Confira como é a nova estação Jardim Colonial da Linha 15-Prata

O site esteve presente na entrega da 11ª estação da Linha 15-Prata e traz todos os detalhes da nova parada do monotrilho
Estação Jardim Colonial (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

O Metrô de São Paulo entregou na quarta-feira, 29 de dezembro, a estação Jardim Colonial para a Linha 15-Prata do monotrilho. A 11ª estação do ramal que corta a região leste da cidade de São Paulo mantém o alto padrão dos empreendimentos metroviários com capacidade para atender até 40 mil passageiros com segurança e conforto. O site esteve na entrega da estação e vai analisar os principais pontos do empreendimento.

Paisagismo e Sistema Viário

A análise da estação Jardim Colonial inicia-se pelas instalações externas. As estações do monotrilho da Linha 15-Prata possuem uma característica muito positiva em sua implantação, que é a requalificação urbana do entorno. Com a construção de Jardim Colonial não foi diferente.

As pistas da Avenida Ragueb Chohfi passaram por um processo de revitalização com o recapeamento da capa asfáltica, além da implantação de nova sinalização viária. Faixas de pedestres novas, incluindo faixas para ciclistas, foram pintadas ao longo dos cruzamentos. Nova sinalização semafórica foi instalada para veículos e pedestres.

O calçamento é rebaixado nos cruzamentos aprimorando a acessibilidade de todas as pessoas que passam pela região. Pisos táteis foram instalados para viabilizar o deslocamento dos passageiros que possuam algum tipo de deficiência visual.

Tanto nos canteiros centrais como nas bordas da ciclovia foram feitos trabalhos paisagísticos com a instalação de cobertura vegetal. Esse artifício, além de embelezar o ambiente, é ecologicamente adequado aproveitando o espaço e criando pontos para a drenagem natural das águas em dias de fortes chuvas.

Nas laterais dos acessos e em algumas partes da calçada foram plantadas algumas espécies de árvores nativas da mata atlântica. A vegetação de maior porte era marcada e identificada com seu nome vulgar, nome científico e uma numeração com a sigla da estação.

Acessos da estação

A estação Jardim Colonial possui dois acessos nas laterais da Avenida Ragueb Chohfi. O acesso A localiza-se na porção a oeste enquanto a porção leste é ocupada pelo acesso B. Na primeira saída o passageiro tem como referências a Rua André de Almeida, a Avenida Ragueb Chohfi (lado ímpar) e a Avenida Aricanduva.

O acesso A possui estrutura principal em concreto aparente e laterais envidraçadas cobertas por brises na parte externa, garantindo o aproveitamento da iluminação natural ao mesmo tempo que dá um design arrojado à edificação.

Em todo o entorno é possível identificar alguns elementos importantes do paisagismo, segurança viária e acessibilidade. Bancos de concreto e iluminação em LED também foram implantados no entorno, provendo maior segurança durante a noite.

Na fronte do acesso é possível identificar a placa da estação seguindo o padrão mais atual de comunicação visual da companhia. Em ambas as laterais é possível visualizar lixeiras para resíduos gerais. Na direita do acesso está instalado um intercomunicador de auxílio aos passageiros onde, caso necessário, poderá ser solicitado a ajuda de um funcionário.

Na área interna os passageiros se deslocam verticalmente através de duas escadas rolantes, uma para cada direção, e uma escada fixa. A iluminação é mista sendo composta pela iluminação natural durante o dia e por luminárias instaladas em pontos estratégicos no corredor ascendente.

Chegando ao corredor de acesso do mezanino é possível identificar itens de segurança essenciais como o hidrante, detectores de incêndio e câmeras de segurança. Nas proximidades está disponível o elevador de uso preferencial, conforme as leis federais e estaduais.

O corredor está com o acabamento finalizado. Sua amplitude permite a passagem de uma grande quantidade de passageiros, o que condiz com a demanda prevista de aproximadamente 40 mil passageiros por dia. Nas laterais está disposto o guarda-corpo e uma lateral envidraçada. O teto é coberto por uma estrutura metálica que se une ao corpo do grande corredor. Assim como nos acessos, a mistura de iluminação natural e luminárias gera economia significativa de energia.

O acesso B, apesar de bastante semelhante, possui algumas diferenças em sua construção. Esta saída é preferencial aos passageiros que desejam seguir para a Subprefeitura de São Mateus, Avenida Ragueb Choffi (lado par) e a Avenida Forte do Leme.

A mesma passarela metálica que liga o mezanino ao acesso é vista também do lado B, com a diferença de que o comprimento da ligação é relativamente menor. Através deste corredor é possível visualizar as obras de extensão leste do monotrilho com a implantação de novas vigas e de um novo track switch que permitirá maior fluidez à operação.

Elementos de segurança também estão presentes do lado B assim como do lado A. Um elevador está instalado para permitir o melhorificioor deslocamento do público preferencial. Para o deslocamento vertical estão dispostas duas escadas rolantes e uma escada fixa, posicionadas de forma diferente em relação ao acesso A.

No acesso B existe a presença de um nível intermediário. Este detalhe possivelmente é o motivador da mudança do posicionamento das escadas rolantes que estão nas extremidades externas do acesso. Os mesmos itens de segurança e limpeza estão dispostos no nível intermediário.

Na área externa do acesso B é possível reparar em seu maior dimensionamento. As mesmas estruturas externas de segurança e paisagismo estão posicionadas também do lado B. A comunicação visual através do totem e das placas estão em pontos de fácil visibilidade.

O bicicletário da estação, importante instrumento que incentiva a mobilidade sustentável, também está presente no acesso B. O local permaneceu fechado durante a entrega da estação, mas deverá ser um importante ponto para os passageiros que decidam utilizar as bikes em seu deslocamento diário.

