Obras de madrugada na Linha 6-Laranja se espalham por mais estações a poucos meses de inauguração
Trabalhos em terceiro turno ocorrem em nove estações e seguem até outubro para cumprir cronograma de inauguração parcial
As obras da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo passaram a operar em regime de terceiro turno em um conjunto mais amplo de frentes de trabalho. A execução de atividades durante a madrugada, entre 22h e 6h, não se limita à estação SESC-Pompeia, como revelamos nesta quarta-feira, 4, e envolve outras estações, poços de ventilação e áreas operacionais do ramal, que tem inauguração parcial prevista para este ano.
A adoção do trabalho ininterrupto ocorre em um momento decisivo do cronograma da Linha 6-Laranja, que terá sua primeira fase de operação entregue entre a zona norte e a zona oeste da capital. A linha, que ligará a região da Brasilândia à São Joaquim em 2027, será operada pela concessionária Linha Uni e tem parte das estações previstas para abertura em outubro.
Atualmente, o regime de três turnos está em funcionamento em nove estações, além de sete poços de Ventilação e Saída de Emergência e no Pátio Morro Grande. Durante o período noturno, a prioridade é a execução de atividades compatíveis com as restrições urbanas, especialmente aquelas relacionadas à circulação de caminhões e à logística de materiais, em razão das limitações impostas pela Zona de Máxima Restrição de Circulação nas principais vias da cidade.
Mezanino da plataforma da estação Água Branca (Linha Uni)
A estação SESC-Pompeia, em Perdizes, integra esse conjunto de frentes aceleradas. Com pouco mais de 81% de avanço físico, ela está entre as mais adiantadas do projeto, embora ainda dependa da conclusão de elementos como o acesso secundário, que segue em fase de escavação. Mesmo com o bom ritmo geral, a estação ainda apresenta avanço ligeiramente inferior ao de outras paradas da região, como Água Branca e Perdizes.
Além da SESC-Pompeia, a ampliação do horário de trabalho já alcança áreas como a estação Água Branca, na zona oeste, e o VSE Felipe Mendes, na Freguesia do Ó, na zona norte. Em fases anteriores da obra, outras estações, como Higienópolis-Mackenzie, também chegaram a operar temporariamente em terceiro turno, indicando que esse tipo de estratégia vem sendo utilizado de forma pontual ao longo da implantação da linha.
Veja a evolução das obras da Linha 6-Laranja
O trabalho noturno ocorre em meio à reclamações de moradores sobre ruído durante a construção do ramal. Em anos anteriores, a concessionária recebeu autuações ambientais relacionadas à emissão sonora em áreas residenciais, especialmente na região da futura estação PUC-Cardoso de Almeida. As atividades atuais seguem sendo monitoradas por órgãos ambientais, com limites específicos para o período noturno, embora obras públicas não estejam sujeitas às regras municipais do Programa Silêncio Urbano.
Trens serão empregados no atendimento de mais de 600 mil pessoas na Linha 6-Laranja. (Reprodução Redes Sociais)
A Linha 6-Laranja terá 15,3 km de extensão em sua configuração inicial, com 15 estações ao longo do traçado. O trecho a ser inaugurado neste ano compreende oito estações entre a Brasilândia e a região de Perdizes. A estação Maristela, na Freguesia do Ó, ficou fora dessa primeira etapa e teve sua entrega adiada para o fim de 2027, assim como o restante do trecho até São Joaquim, na região central, com exceção da estação 14 Bis-Saracura, cujas obras estão paradas em meio a trabalhos arqueológicos.
Extensão até Mooca
Enquanto acelera as obras do trecho original, a Linha Uni e a construtora Acciona já estão trabalhando em duas extensões, uma com duas estações após Brasilândia e outra com quatro estações até a região da Mooca, onde haverá conexão com a Linha 10-Turquesa e no futuro com a Linha 16-Violeta.
O VSE Felício dos Santos será o local da partida do tatuzão, que está parado hoje no subsolo. O local está sendo ampliado por meio de mais desapropriações a fim de permitir que a descarga de material escavado e o envio de aduelas dos túneis seja feito a partir dele.
A Linha Uni também está readequando a rede fluvial na área a partir de 9 de fevereiro com obras previstas para durarem 90 dias.
Imóveis desapropriados ficam na parte inferior onde está o poço Felício dos Santos (Google Earth)
