Metrô de SP aciona Justiça por suposto calote de R$ 82 milhões do cartão BOM

Companhia alega falta de repasses pelo CMT referentes a viagens desde 2022; consórcio atribui disputa a interpretações contratuais

O Cartão BOM foi substituído pelo TOP em 2022
O Cartão BOM foi substituído pelo TOP em 2022 (Divulgação)

O Metrô de São Paulo entrou na Justiça para cobrar do Consórcio Metropolitano de Transportes (CMT) uma dívida alegada de R$ 81,9 milhões referente ao antigo cartão BOM. A ação judicial questiona a ausência de repasses por viagens realizadas entre 2022 e março por meio do cartão.

A companhia argumenta que o CMT deixou de transferir os valores mesmo após a substituição gradual do BOM pelo cartão TOP. O Metrô afirmou na ação que não sabe qual destinação tem sido dada a esses valores pelo consórcio.

O consórcio, formado por 24 empresas de ônibus intermunicipais, afirmou ao G1 que “se trata apenas de interpretações distintas de cláusulas contratuais”.

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Bloqueio da estação Consolação, da Linha 2-Verde (Jean Carlos)

O cartão BOM foi criado em 2012 para integrar ônibus intermunicipais, trens e metrô, para isso concentrando a arrecadação das tarifas pelo consórcio, que então fazia os repasses aos operadores.

O sistema operou normalmente até fevereiro de 2022, quando o consórcio afirmou à companhia de estado que interromperia os repasses após a sua substituição pelo Cartão TOP, desenvolvido pelo mesmo grupo, por meio da empresa Autopass.

O Metrô alega, contudo, que muitos passageiros continuam utilizando o BOM já que alguns municípios não aderiram ao TOP. Esses valores, portanto, estariam sendo retidos pelo consórcio.

A Justiça já reconheceu em primeira decisão que o Metrô tem direito a receber a quantia, mas o consórcio recorreu.

Cartão TOP substituiu o BOM durante o governo Doria (Jean Carlos)

Bilhetagem eletrônica sem licitação

A despeito do imbróglio jurídico, o Metrô mantém o convênio com o CMT e também com a Abasp, uma associação sem fins lucrativos que faz a intermediação do uso do Cartão TOP e que retém os valores arrecadados dos passageiros e os repassa aos operadores.

Todo o processo foi feito sem uma licitação já que o governo do estado, na gestão anterior, apenas filiou o Metrô e a CPTM a tal associação, criada pelas empresas intermunicipais de ônibus.

No ano passado foi revelado que o executivo Fernando Manuel Mendes Nogueira atuava como administrador da CMT, presidente do conselho da Abasp e também sócio do fundo que detém a Autopass.

O Tribunal de Contas do Estado investiga possíveis irregularidades na ausência de licitação para a bilhetagem eletrônica. Em setembro, o Metrô contratou a Autopass sem licitação para fornecer validadores à futura Linha 17-Ouro, que não terá bilheterias físicas em suas estações.