Metrô do Recife: primeiros trens usados prometidos pelo governo federal só devem chegar em março
Envio de composições de Belo Horizonte e Porto Alegre sofreu atraso; seis unidades previstas para fevereiro ainda não foram entregues
Os primeiros trens usados que o governo federal se comprometeu a repassar ao Metrô do Recife devem chegar apenas no fim de março, dois meses após o prazo inicialmente previsto. Seis das 11 composições anunciadas deveriam ter sido entregues em fevereiro, mas até o momento seguem longe de Pernambuco.
O envio faz parte do acordo firmado em dezembro entre a União e o governo de Pernambuco para transferir a gestão do sistema ao estado. O pacote incluiu um aporte emergencial de R$ 150 milhões e a previsão de envio de trens usados provenientes de Belo Horizonte e Porto Alegre.
Segundo a Secretaria Estadual de Mobilidade e Infraestrutura, o novo cronograma prevê que o primeiro lote seja entregue até o fim de março, enquanto as demais cinco unidades devem chegar até junho. A pasta atribuiu o atraso a “fatores operacionais e logísticos” e classificou a transferência como medida emergencial.
Entre as composições previstas estão trens mais antigos do Metrô de Belo Horizonte, que dependem da entrada em operação da nova frota adquirida na China para serem liberados. Até o momento, apenas uma unidade dos novos trens chineses foi entregue, o que limita a retirada das composições mais antigas do sistema mineiro.
O Metrô do Recife transporta cerca de 180 mil passageiros por dia em uma rede de quase 80 km, que atende a capital pernambucana e os municípios de Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho.
Trens do Metrô do Recife (GOVBR)
O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) afirmou ao G1 que os trens a serem enviados são mais antigos do que parte da frota atualmente parada por falta de peças na oficina do bairro de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes. Segundo a entidade, além da idade das composições, a estrutura de manutenção do sistema enfrenta limitações.
De acordo com o sindicato, das 17 máquinas especiais utilizadas em inspeção e manutenção, apenas quatro estariam em funcionamento. O quadro inclui equipamentos responsáveis por intervenções na rede aérea, trilhos e subestações.
O sistema vem registrando falhas operacionais frequentes. Na semana passada, o ramal Camaragibe da Linha Centro ficou dois dias sem funcionar por causa de uma pane elétrica, afetando cerca de 40 mil passageiros.
O governo estadual informou que prevê investimento de R$ 4 bilhões na requalificação do metrô, incluindo a compra de novos trens e a modernização da infraestrutura.
O novo modelo de operação, estruturado em parceria com a União, está em consulta pública desde 12 de fevereiro, e a licitação para concessão do sistema está prevista para o segundo semestre de 2026.
