OPINIÃO: críticas ambientalistas sobre Estação Chácara do Jockey são precipitadas e ignoram benefícios mais amplos

Grupo de moradores se mobiliza contra possível uso de uma área do Parque Chácara do Jockey, mas impacto seria mínimo comparado aos ganhos sócio-ambientais para ao menos 39 mil pessoas todos os dias

Estação Chácara do Jockey é alvo de polemica ambientalista (Jean Carlos)
Estação Chácara do Jockey é alvo de polemica ambientalista (Jean Carlos)

Como tem sido praxe na expansão sobre trilhos em São Paulo, mais uma vez uma obra de metrô é alvo de protestos de moradores, novamente alegando supostos prejuízos ambientais.

Uma matéria veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo nesta semana expõe a demanda contraditória de pessoas que são vizinhas ao Parque Chácara do Jockey e reclamam do local onde poderá ser construído o acesso secundário da Estação Chácara do Jockey, da Linha 4-Amarela.

Eles alegam questões como emergência climática e degradação de áreas verdes.

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O site teve acesso aos referidos estudos e chegou a um entendimento menos alarmista do que aquele divulgado e difundido pela reportagem. Vale dizer antes de mais nada, que os estudos até aqui são preliminares e podem sofrer alterações. Mas nem por isso soam imprecisos ou relapsos. Entenda:

O local

O local em questão é o acesso norte da estação Chácara do Jockey. Conforme este site divulgou anteriormente, o acesso deverá se localizar dentro do Parque Chácara do Jockey, sendo necessário desapropriações no local.

A desapropriação total será de 670,86 m². Apesar do grande espaço cabe citar aqui que apenas 346,85 m² serão usados de fato para acessar a Linha 4. Mais da metade desse espaço será dedicado para um bicicletário, reforçando a mobilidade ativa e ecologicamente correta.

Acesso sul da Estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)
Acesso sul da Estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)

O projeto também prevê que a pista de skate do local seja preservada e não tenha qualquer tipo de interferência durante a construção do acesso.

Cabe citar que originalmente a estação Chácara do Jockey deveria ser construída inteiramente dentro do parque de mesmo nome. O projeto produzido pela Fernandes/Arquitetos Associados mostra que a implantação original seria muito mais intrusiva.

Portanto, há de se considerar que houve esforço por parte dos projetistas em minimizar as interferências ao parque.

Áreas verdes

O centro do problema seria a suposta grande devastação que um acesso poderia causar ao meio biótico. É necessário esclarecer, dentre outros pontos, a alegação de 129 árvores cortadas na região.

O diagnóstico de Meio Biótico destaca de fato a presença de 129 árvores como é descrito na matéria do Estadão. Entretanto é imprescindível citar que apenas 48 árvores estão dentro da Área Diretamente Afetada (ADA). Esse valor representa 37% do total.

Número de arvores e caracterização das ADAs (ViaQuatro)
Número de arvores e caracterização das ADAs (ViaQuatro)

Os demais 63%, ou seja, a maioria das árvores (81 ao todo) está dentro do entorno que compõe um buffer de 7 metros de distância.

É igualmente importante salientar que do total das ADAs (4,37 hectares), apenas 5% representam agrupamentos arbóreos. Campos antrópicos representam 21% das áreas, enquanto os espaços urbanizados representam 74% dos locais. Isso revela a preocupação com a escolha dos espaços para minimizar os impactos.

Identificação dos Impactos

A identificação e avaliação dos impactos ambientais fazem parte do Relatório Ambiental Preliminar (RAP). Dentro deste contexto foi classificado o impacto IMB.1 relativo a perda de vegetação no empreendimento.

O relatório, elaborado por 15 profissionais especializados incluindo mestres e doutores, aponta que o impacto ocorrerá na fase de implantação sendo classificado como negativo, certo e de curto prazo.

Impacto da Supressão Arborea (ViaQuatro)
Impacto da Supressão Arborea (ViaQuatro)

O documento ainda aponta, de forma clara, que o impacto é de baixa importância e o enquadra como de baixa magnitude.

“Dado o contexto ambiental e a baixa estimativa de supressão vegetal, e de intervenção em APPs e em Vegetação Significativa do município de São Paulo, além do fato de se tratarem de campos antrópicos e árvores isoladas ou em agrupamentos, pertencentes a espécies nativas ou mesmo exóticas ao Brasil e comumente presentes na arborização urbana da Região Metropolitana de São Paulo, este impacto possui baixa importância. As medidas mitigadoras e, sobretudo, compensatórias, possuem alto potencial de resolução, quando bem implementadas e monitoradas. Assim, o impacto é considerado de baixa magnitude.”

Ainda cabe citar que os mapeamentos quanto a  supressão arbórea mostram que apenas oito árvores estão alocadas dentro do espaço onde será construído o novo acesso. Outras sete arvores estão em área que deverá ser desapropriada para o alargamento da avenida.

Arvores na região da estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)
Arvores na região da estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)

Estação mais profunda

Um dos especialistas consultados pelo jornal cita a possibilidade de construir a estação em maior profundidade, perto da camada de rochas. Ele afirma que isso poderia evitar impactos ao lençol freático e menor interferência na superfície.

Apesar da exposição tecnicamente correta em termos ambientais, o aprofundamento da estação poderia gerar dois problemas. O primeiro é um orçamento maior para a construção da obra sem necessidade.

Quanto maior a profundidade de uma estação, mais caro é sua construção. Impactos orçamentários, apesar de não serem contabilizados de forma intensa nos relatórios, são de extrema relevância.

Outro ponto a ser considerado é o projeto geométrico de vias e o método construtivo adotado. No caso do projeto de vias, uma estação mais profunda poderia significar rampas mais acentuadas, o que poderia gerar impactos em termos de energia.

Como os túneis da Linha 4-Amarela serão construídos em NATM, as escavações mais profundas poderiam também exigir equipamentos mais complexos, já que poderiam, dada a situação geológica, atingir a camada de rochas.

Corte da Estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)
Corte da Estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)

Conclusão

Em linhas gerais, o problema posto soa como uma polêmica desnecessária diante do impacto ambiental positivo de dispôr de uma linha metroviária, aliviando o trânsito na região. A demanda da estação deverá girar em torno de 39 mil pessoas por dia.

Os benefícios socioeconômicos também entram na conta. Atualmente as melhorias do sistema metroviário já atingem a casa das dezenas de bilhões de reais ao ano que incluem redução de viagens motorizadas, redução de acidentes e menor tempo de viagem, além da melhora na qualidade de vida das pessoas.

Desapropriações na Estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)
Desapropriações na Estação Chácara do Jockey (ViaQuatro)

Os projetos podem (e devem) sofrer mudanças para permitir ainda mais reduções de desmatamentos, ou incluir dentro de seus projetos arquitetônicos áreas que preservem o verde como, por exemplo, os jardins de chuva.

Existem soluções eficientes para diversas questões envolvendo as mudanças climáticas. Certamente a construção do metrô é uma solução muito mais benéfica para ser alvo de protestos como esses..