Monotrilho da BYD é chamado de ‘fracasso’ pela Bloomberg
Influente agência de notícias afirmou que projeto do SkyRail não avançou na China enquanto coloca suas esperanças na Linha 17-Ouro
Notória pelo seu avanço veloz no mercado de veículos elétricos, a fabricante chinesa BYD ainda não possui uma atuação relevante no setor ferroviário, mas não por falta de interesse de seu fundador, o empresário Wang Chuanfu.
Há quase uma década, ele lançou um novo negócio, o SkyRail, um monotrilho futurista que prometia tornar o modal popular no mundo, a começar pela China. Mas tantos anos depois, o sistema só opera de forma limitada em algumas cidades do seu país natal e teve um revés após o fim do projeto “VLT” em Salvador.
A esperança reside, no entanto, na Linha 17-Ouro, do Metrô de São Paulo, em que a BYD joga suas maiores fichas ao assumir um projeto que foi desenhado por outra empresa, a Scomi, que faliu anos atrás sem entregar um único trem.
A despeito dos esforços e da perseverança da gigante chinesa, a falta de resultados foi alvo de uma reportagem da agência de notícias Bloomberg na semana passada.
Wang Chuanfu, fundador da BYD, o governador de SP, Tarcísio de Freitas (GESP)
O artigo diz que o SkyRail ‘emperrou’ e que se tornou o ‘primeiro grande fracasso’ da empresa chinesa, que também tem outros negócios como baterias, eletrônicos e veículos de todo tipo, sobretudo ônibus elétricos.
Estações abandonadas e trens enferrujados
A publicação ocorreu justamente quando Chuanfu estava no Brasil para uma série de aparições públicas que foram da Linha 17 à inauguração de uma fábrica de automóveis na Bahia.
A Bloomberg colocou o monotrilho na conta do empresário, que lançou o SkyRail em 2016 como um transporte do futuro. E não faltou investimento: quase US$ 1 bilhão foi colocado no projeto e a perspectiva traçada por Wang era que o sistema poderia ser implantado em mais de 200 cidades na China.
Mas a expansão chinesa ficou no papel. Até aqui, o monotrilho de linhas elegantes que lembra um ‘trem-bala’ só funciona em Xi’an, Yinchuan e na sede da BYD, em Shenzhen.
Estação do monotrilho da BYD inacabada na China (Redes sociais)
Alguns projetos, no entanto, ficaram pelo caminho e o artigo destaca o abandono visto em Anyang e em Guilin, com estações inacabadas e trens enferrujados.
Aparentemente, a BYD não contou com um fator decisivo quando se trata de projetos como esse na China, o apoio do governo. Sem esse empurrão, não há demanda e recursos. Em 2021, Pequim congelou projetos de transporte sobre trilhos para reduzir o endividamento de governos locais, o que fez várias linhas ficarem na promessa.
Pouco antes disso, a BYD dobrou a aposta com o SkyShuttle, um transporte sobre trilhos automatizado que lembra um People Mover. Porém, a despeito do custo mais baixo que o metrô, nenhum dos dois atraiu interessados em seu próprio país.
Teste de fogo no Brasil
A carreira do SkyRail no exterior também reforça a impressão da Bloomberg. Apenas no Brasil, o monotrilho tem hoje uma rara chance de mostrar a que veio, após um episódio um tanto constrangedor com a rescisão do contrato de implantação do “VLT de Salvador”. Sim, a Linha 17 do Metrô será por assim dizer a estreia mais reluzente da tecnologia lançada pelo empresário há quase uma década.
Trem fabricado pela BYD para a Linha 17-Ouro (BYD)
E tem sido um desafio sem igual já que os 14 trens de monotrilho com cinco carros tiveram de ser adaptados à uma viga-guia que foi desenhada para outro modelo, da falida Scomi.
A BYD não só assumiu o risco de adaptar seu projeto como está à frente da implantação de vários sistemas associados, de sinalização a portas de plataforma.
E o trabalho tem sido bem sucedido até aqui, com avanços semanais e a promessa de reverter a imagem desgastada do monotrilho no Brasil após os problemas na Linha 15-Prata.
Todo esse pacote começará a ser experimentado pela população em março de 2026. Será o momento em que duas lendas poderão se transformar em realidade: o monotrilho da Copa do Mundo de 2014 e o revolucionário trem de Wang Chuanfu, conhecido pela persistência sem igual.
