Diante da presença cada vez maior do coronavírus em todas as partes do mundo, incluindo a Grande São Paulo, surge a grande questão: estamos correndo riscos maiores a bordo do transporte público? Os trens do Metrô e da CPTM, constantemente cheios em horários de pico, parecem ser o ambiente ideal para a propagação de doenças infecciosas e não seria diferente com o Covid-19, como é chamada a doença pelos especialistas.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2011 pela BioMed Central, uma entidade responsável por publicações científicas britânicas, a chance de se contaminar com uma infecção respiratória aguda a bordo do transporte público é seis vezes maior. A cada hora, tocamos de 20 a 30 vezes em superfícies que podem estar contaminadas. Agora imagine isso para um passageiro que fique três horas em seu trajeto diário.

Não é à toa que muitas cidades no mundo têm reduzido a oferta de transporte público em conjunto com outras medidas que restringem a circulação e, sobretudo, a concentração de pessoas. Além disso, têm enfatizado uma higienização mais agressiva para tentar eliminar qualquer vestígio do vírus como Nova York, onde estão sendo usados produtos antivirais e até água sanitária. “Se cheira a alvejante quando você entra em um ônibus ou quando uma criança vai à escola, não é uma colônia ruim”, disse o governador de Nova York, Andrew Cuomo, em 2 de março. “É alvejante.”

A TFL, empresa que controla todo o transporte público de Londres, no Reino Unido, está aprimorando seu processo de limpeza em trens e ônibus. “Estamos na fase final de teste de um novo agente de limpeza mais duradouro que forneceria proteção antiviral por até 30 dias. Esperamos começar a usá-lo em toda a rede nas próximas semanas. Estamos finalizando os planos de usar equipamentos especializados em mochilas de higiene, que serão implantados para pulverizar o novo desinfetante pela rede com segurança e rapidez”, explicou.

A TFL, que administra o transporte público de Londres, está testando um produto que pode permanecer 30 dias ativo contra vírus (TFL)

Além de ações de limpeza, essas empresas têm buscado orientar os usuários sobretudo a respeito da higiene pessoal e hábitos mais seguros como evitar trens lotados se for possível. Talvez isso acabe se tornando mais raro diante das medidas para reduzir a circulação de pessoas como fechamento de escolas e a estímulo ao “home office”. Em alguns países, esse movimento foi responsável pela queda no número de passageiros que utilizam o Metrô de Nova York em quase 20% no dia 11 de março – praticamente um milhão de pessoas a menos circulando em seus trens e estações. Esse fenômeno, no entanto, implica em outro problema, a queda na arrecadação que já costuma ser crítica nesses sistemas.

Mais higienização

Em São Paulo, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos iniciou uma campanha de conscientização para seus usuários com informações a respeito do coronavírus, como parte de um esforço coordenado do governo do estado. A página especial traz as últimas informações sobre a doença além de explicações sobre sintomas, transmissão e como se proteger.

A STM também reforçou que “mantém intensa rotina de limpeza e higienização dos trens e estações e já intensificou as atividades”. Os funcionários estão sendo orientados a utilizar luvas e álcool gel quando necessitam ter contato com os passageiros, não manusear documentos e manter uma distância razoável de outras pessoas, recomendações que valem para qualquer usuário, aliás.

Diante da gravidade causada pelo coronavírus, recomenda-se a todos os passageiros que, dentro do possível, evitem riscos desnecessários como contatos físicos, ambientes lotados de pessoas, sobretudo se estiver com algum tipo de sintoma infeccioso de qualquer natureza. Vários países da Ásia como Taiwan e Singapura têm conseguido controlar o surto justamente porque sua população também tem feito sua parte.

Metrô de Nova York: água sanitária passou a fazer parte da limpeza dos trens e estações (Iwonderandiwander)

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