Mulheres ocupam espaço em funções técnicas e operacionais no sistema metroferroviário de São Paulo

Presença feminina cresce em áreas como manutenção, condução de trens e controle da operação nas linhas concedidas à iniciativa privada

Marina Michele Paiva Brito
Marina Michele Paiva Brito (Motiva Trilhos)

Durante décadas, atividades técnicas no setor ferroviário e metroviário foram associadas quase exclusivamente a profissionais homens. Funções ligadas à manutenção pesada, à condução de trens ou à gestão da circulação eram tradicionalmente ocupadas por equipes masculinas, reflexo de um padrão histórico presente em boa parte das áreas industriais e de infraestrutura.

Nos últimos anos, esse cenário começou a mudar de forma gradual. Em sistemas sobre trilhos operados na Região Metropolitana de São Paulo, mulheres passaram a ocupar funções que antes raramente eram associadas a elas, incluindo áreas técnicas e de comando da operação.

Nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas pela concessionária ViaMobilidade, Amanda Monfardini da Silva atua na supervisão da manutenção da rede aérea, estrutura responsável por fornecer energia elétrica para os trens. A atividade envolve o acompanhamento de equipes que trabalham diretamente na infraestrutura elétrica das linhas.

Tatiana dos Santos (Motiva Trilhos)

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A operação diária das linhas também depende do trabalho de profissionais que monitoram a circulação em tempo real. Na Linha 5-Lilás, Samira Tenca supervisiona o Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por acompanhar o deslocamento das composições e coordenar respostas a eventuais ocorrências. Antes disso, ela havia atuado como operadora de trem na própria linha.

A manutenção da frota é outra área em que a presença feminina começa a aparecer com mais frequência. Tatiana Archanjo dos Santos integra a equipe técnica responsável por atividades nas oficinas das linhas 8 e 9, ambiente historicamente associado a equipes predominantemente masculinas.

Samira Tenca (Motiva Trilhos)

Na condução dos trens, função diretamente ligada à segurança e ao cumprimento da programação da operação, Juliana Fernandes de Oliveira Dioceser atua como operadora na Linha 5-Lilás. O trabalho envolve treinamento específico e acompanhamento constante dos sistemas de sinalização e controle da linha.

Há também presença feminina em funções que conectam operação e atendimento ao público. Na Linha 4-Amarela, Marina Michele Paiva Brito trabalha na área de atendimento e segurança nas estações, responsável por orientar passageiros e atuar na organização dos fluxos dentro do sistema.

Camila França Santos (Motiva Trilhos)

A entrada de mulheres em diferentes áreas da operação metroferroviária reflete mudanças mais amplas no setor de transporte. Em atividades que por muito tempo foram marcadas por barreiras culturais e profissionais, a presença feminina passou a se tornar mais comum, acompanhando a ampliação do acesso a formação técnica e oportunidades de trabalho em áreas de engenharia, operação e manutenção.