Governo vai leiloar Linha 16-Violeta sem projeto básico, em modelo que pode gerar incertezas
Leilão do novo ramal será leiloado baseado apenas em estudos preliminares e com indefinições, a despeito de ter dado início a desapropriações
O surgimento da Linha 16-Violeta como um projeto prioritário do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) surpreendeu a muitos já que dois outros ramais estavam mais adiantados no cronograma, as linhas 19-Celeste e 20-Rosa.
De fato, a ideia, então baseda em um projeto diretriz do Metrô de São Paulo, ganhou velocidade após a construtora Acciona revelar ter interesse em assumi-la em agosto do ano passado.
A gestão estadual, então, abriu uma consulta aberta para que possíveis outros interessados se apresentassem para produzir um estudo mais aprofundado do ramal, incluindo levantamentos de demanda, obras civis, sistemas, custos operacionais e potencial de mercado, sem falar em sondagens do subsolo.
Antes mesmo que a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) autorizasse a Acciona a iniciar os estudos pelo valor de R$ 42 milhões, a empresa já perfurava o solo em regiões onde considerava apropriadas para implantar estações, em um traçado diferente do imaginado pelo Metrô em vários casos.
Extensão até Cidade Tiradentes será a Fase 2 da Linha 16-Violeta.
Os estudos ficaram prontos em junho e em setembro, a SPI anunciou as audiências públicas e a consulta pública do empreendimento. Tudo para que o edital seja lançado no início de 2026 e o leilão ocorra ainda no primeiro semestre.
Projetos básico e executivo nas mãos da concessionária
A pressa, entretanto, tem dado sinais de preocupação. Normalmente, um plano dessa magnitude costuma contar com o projeto básico ao menos bastante adiantado. Isso porque ele fornece informações mais precisas e definitivas sobre a configuração do ramal, os locais onde ficarão estações e poços de ventilação, além do pátio.
É o que ocorre com a Linha 20-Rosa, cujo projeto básico deve ficar pronto no ano que vem. O governo cita esse marco como o ponto onde será possível vislumbrar um leilão, possivelmente apenas em 2027. Mas no caso da Linha 16-Violeta, a concepção dos projetos básico e executivo caberá à futura concessionária.
Linha 16-Violeta: investimentos por tipo (SPI)
O reflexo é que a previsibilidade do contrato pode ser menor do que em outros leilões já que quem assumir poderá descobrir mais tarde muitos fatores complicadores do trajeto de 19 km e 16 estações. Vale lembrar que a SPI estima o investimento da primeira fase em R$ 37,5 bilhões.
Em outras palavras, isso significa que muito do que será a Linha 16 ainda caberá à empresa privada que vencer o leilão, incluindo localização de estações e do pátio, este já alvo de reclamações de empresários na região da Mooca.
O problema é que o governo já deu início às desapropriações para o ramal. Em setembro, foram definidos os locais de quatro das 16 estações, sendo elas Nove de Julho, Jardim Paulista, Ana Rosa e Álvaro Ramos, essa última já na Zona Leste da cidade.
O local onde fica a travessa e planta referencial da estação Nove de Julho (GESP)
Ou seja, há um certo descompasso entre o estágio da linha que de um lado afirma que ainda há muito a ser definido, mas que por outro já reserva espaços para futuras estações.
Augusto Almudin, diretor da Companhia de Paulista de Parcerias (CPP), afirmou ao jornal O Estado de São Paulo que os decretos foram feitos porque não há muitas opções de traçado e localização nessas regiões, mas que “a concessionária poderá adotar outra solução”.
Ele também negou em recente entrevista que a Linha 16 tenha ‘ultrapassado’ a Linha 20-Rosa, a qual ainda mantém um status de importância nos planos do governo.
