital, disponibilizado nesta segunda-feira, 23, o critério de julgamento informado é o de maior preço. A sessão pública de recebimento e abertura das propostas está prevista para ocorrer no dia 27 de janeiro de 2021.

Construído no final dos anos 60, o edifício possui 19 pavimentos com galeria de lojas, andares corporativos, garagem e chegou a ser construído com um apartamento em seu projeto, segundo documentos anexados ao processo. A companhia, no entanto, não determinou um valor mínimo pelo imóvel, que possui 1.188 m² de terreno.

Em pesquisa de imóveis na região, o site encontrou uma variação de preço de metro quadrado entre R$ 10 mil e R$ 14 mil, o que leva a crer que o Metrô pode arrecadar em tese algo como R$ 100 milhões a R$ 130 milhões com a venda. Ressaltando-se que se trata de uma conta simples, sem uma avaliação de mercado, como a que será feita pelos possíveis interessados.

Localização do edifício UNI 459 (CMSP)

Dívida bilionária

A venda do histórico edifício é parte do plano de contenção de custos da gestão Doria após o advento da pandemia. Desde meados do ano, a presidência do Metrô passou a implementar estratégias para tentar reduzir o prejuízo mensal da companhia. Para isso, implantou o trabalho remoto para cerca de 600 funcionários administrativos, devolveu imóveis alugados e está leiloando outros que não serão mais usados como o UNI 459.

Na semana passada, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, ressaltou o trabalho da sua gestão em cortar custos: “Otimizar o gasto do dinheiro público e modernizar as formas de trabalho sempre foram algumas das minhas prioridades enquanto gestor público e privado”, afirmou.

Porém, a economia gerada pela iniciativa não faz qualquer sombra ao gigantesco prejuízo que a companhia acumula em 2020. Segundo a empresa, essas ações devem gerar uma redução de gastos anual de apenas R$ 10 milhões. Até outubro, no entanto, o Metrô de São Paulo acumulava um prejuízo de R$ 1,54 bilhão. Só no mês passado, o rombo aumentou R$ 137 milhões, uma soma parecida com a que poderá ser obtida com a venda do edifício.

Trens do Metrô: maior custo da companhia é com pessoal (Marcia Alves/CMSP)

Custos engessados

O grande problema da companhia é que enquanto sua receita desabou neste ano, os custos caíram muito pouco. Segundo demonstração de resultados do Metrô, o custo dos serviços prestados, que reúne itens como pessoal, materiais e depreciação e amortização, entre outros, foi de R$ 1,95 bilhão até outubro deste ano, contra R$ 2,16 bilhão em 2019. Já a despesa operacional nesse mesmo intervalo foi de R$ 813,4 milhões em 2020 ante R$ 980,4 milhões no ano passado.

Em compensação a receita total da companhia atingiu R$ 1,24 bilhão em 10 meses de 2020, menos da metade do alcançado no mesmo período de 2019 (R$ 2,53 bilhões). O maior gasto da empresa é com mão de obra: R$ 1,36 bilhão em 2019 e R$ 1,03 bilhão até o mês passado neste ano.

Embora as iniciativas de modernização da empresa sejam positivas, é fato que elas não irão mudar a preocupante situação financeira do Metrô. E logo também não haverá mais o que vender para cobrir um pouco desse rombo.

Nota do autor: Texto retificado para corrigir a projeção aproximada de receita com a venda do edifício da rua Augusta, que estava bem abaixo da realidade.