Metrô de SP compra drone profissional para realizar levantamentos aéreos
DJI Matrice 4E integra pacote de R$ 489 mil em equipamentos que permitirá à companhia produzir levantamentos topográficos e aerofotogramétricos com meios próprios
O Metrô de São Paulo está incorporando um drone profissional ao seu conjunto de equipamentos técnicos para realizar levantamentos aerofotogramétricos nas áreas sob sua responsabilidade, atividade que também pode ser executada por meio da contratação de empresas especializadas.
A companhia adquiriu um DJI Matrice 4E, aeronave não tripulada voltada principalmente a trabalhos de mapeamento e topografia. O equipamento faz parte de um contrato de R$ 489,3 mil assinado com a Embratop Geo Tecnologias, que inclui ainda um nível eletrônico topográfico, um receptor GNSS e uma estação total motorizada.
O conjunto destinado à aerofotogrametria custou R$ 99.654. A proposta vencedora prevê, além do Matrice 4E, uma controladora DJI RC Plus 2, uma estação móvel DJI D-RTK 2, três baterias, acessórios e uma licença vitalícia do software Agisoft Metashape, utilizado para processar as imagens obtidas nos levantamentos.
Drone para engenharia
Embora tenha dimensões relativamente compactas, o Matrice 4E é bastante diferente dos drones utilizados para hobby ou mesmo de modelos profissionais empregados principalmente na produção de fotografias e vídeos aéreos. Ele faz parte da linha Enterprise da DJI e foi desenvolvido para aplicações como topografia, mapeamento, construção e inspeção de infraestrutura.
Uso de drones para levantamentos aéreos cresceu (iTechdrones)
Uma das diferenças está na câmera principal de 20 megapixels, equipada com sensor de 4/3 de polegada e obturador mecânico. Em vez de simplesmente produzir imagens visualmente atraentes, o equipamento pode fotografar repetidamente uma área durante uma trajetória programada. O obturador mecânico ajuda a evitar distorções provocadas pelo movimento da aeronave e o Matrice 4E consegue realizar fotografias em intervalos de 0,5 segundo, característica importante para levantamentos em áreas extensas.
O drone também possui um sistema RTK, sigla para Real-Time Kinematic. Com o auxílio de uma estação de referência instalada no solo, como a DJI D-RTK 2 adquirida pelo Metrô, são aplicadas correções aos dados recebidos dos sistemas de navegação por satélite. O fabricante informa precisão de posicionamento de 1 cm mais 1 ppm no plano horizontal e 1,5 cm mais 1 ppm na vertical quando o RTK está operando normalmente.
É justamente aí que o uso do Matrice 4E se distancia de um drone utilizado para produzir vídeos. Nesse último caso, a fotografia ou filmagem é normalmente o produto final. Na aerofotogrametria, as fotografias funcionam como dados: uma grande quantidade de imagens sobrepostas e associadas a coordenadas precisas pode ser processada para reconstruir digitalmente a área sobrevoada.
O software Agisoft Metashape incluído na aquisição permite transformar esse material em produtos como ortofotos, modelos tridimensionais, modelos digitais de terreno e nuvens de pontos, que podem posteriormente ser utilizados pelas equipes de engenharia.
estação móvel DJI D-RTK 2 (DJI)
O Matrice 4E também possui câmeras de média e longa distância, telêmetro a laser e sensores para detecção de obstáculos. A autonomia máxima informada pela DJI chega a 49 minutos em condições ideais de voo.
Levantamentos com meios próprios
A aquisição indica que o Metrô pretende internalizar ao menos parte desse tipo de levantamento. Em vez de depender de um serviço completo contratado para cada necessidade, a companhia passará a dispor de uma plataforma própria capaz de obter imagens georreferenciadas e produzir dados para trabalhos de engenharia e acompanhamento de áreas.
CPTM está realizando levantamentos de novos projetos de ferrovia (CPTM)
O uso de drones em trabalhos do Metrô, porém, não é inédito. No Relatório Integrado de 2022, a companhia já citava a utilização de drone e Laser Scan em levantamentos planialtimétricos realizados durante o desenvolvimento de projetos. A diferença agora é a aquisição da própria aeronave e de um conjunto de instrumentos destinados a levantamentos topográficos.
Esse tipo de serviço também é contratado externamente por empresas ferroviárias. Em abril deste ano, por exemplo, a CPTM abriu uma licitação específica para a realização de levantamento aerofotogramétrico planialtimétrico georreferenciado destinado aos estudos de futuras expansões de sua rede.
Além do conjunto com o Matrice 4E, o contrato do Metrô prevê R$ 96.580 para um nível eletrônico topográfico, R$ 124.770 para um receptor GNSS com RTK e R$ 168.273 para uma estação total motorizada. Os quatro itens deverão ser entregues em até 60 dias, e a contratação prevê ainda uma entrega técnica de até 16 horas para os equipamentos.
