Primeira linha do metrô de Bogotá inicia testes dinâmicos antes de abertura em 2028

Capital colombiana começou a movimentar os trens na via elevada da Linha 1 após décadas apostando na expansão do sistema de ônibus TransMilenio

Trens começaram testes dinâmicos na via
Trens começaram testes dinâmicos na via (Metro Bogotá)

Após mais de 80 anos de projetos, promessas e discussões sobre a implantação de um metrô, Bogotá iniciou os testes dinâmicos de sua primeira linha metroviária. Os trens da Linha 1 começaram a circular na via elevada do sistema na semana passada, enquanto a prefeitura mantém a previsão de concluir as obras em setembro de 2027 e iniciar a operação comercial em março de 2028.

Os testes ocorreram na região da futura estação Gibraltar, no sudoeste da cidade. Nesta fase inicial, as composições circulam em baixa velocidade para validar sistemas ferroviários, elétricos e de comunicação antes da ampliação gradual dos percursos e do aumento da velocidade operacional.

O avanço é um marco para a capital colombiana, que durante décadas apostou na expansão do TransMilenio, sistema de corredores exclusivos de ônibus inaugurado em 2000.

Embora tenha se tornado uma espécie de ‘celebridade’ internacional por sugerir que seria possível que ônibus substituem metrô, a rede passou a enfrentar níveis crescentes de saturação nos principais eixos, com superlotação, congestionamentos e filas, revelando que a proposta tratava-se de um engodo bancado pela indústria automobilística.

Estação do Metrô do Bogotá (Metro Bogotá)

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Aposta em ônibus fez Bogotá ficar no fim da fila do Metrô

Quando a Linha 1 entrar em operação, Bogotá passará a integrar finalmente um grupo de metrópoles sul-americanas que já possuem sistemas metroviários há muitos anos. Buenos Aires opera metrô desde 1913. São Paulo, Rio de Janeiro, Santiago e Caracas inauguraram suas redes nas décadas de 1970 e 1980. Brasília, Lima e Quito também passaram a contar com transporte metroviário antes da capital colombiana.

A Linha 1 está sendo construída em estrutura elevada ao longo de 23,9 quilômetros e contará com 16 estações. Segundo a Empresa Metro de Bogotá, cerca de 14,5 quilômetros da infraestrutura já foram concluídos.

Composições têm passagem livre entre carros (Metro Bogotá)

A cidade recebeu até o momento 11 dos 30 trens previstos para a primeira fase do projeto. As demais unidades deverão ser entregues ao longo deste ano, enquanto os testes avançam para novos trechos da linha.

De acordo com as estimativas divulgadas pela empresa estatal responsável pelo empreendimento, o percurso entre Gibraltar e a região da Calle 72 poderá ser realizado em aproximadamente 27 minutos. Atualmente, o mesmo deslocamento pode superar uma hora e meia nos horários de maior movimento.

Abertura da Linha 1 deve ocorrer no início de 2028 (Metro Bogotá)

Apesar de ainda não ter inaugurado sua primeira linha, Bogotá já segue com a implantação da Linha 2 do metrô. O segundo ramal foi contratado recentemente e deverá atender principalmente a região noroeste da cidade, indicando que a capital colombiana busca acelerar a expansão da rede após décadas de dependência quase exclusiva dos corredores de ônibus.

As autoridades locais afirmam que faltam cerca de 22 meses para que os passageiros possam utilizar o novo sistema. Se o cronograma for cumprido, Bogotá finalmente passará a contar com metrô em 2028, encerrando uma espera que atravessou gerações de moradores e sucessivas administrações públicas.

O BRT Transmilênio: aposta furada (Galo Naranjo / Creative Commons)

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Ivo
Ivo
1 hora atrás

O Transmilênio nunca foi “engodo da indústria automobilística” mas sim um projeto de transporte incompleto. E como todo projeto incompleto, a falta de investimentos causou muitos dos problemas que o artigo refere.

E graças ao Transmilênio que Bogotá pôde estruturar sua rede de transportes. Agora Bogotá terá uma rede de metrô de qualidade que se somará a uma rede de ônibus de qualidade já existente.

Apostar todas as fichas no metrô foi um erro cometido por São Paulo, Rio, Brasília e tantas outras cidades brasileiras. E essa aposta é cara e ainda ineficiente. Não adianta ter metrôs caros e vistosos e redes de ônibus ruins (e São Paulo resolveu ainda comprar os mais caros e ineficientes ônibus elétricos do mundo).

O Transmilênio de Bogotá foi inspirado por Curitiba. Isso mostra que ainda persiste entre alguns a síndrome de vira-latas, onde há certo desdém por invenções brasileiras de sucesso. Se o BRT fosse criado lá fora, certamente não seria chamado de “engodo da indústria automobilística”.

Bruno Ventura
Bruno Ventura
24 minutos atrás
Responder para  Ivo

Ivo chama críticas ao BRT de síndrome de vira-latas, ao mesmo tempo que chama ônibus elétricos com tecnologia nacional de os mais caros e ineficientes do mundo kkkkkkk
Bom é comprar tudo de fora, bem mais caro e não produzir um parafuso no Brasil.

Rodrigo
Rodrigo
43 minutos atrás

Detalhe é que o próprio Transmilenio tem participação no metrô de Bogotá

Santiago
Santiago
8 segundos atrás

Os sistemas de BRT têm uma função importante, se bem aplicados conforme o tamanho da cidade.
Em cidades com até 500 mil habitantes ele pode conseguir cumprir bem o papel de principal modal estruturador.
Porém em metrópoles com milhões de habitantes a história é outra, e o papel principal cabe necessariamente aos modais ferroviários, enquanto cabe ao BRT uma função mais intermediária e complementar.

Na história dos BRTs o único verdadeiro engodo é o político, quando certas gestões públicas distorcem os conceitos técnicos e a função verdadeira do sistema, implantando-o as pressas e com discursos mentirosos a venderem o modal como “solução e definitiva, e melhor do que metrô”.

Bogotá nos deu duas grandes lições e exemplos para as grandes metrópoles que enfrentam o mesmo dilema:
1°) O que não deve ser feito: Dispensar totalmente projetos sobre trilhos, apostando-se apenas em projetos sobre pneus.
2°) Ter a humildade de reconhecer que certos projetos eram superestimados, e tratar de corrigir os equívocos. Com projetos mais apurados e melhor embasados, e amenizando ao máximo o tempo perdido.

Dois recados:
– Rio de Janeiro, juntem-se o estado e o municipio para reestruturar e modernizar a enorme e abrangente malha ferroviária que cobre toda as zonas Norte e Oeste, e a Baixada Fluminense. Ao invés de ficar querendo expandir o BRT pra essas regiões.
– Curitiba, renda-se de uma vez por todas aos trilhos. Comece com VLTs, e vá traçando projetos futuros de metrô. Curitiba não tem mais como depender só dos pneus.