Projeto da Linha 22-Marrom ganha parecer favorável do Comitê da Bacia do Alto Tietê
Órgão responsável pela gestão dos recursos hídricos da Bacia do Alto Tietê analisou estudo ambiental do ramal que ligará Cotia à zona oeste de São Paulo
Atualmente em desenvolvimento, a futura Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo obteve parecer favorável do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que analisou os documentos e estudos de Impacto Ambiental, o EIA/RIMA.
Este grupo, que inicialmente se faz pensar imediatamente na região de Mogi das Cruzes e Suzano, neste caso não significa essa sub-região metropolitana. Trata-se da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que abrange a área onde está inserido o traçado da Linha 22 que passará pelas cidades de Cotia e Osasco, além da cidade de São Paulo, o ponto de partida.
Cabe agora ao CBH, através da Câmara Técnica de Planejamento e Gestão (CTPG) o acompanhamento do atendimento às recomendações constantes do Parecer emitido pelo órgão e oferecer subsídios e esclarecimentos conforme a necessidade.
Por ser um passo após a análise documental, não trata-se apenas de um “ok”, mas sim que o licenciamento pode prosseguir. O EIA ainda deixa uma série de questões relacionadas aos recursos hídricos insuficientemente detalhadas.
Mapa preliminar da Linha 22-Marrom (CMSP)
A questão hídrica tem uma atenção especial devido aos dados do tema. A Linha 22 terá 31,32 km e 19 estações, e seu traçado apresenta 40 interferências com 35 cursos d’água diferentes. São 28 ocorrências em São Paulo, 11 em Cotia e uma na divisa entre Osasco e Cotia. Das 40 interferências, 75% correspondem a travessias subterrâneas, 22,5% a intervenções em superfície e 2,5% a uma travessia aérea. A área de APP afetada é estimada em 5,15 hectares, o que gera preocupações dos setores competentes a possíveis impactos nestes aspectos.
O anteprojeto estima a geração de cerca de 5,4 milhões de m³ de material excedente, dos quais aproximadamente 41,5 mil m³ seriam material contaminado. O parecer menciona riscos geotécnicos relacionados às diferentes formações atravessadas pela linha, ao lençol freático, a recalques superficiais, edificações, infraestrutura existente, poços e áreas contaminadas.
O parecer também considerou insuficientes as informações sobre manejo e tratamento de efluentes durante a operação. O EIA detalha melhor essa questão durante as obras e no pátio de manutenção, mas não explica suficientemente o que acontecerá nas demais estações e estruturas operacionais.
Mapa da Linha 22-Marrom, com localização do Pátio de trens e estações (Divulgação)
Embora haja a aprovação, o Comitê emitiu nove recomendações à CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), entre elas aprofundar a análise das interferências hídricas, detalhar as 40 travessias, estudar o impacto do rebaixamento do lençol freático sobre poços existentes, apresentar soluções para drenagem e inundações, detalhar os riscos geotécnicos e explicar o tratamento e reuso de água durante a operação.
Desta maneira, ainda caberá aos responsáveis o atendimento das solicitações do CBH, com a finalidade de eliminar dúvidas, riscos e preocupações sobre o manejo da fauna e flora, bem como o recurso hídrico ao longo do trajeto das linhas que será subterrânea.
A Linha 22 faz parte de uma nova leva de ramais que o Metrô vem desenvolvendo para formar uma rede futura, ao lado das linhas 21-Vinho e 23-Limão. Os projetos ainda precisam percorrer diversas etapas de engenharia, licenciamento e estruturação antes de uma eventual contratação das obras.
