Metrô de SP declara Odebrecht e parceiras as vencedoras de contratos de obras da Linha 19-Celeste
Companhia homologou os lotes 2 e 3 do projeto, enquanto o lote 1 segue travado por disputa judicial
O Metrô de São Paulo homologou nesta segunda-feira (9) o resultado das licitações dos lotes 2 e 3 da Linha 19-Celeste, declarando vencedores os consórcios liderados pela Odebrecht Engenharia & Construção. A decisão foi publicada após a rejeição dos recursos apresentados por grupos derrotados, encerrando a fase administrativa dessas duas concorrências.
Nos dois lotes, a Odebrecht participa com 35% de participação em consórcios formados também pela Álya (antiga Queiroz Galvão) e pela construtora italiana Ghella. Com a homologação, resta apenas a assinatura dos contratos para que as obras possam ser formalmente contratadas, etapa que ainda pode ser impactada por eventual judicialização.
O lote 2 compreende o trecho entre as futuras estações Jardim Julieta e Vila Maria e teve proposta vencedora de R$ 6,705 bilhões. Já o lote 3, que engloba o segmento entre Catumbi e Anhangabaú, foi adjudicado por R$ 6,896 bilhões. Em ambos os casos, o prazo contratual para execução das obras é de 75 meses, o equivalente a seis anos e três meses, com início previsto a partir de 2027.
Resultado final do Lote 02 da Linha 19-Celeste (CMSP)
Risco de judicialização é alto
Situação distinta ocorre no lote 1 da Linha 19-Celeste. Nesse trecho, o consórcio Nove de Julho, liderado por duas subsidiárias da PowerChina além da Mendes Junior, havia apresentado a menor proposta, mas acabou inabilitado após recurso administrativo do segundo colocado, o consórcio liderado pela Agis em parceria com OHLA e Cetenco, que ofertou R$ 5,01 bilhões. A decisão levou o grupo chinês a ingressar na Justiça, o que suspendeu o andamento da licitação desse lote.
No caso dos lotes 2 e 3 houve também reclamações de outros grupos, entre eles a construtora Andrade Gutierrez, segunda colocada em ambos. Desta vez, no entanto, o Metrô não acatou os argumentos da empresa e confirmou a Odebrecht e suas parceiras à frente da obra.
Dados da Linha 19-Celeste (CMSP)
Resta saber se os grupos derrotados também não recorrerão à Justiça para impedir a assinatura do contrato. O risco de judicialização é bastante elevado em virtude dos contratos vultosos. A Odebrecht estava afastadas das obras do Metrô desde a Operação Lava Jato e tenta agora se reerguer após deixar de ser a maior construtora do país.
A Linha 19-Celeste terá 17,6 km de extensão e 15 estações, ligando Guarulhos ao centro de São Paulo. A estimativa de demanda é de cerca de 630 mil passageiros por dia quando o ramal estiver em operação.
O Metrô espera iniciar o projeto executivo ainda em 2026, com obras provavelmente tendo início no ano que vem, assim que os terrenos desapropriados forem liberados. O impasse, contudo, pode lembrar outros projetos que sucumbiram à disputas judiciais e atrasaram vários anos.
Odebrecht e Andrade Gutierrez voltaran a disputar obras do Metrô de SP (Montagem com uso de IA)
