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Em novo mapa do Metrô, Linha 16-Violeta aparece de forma oficial pela primeira vez

Novo ramal ligará a região dos Jardins até Cidade Líder, na Zona Leste, com 21 estações. Governo também revelou mudanças nas prioridades de outras linhas
A Linha 16-Violeta do Metrô (no centro da imagem) aparece oficialmente pela primeira vez (CMSP)

Pela primeira vez desde que este site revelou em primeira mão a existência dos estudos em julho de 2018, o Metrô de São Paulo reconheceu a Linha 16-Violeta em um documento oficial. O Relatório Integrado de 2019, um balanço sobre a companhia publicado na semana passada, traz o novo ramal metroviário entre os planos de expansão da malha sobre trilhos do estado. Bastante revelador, como é possível averiguar na imagem completa logo abaixo do artigo, o novo mapa também traça estratégias e prioridades diferentes para os próximos anos na expansão da rede metroferroviária.

A maior novidade, é claro, trata-se da Linha 16, que substitui o trecho leste da Linha 6-Laranja e que não foi incluído na concessão à iniciativa privada. Com 21 estações, o novo ramal começará na estação Oscar Freire, onde faz conexão com a Linha 4, e seguirá paralelo à Linha 2-Verde com a qual se encontrará na estação Paraíso. De lá, a nova linha passará por regiões como Aclimação, a rua Lins de Vasconcelos e a Vila Monumento até cruzar com a Linha 10-Turquesa da CPTM na futura estação São Carlos.

Na sequência, ela chegará ao alto da Mooca e seguirá até a estação Anália Franco, onde voltará a se conectar com a Linha 2. Dali a Linha Violeta passará por bairros hoje distantes dos trens como Vila Formosa e Vila Antonieta até atingir Cidade Líder, onde terá uma estação ao lado do Shopping Aricanduva e sua estação terminal, no Jardim Brasília, já bem próximo de Artur Alvim.

O documento se limita a informar isso, sem detalhar qualquer outro dado a respeito da nova linha, como demanda potencial ou algum tipo de cronograma. Pelo estágio inicial, a Linha 16-Violeta ainda é apenas um estudo baseado em informações colhidas pela companhia como a Pesquisa Origem Destino. Mas chama a atenção que ela esteja em um mapa em que não constam a segunda fase da Linha 19-Celeste entre Anhangabaú e Campo Belo e mesmo a terceira fase da Linha 17-Ouro do monotrilho, que deveria levar o ramal por bairros como Paraisópolis e Morumbi. Certamente, o potencial da nova linha é imenso afinal ela passará por regiões adensadas e que hoje estão distantes de outros eixos metroferroviários.

Mudanças de prioridades

Como dito, o novo mapa também revela alguma mudanças importantes nas prioridades do governo do estado assim como esclarece outro pontos que eram apenas cogitados. Para facilitar o entendimento, vamos analisá-los por tópicos:

Linha 20-Rosa até Prefeito Saladino

A informação já havia surgido nos relatórios do Metrô sobre o andamento das obras, mas o mapa traz as três novas estações que serão incluídas na Linha 20 – Palmares, Campestre, além de Prefeito Saladino. Com isso, o novo ramal possuirá 28 estações e 27 km de extensão, com demanda estimada em 1,018 milhão de passageiros por dia. O relatório cita que o projeto básico está “em fase de valoração”, o funcional, em “fase de licitação”, e que investigações geotécnicas estão em curso, mas até hoje não se viu qualquer licitação nesse sentido.

Linha 5-Lilás até Ipiranga

Outra informação que já circula há algum tempo, mas sem trazer quais novas estações serão inseridas no ramal. Agora sabe-se que serão três, incluindo Ipiranga, onde haverá a conexão com as linhas 10-Turques e 15-Prata. Além dela, teremos Ricardo Jafet, prevista para ser construída próxima a uma loja da Leroy Merlin, e Bom Pastor, no cruzamento da rua dos Patriotas com a rua que a batiza. Além delas, o mapa também confirma as três estações na outra ponta, que farão o ramal chegar até o Jardim Ângela.

Linha 6-Laranja até Bandeirantes

Com todos os problemas enfrentados pelo governo com a Move São Paulo, a extensão da Linha 6-Laranja até perto da Rodovia dos Bandeirantes quase não foi citada, mas ela aparece no documento, acrescentando quatro estações ao projeto. A princípio, essa segunda fase poderia entrar como parte da concessão à iniciativa privada.

O novo mapa futuro da rede metropolitana de metrô e trens em São Paulo (CMSP)

Linha 13-Jade até Bonsucesso

Até mesmo alguns desenvolvimentos da CPTM constam no mapa, mas é importante lembrar que as duas companhias nem sempre pensam igual. De toda forma, a imagem mostra a já aguarda extensão da Linha 13 até Bonsucesso, com quatro estações após Aeroporto Guarulhos. Na outra ponta, no entanto, o ramal para em Tiquatira, recebendo apenas outra estação, Cangaíba. Não se sabe se a supressão do trecho que a levaria até Mooca ou Chácara Klabin deixou de ser prioridade ou já não será levada à frente, optando por levá-la até o centro, assim que a modernização das vias permita mais trens circularem em conjunto com a Linha 12-Safira.

