Metrô de São Paulo coloca à venda sede histórica na rua Augusta

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Edifício com quase 10 mil metros quadrados será leiloado em janeiro em programa de redução de gastos da companhia, que já acumula mais de R$ 1,5 bilhão de prejuízos em 2020
Antiga sede do Metrô: venda de edifício mal deve abater dívida bilionária da companhia (Google)

O Metrô de São Paulo colocou à venda nesta semana o edifício UNI 459, localizado na rua Augusta, 1626. Trata-se da antiga sede da companhia, que teve seus principais departamentos no local por muitos anos, mas desempenhava papel secundário após várias áreas terem migrado para o centro velho da capital. Até tempos atrás, funcionavam no prédio os departamentos de arquitetura e planejamento.

Com 9.865 m², o edifício fica próximo à avenida Paulista e à estação Consolação da Linha 2-Verde. No edital, disponibilizado nesta segunda-feira, 23, o critério de julgamento informado é o de maior preço. A sessão pública de recebimento e abertura das propostas está prevista para ocorrer no dia 27 de janeiro de 2021.

Construído no final dos anos 60, o edifício possui 19 pavimentos com galeria de lojas, andares corporativos, garagem e chegou a ser construído com um apartamento em seu projeto, segundo documentos anexados ao processo. A companhia, no entanto, não determinou um valor mínimo pelo imóvel, que possui 1.188 m² de terreno.

Em pesquisa de imóveis na região, o site encontrou uma variação de preço de metro quadrado entre R$ 10 mil e R$ 14 mil, o que leva a crer que o Metrô pode arrecadar em tese algo como R$ 100 milhões a R$ 130 milhões com a venda. Ressaltando-se que se trata de uma conta simples, sem uma avaliação de mercado, como a que será feita pelos possíveis interessados.

Localização do edifício UNI 459 (CMSP)

Dívida bilionária

A venda do histórico edifício é parte do plano de contenção de custos da gestão Doria após o advento da pandemia. Desde meados do ano, a presidência do Metrô passou a implementar estratégias para tentar reduzir o prejuízo mensal da companhia. Para isso, implantou o trabalho remoto para cerca de 600 funcionários administrativos, devolveu imóveis alugados e está leiloando outros que não serão mais usados como o UNI 459.

Na semana passada, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, ressaltou o trabalho da sua gestão em cortar custos: “Otimizar o gasto do dinheiro público e modernizar as formas de trabalho sempre foram algumas das minhas prioridades enquanto gestor público e privado”, afirmou.

Porém, a economia gerada pela iniciativa não faz qualquer sombra ao gigantesco prejuízo que a companhia acumula em 2020. Segundo a empresa, essas ações devem gerar uma redução de gastos anual de apenas R$ 10 milhões. Até outubro, no entanto, o Metrô de São Paulo acumulava um prejuízo de R$ 1,54 bilhão. Só no mês passado, o rombo aumentou R$ 137 milhões, uma soma parecida com a que poderá ser obtida com a venda do edifício.

Trens do Metrô: maior custo da companhia é com pessoal (Marcia Alves/CMSP)

Custos engessados

O grande problema da companhia é que enquanto sua receita desabou neste ano, os custos caíram muito pouco. Segundo demonstração de resultados do Metrô, o custo dos serviços prestados, que reúne itens como pessoal, materiais e depreciação e amortização, entre outros, foi de R$ 1,95 bilhão até outubro deste ano, contra R$ 2,16 bilhão em 2019. Já a despesa operacional nesse mesmo intervalo foi de R$ 813,4 milhões em 2020 ante R$ 980,4 milhões no ano passado.

Em compensação a receita total da companhia atingiu R$ 1,24 bilhão em 10 meses de 2020, menos da metade do alcançado no mesmo período de 2019 (R$ 2,53 bilhões). O maior gasto da empresa é com mão de obra: R$ 1,36 bilhão em 2019 e R$ 1,03 bilhão até o mês passado neste ano.

