Tarcísio deve inaugurar quase 15 km de metrô em SP em 2026

Linhas 6-Laranja e 17-Ouro têm previsão de estrear durante o ano e adicionar 16 estações ao sistema

Trens da Linha 17-Ouro no pátio Água Espraiada
Trens da Linha 17-Ouro no pátio Água Espraiada (iTechdrones)

Anote aí para não esquecer: a rede metroviária de São Paulo não ganha uma nova estação há quatro anos. Sim, tempo suficiente para que duas copas do mundo sejam realizadas, esta que virou a marca do atraso do monotrilho.

A última vez que a cidade viu a extensão de metrô crescer foi em 29 de dezembro de 2021 quando o então governador João Doria entregou a estação Jardim Colonial da Linha 15-Prata – dias antes havia sido a vez de Vila Sônia, da Linha 4-Amarela.

Desde então, a despeito de inúmeras obras em andamento, o passageiro continua a desfrutar da mesma rede sobre trilhos, com exceção da estação Varginha da Linha 9-Esmeralda e de extensões operacionais como levar a Linha 11-Coral até Barra Funda.

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Essa ‘seca’ está perto de acabar, no entanto: se não houver surpresas, em março a Linha 17-Ouro começará a receber usuários ainda em modo de teste, a famosa operação assistida.

Estação da Linha 17-Ouro (Reprodução/TV Globo)

Os detalhes do serviço inicial, contudo, são esparsos. Acredita-se que o monotrilho da BYD circulará em um trecho menor e durante os finais de semana. A inauguração de fato, com operação comercial, é esperada para o segundo semestre.

Quando isso ocorrer, teremos então um acréscimo de 6,7 km de vias operacionais e oito estações. Destas, três se destacam: Morumbi, que fará a ligação com a Linha 9, Campo Belo, que terá acesso à Linha 5-Lilás, e Aeroporto Congonhas, a prometida ligação com trilhos com o segundo maior aeroporto do país.

A demanda esperada é modesta, de cerca de 100 mil passageiros diários quando tudo estiver funcionando para valer. Até lá, entretanto, espere pouca gente circulando pelas suas vias suspensas. Isso porque a Linha 17 foi pensada com 17 km e 18 estações, oferecendo uma alternativa de transporte para regiões de mobilidade deficiente.

Portas de plataforma da estação Santa Marina (Reprodução/rede sociais)

Eram nove, agora são oito

A expansão dos trilhos também contemplará outro ramal há muito esperado, a Linha 6-Laranja. Construída pela Linha Uni, ela terá 15,3 km e 15 estações na primeira fase, mas a entrega será por etapas.

O motivo é que a obra de PPP, que deveria ser um exemplo de celeridade, esbarrou em problemas jurídicos, técnicos e financeiros. Com isso, apenas algumas estações como Água Branca, Santa Marina e Perdizes estão quase prontas, com outras bem encaminhadas como SESC-Pompéia, Brasilândia e Freguesia do Ó.

A meta é entregar em outubro o trecho entre Brasilândia e Perdizes, que tem cerca de 8 km e nove estações. Mas a Acciona, principal acionista da Linha Uni, admitiu recentemente que a estação Maristela está fora do plano e ficará para 2027.

Ela enfrentou vários problemas para sair do papel e só recentemente teve o nível de plataformas liberado. Não será surpresa se outras estações como Itaberaba também acabem postergadas, mesmo que por alguns meses.

Acciona tem acelerado obra em Maristela mas há muito a fazer ainda (Reprodução)

Para abrir o ramal, a Linha Uni precisa conectá-lo ao restante da malha e isso deverá ser feito em Água Branca mesmo que de forma provisória enquanto uma nova estação das linhas 7-Rubi e 8-Diamante não sai do papel em sua primeira fase.

Ao contrário da Linha 17, a Linha 6 tem um potencial de demanda bem elevado, acima de 600 mil pessoas por dia. Porém, deve atingir esse patamar apenas no final da década. Isso porque há canteiros bem atrasados como 14 Bis-Saracura e que podem emperrar a evolução da operação.

Engasgos nos projetos e suas lacunas

Se tudo der certo, São Paulo ganhará quase 15 km de trilhos em 2026, um avanço significativo para uma malha ainda longe da ideal.

A boa nova é que há vários projetos em andamento e tudo leva a crer que a sequência de inaugurações será bastante agitada nos próximos anos se o governador Tarcísio de Freitas cumprir suas promessas.

O que não pode ocorrer são os ‘engasgos’ de gestão que acabam criando essas lacunas eternas sem expansão. A necessidade de transporte de qualidade em São Paulo é sempre urgente e não pode virar refém de desmandos e equívocos como o fim da Linha 18-Bronze. O preço da fatura chega um dia e é caríssimo.