São Paulo planeja “Metrô aquático” com até 80 km de hidrovias e uso de rios e represas
Proposta prevê rotas no Pinheiros, Tietê e represas da zona sul, com transporte de passageiros e cargas ainda em fase de estudos
A Prefeitura de São Paulo estuda implantar um sistema de transporte hidroviário apelidado de “Metrô aquático”, que pretende utilizar rios e represas da cidade como alternativa de mobilidade. A proposta integra o Plano Municipal Hidroviário (PlanHidro SP) e ainda depende de estudos técnicos e ambientais para sair do papel.
O projeto prevê a criação de dois eixos principais de navegação, chamados de Canal Superior e Canal Inferior, conectando áreas da zona sul, como as represas Billings e Guarapiranga, aos rios Pinheiros e Tietê. A ideia é estruturar uma rede contínua de transporte fluvial dentro da capital.
Os estudos indicam que o sistema pode alcançar entre 70 e 80 quilômetros de vias navegáveis. O Rio Pinheiros concentraria cerca de 25 km de trajeto, entre a região de Jurubatuba e a foz no Tietê. Já o Rio Tietê teria entre 18 e 20 km aptos à navegação em seu trecho urbano.
Nas represas, o plano também prevê operação regular. A Billings teria cerca de 20 km de rotas possíveis, enquanto a Guarapiranga poderia contar com aproximadamente 12 km destinados ao transporte hidroviário.
Bororé I é uma das embarcações do Aquático SP na cidade de São Paulo. (Divulgação Prefeitura de São Paulo)
A proposta não se limita ao transporte de passageiros. O plano inclui o uso das hidrovias para movimentação de cargas e serviços urbanos, com a criação de ecoportos ao longo das rotas. Esses pontos funcionariam como estações de embarque e desembarque e também como apoio logístico.
Para viabilizar a operação, o projeto prevê a construção de estruturas como marinas, estaleiros e eclusas, que permitem a navegação em trechos com diferentes níveis de água.
Parte dessa lógica já vem sendo testada na cidade. Desde maio de 2024, o serviço Aquático SP opera na Represa Billings, ligando os terminais Mar Paulista e Cantinho do Céu. Em cerca de um ano de funcionamento, o sistema transportou aproximadamente 1 milhão de passageiros até fevereiro.
A aceitação do serviço tem sido alta. Pesquisa realizada pela SPTrans em abril do ano passado indicou que cerca de 90% dos usuários avaliaram positivamente o transporte na represa.
Transporte aquático já atendeu mais de 1 milhçao de passageiros (Prefeitura de São Paulo)
Apesar disso, a ampliação do modelo para rios como o Pinheiros e o Tietê depende de avanços em questões ambientais. A qualidade da água ainda é um dos principais entraves para a navegação regular, especialmente em áreas mais centrais da cidade.
O conceito de transporte hidroviário urbano não é novo e já é amplamente utilizado em outras cidades. Em Amsterdã, por exemplo, balsas fazem a travessia do Rio IJ como parte da rede de transporte, movimentando milhões de passageiros por ano.
Em Londres, grandes barcos são operados pela Transport for London e integrados à malha de transporte público, percorrendo vários quilômetros do Rio Tâmisa. Chamado de “River Bus”, eles atendem a 23 píers ao longo da região central e aceitam pagamento por aproximação.
