Pernambucanas deixa de patrocinar naming rights da estação Paulista

Motiva confirmou fim do contrato assinado em 2023 enquanto varejista passa por crise financeira

Placa da estação Paulista com a marca Pernambucanas
Placa da estação Paulista com a marca Pernambucanas (Jean Carlos)

A Motiva, concessionária responsável pela operação da Linha 4-Amarela do metrô, confirmou ao MetrôCPTM que o contrato de naming rights da “estação Paulista-Pernambucanas” não foi renovado e que a empresa varejista deixou de associar sua marca à parada localizada na região da Avenida Paulista.

Segundo resposta enviada pela central de atendimento da concessionária, a companhia está em processo de retirada da marca vinculada à estação, razão pela qual o nome Pernambucanas já deixou de aparecer em parte da comunicação visual do sistema, incluindo mapas e anúncios sonoros.

A informação chama atenção porque o acordo anunciado em abril de 2023 previa duração de cinco anos. Na ocasião, a então ViaQuatro informou que a parceria permaneceria em vigor até 2028, acrescentando o nome da tradicional rede varejista à estação Paulista, uma das mais movimentadas da rede metroviária paulistana.

Os valores da negociação nunca foram divulgados pelas partes. O contrato seguia uma tendência iniciada alguns anos antes pelo Metrô de São Paulo e pelas concessionárias privadas de comercializar os direitos de nomeação de estações para gerar receitas complementares.

Totem da estação Paulista-Pernambucanas (Jean Carlos)

A escolha da estação não ocorreu por acaso. Durante décadas, a sede da Pernambucanas funcionou ao lado do principal acesso da estação, na Rua da Consolação.

Embora a Motiva afirme que o contrato não foi renovado, o encerramento antecipado do acordo levanta questionamentos. Considerando o prazo de cinco anos anunciado em 2023, a parceria ainda teria cerca de dois anos de vigência.

Uma das hipóteses para a saída da marca envolve a situação financeira enfrentada pela varejista. A Pernambucanas acumula prejuízos desde 2023 e registrou perdas de R$ 465 milhões em 2025, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico. O balanço mais recente da empresa também aponta capital circulante negativo de R$ 698 milhões e alerta da auditoria PwC sobre incertezas relacionadas à continuidade operacional da companhia.

A empresa passa por um amplo processo de reestruturação após um ciclo acelerado de expansão iniciado em 2019. Entre as medidas adotadas estão fechamento de lojas com baixo desempenho, venda de ativos, renegociação de dívidas e revisão de custos operacionais.

Nos últimos meses, a varejista também transferiu sua sede da região da Consolação para a zona oeste de São Paulo, encerrando uma presença histórica no endereço que ajudou a justificar a associação com a estação.

O fim do patrocínio marca a primeira baixa nessa modalidade na malha metroferroviária de São Paulo. O primeiro caso do tipo foi o naming rights da estação Carrão, bancado pela Assaí por meio de uma empresa intermediária. Hoje há várias estações patrocinadas, sobretudo pela Motiva que, ao contrário do Metrô, negocia diretamente com os interessados em vez de realizar leilões.

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1 minuto atrás

Poderiam aproveitar e ver a fundo a questão do Cartão TOP e a relação com a Perfisa