Reeleito, Tarcísio precisa explicar redução de orçamento de novas linhas de metrô em 2027

Verba para projetos de expansão cai de R$ 180,3 milhões para R$ 92,6 milhões enquanto governo promete avançar com as linhas 20, 21, 22 e 23

A Linha 20-Rosa e a Avenida Faria Lima
A Linha 20-Rosa e a Avenida Faria Lima (Imagem gerada por IA)

Reeleito para mais quatro anos à frente do governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas terá de conciliar uma lista crescente de novas linhas anunciadas para a rede metroviária com uma redução significativa dos recursos previstos para desenvolver esses projetos em 2027.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano reserva R$ 92,6 milhões para a ação “Elaboração de projetos para expansão da rede metroviária”, do Metrô. No orçamento aprovado para 2026, a mesma rubrica começou o ano com R$ 180,3 milhões.

A redução é de R$ 87,7 milhões, ou 48,6%, justamente quando alguns dos projetos apresentados ou impulsionados durante o primeiro mandato começam a exigir avanços mais concretos.

A verba não é destinada a uma linha específica. A descrição da ação inclui estudos, projetos da rede básica, serviços preliminares, levantamentos ambientais, pesquisas e outras atividades necessárias para subsidiar a implantação de futuros ramais. A Linha 20-Rosa é citada nominalmente no orçamento, mas divide os recursos com outras iniciativas do Metrô.

Linha 20 entra em fase decisiva

Ligando Santo André à região da Lapa, a Linha 20-Rosa é hoje um dos projetos mais desenvolvidos entre os novos ramais que ganharam espaço durante a atual gestão.

O projeto básico está em elaboração e o próprio governador afirmou em 2026 que o próximo passo seria preparar a contratação do projeto executivo e das obras civis em 2027. Isso exigiria uma mudança importante de estágio para uma linha que, até agora, consumiu recursos principalmente na preparação dos estudos e projetos necessários para sua implantação.

Tarcísio no futuro pátio da Linha 20-Rosa (GESP)

A Linha 22-Marrom também já deixou a etapa meramente conceitual. O ramal entre Cotia e Sumaré teve seus estudos anteriores desenvolvidos e o Metrô abriu neste ano duas licitações para a elaboração do projeto básico, dividindo o traçado nos trechos Cotia–Reserva Raposo e Reserva Raposo–Sumaré.

Os dois projetos, portanto, têm tarefas concretas pela frente em 2027, embora o PLOA não informe quanto dos R$ 92,6 milhões será destinado individualmente a cada um deles.

Novas linhas aumentaram lista de projetos

Ao longo do primeiro mandato, o governo também passou a falar de outros corredores metroferroviários ainda mais distantes da implantação.

Entre eles está a Linha 21, ligação entre Diadema e a Zona Leste de São Paulo que reebeu holofotes com a preparação de estudos iniciais de engenharia e ambientais.

Tarcísio também citou a futura Linha 23-Limão, concebida como uma ligação transversal pela região norte da capital, além de outros corredores ainda em estágio inicial de planejamento.

Linha 23-Limão contornará zona norte de São Paulo (Imagem gerada por IA)

O problema agora passa a ser o calendário. Com a confirmação de um segundo mandato, o governo terá mais quatro anos para mostrar quanto dessa carteira de novas linhas conseguirá transformar em projetos efetivamente desenvolvidos e preparados para implantação.

Poucos projetos próprios chegaram às obras

Parte importante das grandes obras metroferroviárias executadas durante o primeiro mandato de Tarcísio teve origem em administrações anteriores. É o caso de empreendimentos como as linhas 6-Laranja e 17-Ouro e das expansões das linhas 2-Verde e 15-Prata.

Por isso, o avanço das linhas concebidas ou retomadas como prioridades durante sua própria gestão será uma das formas de medir o que o atual ciclo de planejamento deixará preparado para a expansão futura da rede.

A situação da Linha 19-Celeste já mostrou que a distância entre uma carteira ambiciosa e os recursos inicialmente reservados pode ser grande. Como revelou o MetrôCPTM, o PLOA 2027 prevê apenas R$ 11,5 milhões para o ramal entre o centro de São Paulo e Guarulhos, apesar de três grandes contratos de projeto executivo e obras civis estarem próximos da assinatura e somarem cerca de R$ 18,6 bilhões.

Passageiros aguardando trem na plataforma do Metrô de São Paulo – Linha 21-Vinho ((Imagem alterada por IA))

Verba de projetos havia aumentado durante 2026

A comparação dos valores orçamentários também exige uma ressalva. Os R$ 180,3 milhões destinados inicialmente à elaboração de projetos em 2026 não permaneceram congelados durante o ano.

Com alterações feitas durante a execução do orçamento, a dotação da ação já havia alcançado R$ 203,1 milhões em agosto. Isso mostra que o governo dispõe de mecanismos para suplementar os recursos conforme os projetos avancem e surjam novas necessidades.

O mesmo poderá ocorrer em 2027. Os R$ 92,6 milhões previstos no PLOA não funcionam como um limite para todo o exercício, e o governo poderá reforçar a dotação ou remanejar recursos ao longo do ano.

Linha 22-Marrom vai explorar empreendimentos comerciais nas estações (Imagem criada com uso de IA)

Ainda assim, o valor apresentado ao Legislativo é a primeira indicação de quanto o governo pretende reservar para esses projetos no início do segundo mandato.

Por enquanto, ela aponta na direção contrária ao crescimento da carteira anunciada: enquanto mais linhas passam a integrar os planos para a expansão futura da rede, a verba inicial destinada a desenvolver esses projetos será praticamente reduzida à metade.