Parte mais delicada da Linha 17-Ouro, o fornecimento dos trens do monotrilho terá uma nova licitação publicada na próxima segunda-feira (15) pelo Metrô de São Paulo. O edital havia sido prometido para junho pela gestão Doria, mas atrasou, acumulando ainda mais tempo em uma linha que teve início de sua construção há nada menos que sete anos.

A licitação incluirá não apenas os trens em si (14 unidades), mas também vários sistemas como o de energia, portas de plataforma, sinalização CBTC, aparelhos de mudanças de vias (track-switches) e manutenção do ramal. A sessão de recebimento das propostas ocorrerá no dia 15 de setembro, ou daqui a dois meses, jogando a possível assinatura do contrato para a virada do ano, caso não ocorra nenhuma suspensão.

Os detalhes do edital só serão conhecidos no início da semana que vem, quando o Metrô disponibilizará os documetos aos interessados. Mas é possível antecipar que a licitação terá um componente raro no setor, o fornecimento de um trem de monotrilho cujo projeto terá de se adaptar ao fracassado padrão da Scomi, fabricante malaia que fazia parte do consórcio Monotrilho Integração, originalmente responsável pelos principais contratos da Linha 17-Ouro.

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Como se sabe, o consórcio, que reúne as construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida, além da Scomi, teve o contrato rescindido no início do ano após anos de lentidão e disputas judiciais por aditivos nos preços. A parte civil não concluída pelo CMI será objeto de uma nova licitação separada.

A fabricante malaia, por sua vez, prometeu muito inclusive assumir projetos que não eram seus, mas na prática não concluiu nenhum trem. Há poucos meses, a divisão ferroviária da Scomi recebeu uma intervenção do governo e é considerada uma empresa moribunda.

Os fabricantes que decidirem participar da licitação precisarão redesenhar seus trens de forma que eles possam se adequar ao perfil da viga-trilho da Scomi assim como as posições dos trilhos de energia e outros sistemas. Isso porque cada empresa que desenha o seu monotrilho utiliza padrões próprios, ao contrário das composições convencionais que rodam sobre trilhos em que existem alguns padrões de bitola como a de 1.600 mm, usadas nas linhas 1, 2 e 3 do Metrô, e a de 1,435 mm, padrão mundial e encontrada nas linhas 4 e 5.

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Ou seja, é mais fácil adaptar um trem comum do que um monotrilho. A Bombardier, por exemplo, que fabricou os trens da Linha 15-Prata, utiliza uma viga-trilho mais estreita que a da Scomi. Nada disso, impede que o trabalho seja feito, é claro, mas cria dificuldades como no fornecimento dos aparelhos de track-switches, imensos trilhos metálicos que mudam de posição para permitir que os trens troquem de vias.

Entre os potenciais participantes da licitação estão a citada Bombardier, as chinesas CRRC e BYD, a japonesa Hitachi, esta última que serviu de base para vários outros projetos como o da própria Scomi.

Com tantas indefinições, o prazo para inaugurar o ramal de 7,7 km e oito estações já não consta de documentos do Metrô, embora se trabalhe com o ano de 2021. No entanto, se o futuro fornecedor dos sistemas e dos trens for contratado no início de 2020 é pouco provável que consiga entregar as primeiras unidades em menos de dois anos.