Linha 11-Coral em Palmeiras-Barra Funda

Como revelado pela CPTM, a intenção de esticar a Linha 11-Coral até Palmeiras-Barra Funda segue nos planos e aparece nesse mapa, já a Linha 10 em Luz não. Em vez disso, o mapa mantém o ramal do ABC com terminal em Brás. Entre ela e Luz, surge Pari, a estação da Linha 19 que a conectará às linhas 7 e 11.

Ausências

Se o mapa também reforça a presença de algumas extensões esperadas, como a estação Cerro Corá, que ligará a Linha 2 à Linha 20, além da chegada da Linha 15 até Cidade Tiradentes, ele também omite trechos bastante importantes além de linhas que estavam em um estágio mais avançado tempos atrás.

A maior ausência é a fase 3 da Linha 17-Ouro, que levaria o ramal após Morumbi, atravessando o bairro homônimo e a conectando à Linha 4 em São Paulo-Morumbi. Essse trecho é considerado vital para melhorar a mobilidade em regiões hoje de difícil acesso como a favela de Paraisópolis, mas enfrenta vários problemas burocráticos. Por outro lado, a fase 2, que a levará até o Jabaquara, continua a constar no mapa.

Fundamental para distribuir os passageiros da Linha 19, o trecho sul do ramal também não foi incluído no documento. Com ele, a linha Celeste irá percorrer as movimentadas avenidas Brigadeiro Luiz Antonio e Santo Amaro, aliviando seus corredores de ônibus e chegando a regiões com muitos empregos, mas parece que ela não é prioridade na atual gestão.

Já a Linha 22, que atenderia vários munícipios a oeste da capital e chegaria à região da avenida Faria Lima, desapareceu, embora tivesse estudos mais adiantados. Vale lembrar que existe um enorme abismo entre esses mapas futuros e a realidade, influenciada não só por fatores técnicos, como mudanças de deslocamentos e ocupação do solo, como políticos, cujo cancelamento da Linha 18-Bronze, do Metrô, é o exemplo mais claro dessa ingerência eleitoral.

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About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

9 Comentários

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  • Apesar da Linha 22 não constar no mapa, se olhar a página de realizações 2019 para cada linha (página 39), ela consta de forma discreta no mapa da Linha 4 – Amarela, na integração com Butantã!

  • Parabens pela reportagem e coragem!!! Gostei do “Vale lembrar que existe um enorme abismo entre esses mapas futuros e a realidade, influenciada não só por fatores técnicos, como mudanças de deslocamentos e ocupação do solo, como políticos, cujo cancelamento da Linha 18-Bronze, do Metrô, é o exemplo mais claro dessa ingerência eleitoral.”

    É isso que falta neste país, quem fala a verdade, chega de imprensa chapa branca e que ele bandido de estimação…

  • Feliz pelas linhas 16 e 5 mas fiquei bem decepcionado em não ver algumas linhas, principalmente a Linha 17 em ligando as estações Morumbi e São Paulo – Morumbi.

  • Interessante também notar que o Estado de SP (METRO e CPTM) incluiu os principais corredores do sistema de ônibus municipal (em cinza claro), o que leva a crer que o sistema transporte metropolitano esteja sendo pensado como uma rede de verdade, em que os diferentes modos de transporte sejam complementares uns aos outros.
    Isto também deveria ser feito no mapa metropolitano disponibilizado ao público geral, nos mapas nas estações e nos suportes digitais.

    • o ideal seria que os onibus de fato fizessem parte do sistema metropolitano, com integraçao tarifaria. tem muita gente que nao pega trem nem metrô para economizar na conduçao. sem contar os onibus intermunicpais, que quando chegam em SP praticamente só desembarcam. poluem o ar, deterioram o asfalto, ocupam espaço, mas nao transporta os passageiros locais.

  • Adoro ver esses mapas com projetos, montei um .png em tamanho maior no gimp só pra ficar visualizando, sonhar com uma realidade distante.
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    A ideia da L16 é muito boa. Eu pediria pra adicionar neste projeto, levar a L6 de São Juaquim até São Carlos da L10, ressuscitando as três estações do projeto anterior: Aclimação, Cambuci e Alberto Lion, pra completar a região.
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    Eu não sabia que existia rumores de levar a L5 até o Ipiranga, achei a ideia maravilhosa.
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    As linhas Rosa e Celestial, são boas ideias, mas não acho que seria uma boa hora começar elas agora, o dinheiro que ir para outros projetos mais prioritários, mancada do Dória ter cancelado o L18, minha região necessita muito dele, acho que devemos ligar pro TCU e para a Polícia Federal ir atrás desse homem e do partido dele.

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