Embora as iniciativas de modernização da empresa sejam positivas, é fato que elas não irão mudar a preocupante situação financeira do Metrô. E logo também não haverá mais o que vender para cobrir um pouco desse rombo.

Nota do autor: Texto retificado para corrigir a projeção aproximada de receita com a venda do edifício da rua Augusta, que estava bem abaixo da realidade.

 

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  1. Com o crescimento do home office muitos desses prédios comerciais vão ter esse mesmo fim. Qual será o futuro da Faria Lima e da Berrini em SP? Qual será o futuro do centro do Rio? Só o tempo dirá. Mas o fato é que muita gente não aguenta mais pegar horas de trânsito pra chegar em um escritório nem pagar uma fortuna em apartamento pequeno só pra morar perto de escritório.

  2. Sabe o que fazer pra diminuir o rombo? Simples, exigir do governo do estado o repasse pelas gratuidades e outros benefícios ao metrô, exigir que as concessões parem de ser as primeiras a terem acesso ao dinheiro que é pago através dos bilhetes/ cartões ; e por último fazer o governo do estado subsidiar o metrô fazendo assim os salários dos altos escalões serem compatíveis com o do governador, ao invés de tirar os benefícios de quem tá na linha de frente trabalhando para fornecer serviço gratuito de qualidade, principalmente nessa época de pandemia

  3. Ricardo, acredito que você errou a conta do valor estimado do prédio. Com uma área construída de 9.865m², se o metro quadrado construído custar entre 10mil e 14mil, teremos um valor do prédio entre 98,65 milhões e 138,11 milhões. Valor um pouco mais relevante e que deve ajudar a abater as dívidas da companhia.

    1. Olá Adail, bem observado. Com certeza um imóvel desse tamanho não poderia sair tão barato. Peço desculpas a você e aos demais leitores pela informação. De fato, vai ajudar mais, porém, ainda estamos falando de menos de 10% do prejuízo deste ano e um recurso finito, concorda? Abraços e obrigado pelo aviso.

  4. Esses prédios poderiam virar moradia. Já que o déficit de moradia em São Paulo é tão alto.

  5. Concordo com o Milton. E a quantidade de prédios vazios nas regiões centrais e de escritórios só tende a aumentar com o trabalho remoto. Uma solução pra isso seria esses prédios virarem imóveis residenciais, o déficit habitacional em São Paulo é enorme.

  6. O metrô jamais será sustentável, é uma empresa gorda, inflada e cheia de funcionários/chefes/aposentados com salários e benefícios muito acima do mercado, uma empresa cheia de processos trabalhistas absurdos e refém de um sindicato parasita que só visa sobreviver as custas do estado. Privatização é a única saída!

  7. Empresas publicas deficitárias são resquícios do passado. O papel do governo é administrar as despesas publicas e não empreender empresas segmentadas. O governo do Estado já deveria ter eliminado esse cabide de emprego. Uma das vantagens da privatização, é o fim das greves e paralisações do sistema.

    1. O Jolisvaldo ai pôs um comentario inadequado. Tem bastante profissional sério trabalhando na empresa, que mesmo tendo alguns aposentados, estes se dedicam a garantir um transporte excelente para a população. Antes de tecer comentários assim, converse melhor com quem trabalha lá dentro. Uma pena que o governo de SP trate dessa forma, uma empresa de uma história bonita aqui na capital, e a imprensa televisiva procura sempre enaltecer que as linhas privatizadas 4 e 5 são melhores. Tem falhas também só que nunca é divulgado e quando isso acontece, a culpa é do Metrô, só que não, é da empresa concessionária que administra a linha.

  8. tem que privatizar todo o metrô só serve de cabide de emprego e prejuízo a população, chega de tanto desperdício, privatizar a única e eficaz saída

  9. Povo aí repetindo o mantra da privatização deveria dar uma voltinha no metrô privatizado do Rio… vão morrer de saudades do metrô estatal de SP! A propósito, as linhas concedidas de SP foram todas construídas pelo metrô estatal. Quem gosta dessas linhas, que agradeça à competência do metrô estatal!

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