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Portas de plataforma da Linha 4-Amarela vão “interpretar” suas reações

Sistema de portas interativas digitais passará a funcionar em três estações da linha a partir do 18
Portas interativas digitais: ViaQuatro quer saber o que usuário pensa das suas mensagens (Divulgação)

A cena do filme Minority Report (2002) mostrava o protagonista John Anderton (Tom Cruise) andando por uma cidade no futuro em que os paineis publicitários o reconheciam e “falavam” e ofereciam produtos e serviços que seriam sob medida para ele. Dezesseis anos depois, os usuários da Linha 4-Amarela, operada pela concessionária ViaQuatro, vão experimentar um pouco dessa ficção científica a partir do dia 18 de abril.

A empresa está implantando um recurso tecnológico inédito, as portas de plataforma interativas digitais. Equipadas com monitores digitais elas mostrarão mensagens sobre a linha, campanhas de orientação e, claro, campanhas publicitárias. A novidade é que elas têm a capacidade de captar a reação das pessoas que estão diante delas além de contar o número de usuários que tiveram contato com o conteúdo.

“As portas de plataforma interativas são uma tecnologia inovadora desenvolvida pela ViaQuatro para aprimorar transmissão de informações aos passageiros da Linha 4-Amarela. O reconhecimento facial é uma realidade na área de comunicação e marketing, com recursos sofisticados, que podem colaborar na criação de novas estratégias para públicos específicos, visando mais efetividade na troca de mensagens importantes ou mesmo o incremento em vendas”, explicou Harald Zwetkoff, presidente daViaQuatro.

Graças ao reconhecimento facial, as portas interativas são capazes de perceber as emoções esboçadas pelos passageiros. Ou seja, uma propaganda de um novo automóvel pode não apenas servir para divulgar o produto, mas também saber o que o público achou do seu estilo e equipamentos, por exemplo. Imaginem quanto essa informação não será valiosa para agências de publicidade e anunciantes.

Sim, ainda não chegamos ao ponto em que telões e equipamentos nos identificarão até porque isso fere alguns conceitos caros atualmente como a privacidade. Mas já se vislumbram aí possibilidades infinitas, afinal não há exatamente uma grande barreira técnica em guardar nossas fisionomias em bancos de dados – a questão é apenas ética.

Tom Cruise vê uma publicidade sob medida para ele no filme Minority Report: ficção perto da realidade (Paramount)

Peso no bolso da Via Quatro

Se a concessionária dará um passo à frente em termos tecnológicos com suas portas interativas, a empresa, de propriedade da CCR, Mitsui e RUASInvest, acaba de ganhar uma senhora dor de cabeça. O Tribunal Superior do Trabalho decidiu na semana passada transferir os funcionários da ViaQuatro para o Sindicato dos Metroviários, o mesmo que representa os empregados da Companhia do Metropolitano de São Paulo, vulgo Metrô.

Até então, os funcionários da concessionária eram ligados ao Sindicrep (Sindicato  dos Empregados de Concessionárias) e por isso têm um acordo coletivo diferente e com menos benefícios que os metroviários.

Agora, caso a mudança seja mesmo confirmada (o atual sindicato e a própria ViaQuatro devem entrar com ações para evitar isso), a concessionária terá de arcar com custos mais altos já que o piso salarial dos metroviários é bem superior (R$ 2.158 contra R$ 1.713), além de benefícios como adicional por tempo de serviço (1% a cada ano após cinco anos empregado) que não existem na empresa privada.

Como sempre, a conta pode recair no bolso do contribuinte. Essa alteração pode ser considerada motivo para um pedido de reequilíbrio ao governo do estado já que não era prevista na época da licitação. Já o fantasma da greve é pouco provável que apareça na Linha 4, isso porque a empresa não tem em teoria as mesmas amarras políticas que o Metrô. Em outras palavras, a ViaQuatro certamente evitará que se formem grupos de funcionários capazes de provocar protestos afinal ela pode simplesmente demiti-los sem cerimônia.

Ainda assim, é uma situação complexa e que dá forças ao sindicato que havia sido derrotado na tentativa de manter a Linha 5-Lilás nas mãos do estado. Certamente, é um assunto que ainda terá desdobramentos.

Funcionários da ViaQuatro em meio a outros trabalhadores: mudança para o Sindicato dos Metroviários

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

2 Comentários

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  • Alegar que uma empresa pode coibir a união dos seus trabalhadores em torno de uma pauta comum a eles é algo que podia ser acompanhado de “embora isso configure assédio moral e fira o direito constitucional de greve, previsto na CLT.” 😉

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