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Metrô solicita licença ambiental para operar trecho do monotrilho até São Mateus

Com 4 km de extensão, nova fase da Linha 15-Prata incluirá três novas estações, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus, previstas para entrega até dezembro
Acesso da estação São Mateus em agosto de 2019: reta final (GESP)

A chegada do monotrilho da Linha 15-Prata até São Mateus está próxima. As obras da estação e de outras duas paradas estão na reta final, como revela um vídeo publicado pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos nos últimos dias. A previsão fornecida pelo governo é de entregar as três novas paradas até o final do ano, portanto, em cerca de 60 a 70 dias se Doria decidir abri-las antes das festas de final de ano.

Um sinal de que esse momento está próximo surgiu nesta quarta-feira (09) quando o Metrô solicitou à Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo a Licença Ambiental de Operação, passo necessário para permitir que a Linha 15 possa iniciar seus serviços no novo trecho. Essa etapa é realizada justamente quando as obras chegam a um estágio próximo da conclusão.

No passeio pela estação São Mateus é possível constatar que a instalação de escadas rolantes e bloqueios já está quase concluída, assim como a cabine do SSO e dos elevadores. Há trabalhos nos guarda-corpos e instalação de vidros e em pequenos detalhes de acabamento. Faltam equipamentos de combate a incêndio e também o paisagismo, que estão entre as últimas tarefas a realizar, mas de uma forma geral a estação parece próxima de ser concluída. No último fim de semana, inclusive, houve testes com trens na região, segundo relatos de moradores.

Com a entrega das três novas estações, a Linha 15-Prata chegará ao final da segunda fase, que havia sido prometida originalmente para 2014 pelo governo de Geraldo Alckmin. O secretário dos Transportes Metropolitanos da época, Jurandir Fernandes, chegou a declarar que as estações a partir de São Lucas seriam entregues em poucos meses sem que existisse ainda canteiros na região.

Por um erro de projeto não admitido, as obras do trecho da avenida Inácio de Anhaia Melo tiveram de ser suspensas até que fosse feito um desvio no Córrego da Mooca que impedia a execuação das fundações das estações. Mais tarde, a empreiteira responsável pelo trecho em planalto do ramal abandonou as obras fazendo com que o governo tivesse de licitar novamente a etapa final do monotrilho.

A previsão é que a Linha 15-Prata irá transportar diariamente ao menos 300 mil pessoas a partir do ano que vem, quando as três estações estiverem em pleno funcionamento. Em setembro, no primeiro mês de funcionamento da estação Jardim Planalto, o ramal de monotrilho chegou a uma média diária de passageiros de 90 mil pessoas. A nova estação passou a ser segunda mais movimentada da linha, com 12 mil entradas de usuários por dia.

Com os 4 km a mais do monotrilho, a extensão teórica de metrô em São Paulo ultrapassará os 100 km – hoje são 97 km oficialmente. Teórica porque trechos das linhas da CPTM operam com características semelhantes à de metrôs mundo afora, como é o caso da Linha 9-Esmeralda.

Concessão atrasada

Chama a atenção, no entanto, a falta de pressa do governo Doria em assinar o contrato de concessão da Linha 15-Prata com a concessionária ViaMobilidade Linha 15. A empresa, formada pela CCR e RuasInvest, fez a melhor proposta pela concessão que foi homologada pela STM em maio, mas desde então o contrato aguarda assinatura.

Em nota no balanço da CCR em agosto, há uma citação sobre a concessão em que a empresa concordou em manter a oferta feita em fevereiro pela linha, mas o governo em si não comenta o assunto. Acredita-se que o motivo possa ter a ver com as obras das três estações que, sem ser entregues gerariam um custo extra ao governo, como ocorre com os trechos da fase 2 da Linha 4-Amarela. De qualquer forma, o início da concessão prevê um período de seis meses de transição, o que fará o Metrô operar as novas estações por algum tempo – ignora-se se existe quadro de funcionários suficiente para isso atualmente.

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

5 Comentários

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  • Agora a inauguração, seguindo a si a efetivação da operação comercial até São Mateus, cabe aqui uma pergunta. O Prefeito Bruno Covas, no dia em que o Governador @jdoriajr, em solenidade, retomou as obras deste trecho paralisadas desde setembro de 2018, isto em abril, se não me engano, com o episódio envolvendo a Azevedo & Travassos, asseverou, o Prefeito, que, inaugurada a Estação São Mateus e operando com cobrança de tarifa e horário integral, realizaria um “remanejamento” de linhas rodoviárias que possuem como ponto de partida, chegada ou passagem o Teminal “alugado” pela EMTU para a extinta CMTC e sua sucessora SPTrans. Se a informação procede, quais destas linhas dos Consórcios 3, 4 e 5 deixariam de operar ou serão incorporadas ou, ainda, seccionadas? Alguma previsão? E, no tocante ao Novo Terminal São Mateus, na esquina da Av. Sapopemba X Av. Adélia Chohfi? Sabemos que o “cobertor” (as verbas) é curto. Mas, por outro lado, não há uma previsão, nem para a Gestão 2021-2024, seja quem for o próximo prefeito?Dificilmente Bruno Covas será reeleito.

    • A verba não é curta, muito pelo contrário. A prefeitura vai fechar o ano com 12 bilhões no caixa do presente exercício sem uso destinado. Então dinheiro não falta. Se a prefeitura quisesse, com esse dinheiro em caixa faria monotrilho até Tiradentes com folga. Além do mais, ano que vem haverá acréscimo de 11% da receita, ultrapassando os 65 bilhões em caixa.

      Dinheiro há de sobra, não caia nessa falácia de “falta de verba”.

      Sobre o remanejamento das linhas, ocorrerá tão logo inaugure o monotrilho. Era para ter ocorrido em junho do ano passado, conforme a remodelação feita pela prefeitura, mas como o monotrilho foi postergado pela décima vez devido a notória ineficiência dos tucanos, também foi adiada a remodelação das linhas.

      Sobre o terminal dos articulados e biarticulados, parece-me que continuarão do jeito que estão, com pontos finais ao largo da avenida Sapopemba.

      Bem que poderiam fazê-lo abaixo da estação São Mateus do monotrilho e nem precisaria ser algo tão elaborado como o terminal Vila Prudente, apenas duas vias anexas abaixo da estação com saídas ao Largo de São Mateus estariam de bom grado, resolveriam muito bem o problema pois desafogaria a região e ainda faria conexão mais próxima aos terminais do monotrilho e ao terminal EMTU/SPTRANS/METRA.

      Mas não fizeram e não farão tão cedo pois são um bando de inconpetentes.

      Talvez dentre vinte anos saia alguma coisa ao povo da região que é tão esquecido pelo poder público.

  • Não passou aínda pra CCR porque é um negócio de pai pra filho. Só vão receber quando o trecho tiver redondinho funcionando. Iniciativa privada é assim, só pega o mole, deixa o duro pro estado

  • Moro na regiao do Guarapiranga e Jardim Ângela que considero a mais atrasada de São Paulo, quem dera ter um monotrilho aqui, o negócio é andar de lotação mesmo, pequena, lenta que atrapalha mais ainda o trânsito que já e horrível.

  • Não acho que só a linha 9 tenha características de metrô comparada com outros mundo a fora, todas as linhas da CPTM tem hoje em dia.

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