Mezanino

O mezanino da estação Jardim Colonial é basicamente dividido em duas partes. Na área livre o passageiro pode realizar a compra do seu bilhete, recarga e validação dos cartões de transporte como o Bilhete Único, BOM e o TOP. Na área paga da estação o passageiro tem acesso aos sanitários e também às plataformas.

A área livre da estação é bastante ampla e foi dimensionada de forma que múltiplos passageiros possam realizar seu deslocamento. Os validadores e máquinas de recarga estão separadas entre os bilhetes usados no sistema municipal e no sistema metropolitano.

As máquinas de recarga de cartões e emissão de QR Code do TOP aceitam apenas como forma de pagamento o cartão de débito. Apesar das máquinas possuírem locais para inserção de cédulas e moedas, o equipamento instrui o passageiro a realizar a compra apenas via débito.

A bilheteria existente na estação foi totalmente adesivada e caracterizada com a identidade visual do TOP. Pelo o que tudo indica os passageiros podem realizar a emissão do cartão por este posto. Uma série de instruções expostas em cartazes incentivam o público a realizar a compra de bilhetes pelo Whatsapp ou pelo aplicativo.

A área livre da estação também serve como área de transposição da Avenida Ragueb Chohfi. Durante o horário comercial qualquer cidadão poderá realizar a travessia sem qualquer tipo de tarifação.

A linha de bloqueios da estação Jardim Colonial é composta por dez catracas, sendo cinco delas disponíveis para entrada e as demais disponíveis para a saída dos passageiros. Todos os bloqueios estão adesivados com propagandas do cartão TOP. Essa exposição massiva mostra que o governo tem total interesse na “substituição” do sistema de bilhetagem.

O passageiro pode realizar a validação de sua passagem por três métodos. Através do bilhete Edmonson pela abertura localizada na região frontal do equipamento, através do QR Code por meio do leitor posicionado na parte superior do equipamento e destacado em vermelho, e através do cartão de transporte tradicional.

Ao adentrar na área paga da estação os passageiros possuem várias opções de deslocamento para a plataforma. São três escadas rolantes, uma escada fixa e um elevador que proporcionam acessibilidade plena para os cidadãos. O local também possui rotas táteis que ampliam ainda mais o acesso para a plataforma.

Dentro da área paga é possível encontrar alguns elementos como as lixeiras para coleta seletiva e também de lixo não reciclável. Cada um dos cestos possui uma coloração correspondente, assim como os próprios sacos plásticos, o que facilita na realização do descarte adequado de resíduos.

Ao fundo da estação localizam-se os sanitários públicos e a sala de limpeza. Os ambientes também possuem adequados para PCDs com uma série de adaptações importantes que melhoram a acessibilidade geral. Em suma o ambiente do mezanino é bem iluminado e boa parte das laterais é composta em vidro, o que permite o aproveitamento da luz solar.

Plataforma

A plataforma da estação Jardim Colonial possui o mesmo padrão da maioria das estações do monotrilho da Linha 15-Prata. São duas áreas de embarque protegidas por portas de plataforma, ambas possuem a indicação de sentido referenciando a estação Vila Prudente.

O piso da estação encontrava-se limpo e bem acabado. Ao longo da plataforma é possível visualizar uma série de itens como assentos, painéis de informação com o mapa da rede e o mapa da linha, aparatos de segurança como hidrantes e extintores de incêndio, câmeras de segurança e telas com avisos gerais.

Em cada porta havia um adesivo correspondente no chão indicando o local por onde os passageiros devem ficar para facilitar o embarque e o desembarque adequado. Também existiam adesivos especiais indicando as entradas preferenciais e uma entrada para os passageiros que portam bicicletas.

Dispositivos de comunicação e de segurança nas vias estavam em pontos estratégicos da plataforma, permitindo uma rápida atuação das equipes em casos emergenciais.

Operação

A operação da estação, especialmente no dia da inauguração, ocorreu com um maior contingente de funcionários do Metrô que estavam distribuídos na SSO e também na plataforma da estação.

Também estavam disponíveis os agentes de atendimento do cartão TOP que estavam prestando auxílio aos passageiros quanto à bilhetagem e ao uso correto do QR Code. A tendência é que estes funcionários estejam disponíveis até que a tecnologia seja totalmente absorvida pela população.

No início da operação comercial dois trens realizavam viagens entre as estações Jardim Colonial e São Mateus no esquema “bate e volta”. As composições partiam das plataformas de Jardim Colonial e chegavam até São Mateus sem trocar de via. Os passageiros que, porventura, decidirem seguir até Vila Prudente deveriam trocar de trem.

O atendimento aos trens do loop principal (Vila Prudente-São Mateus) não foi afetado, tornando-se a operação indistinguível dos dias normais. Os trens continuam a realizar parada na linha central da estação São Mateus.

A velocidade dos trens entre Jardim Colonial e São Mateus beirava entre 20 km/h e 30 km/h. A operação foi realizada de forma 100% automática através do controle do sistema CBTC que estava plenamente funcional no novo trecho.

Devido ao fato de não haver ainda uma área de manobra após Jardim Colonial os trens são obrigados a retornarem pela mesma via em que chegam. Atualmente estão em curso obras que possam viabilizar esta manobra, tornando possível no futuro próximo a realização de viagens entre Vila Prudente e Jardim Colonial sem a necessidade de trocar de trem.

Atualmente, ante a menor demanda, apenas um trem realiza a viagem entre as duas estações. O horário de operação de Jardim Colonial vai das 10 h às 15 h todos os dias. O passageiro deverá realizar o pagamento de tarifa na própria estação Jardim Colonial, permitindo acesso a todo o sistema.

Possíveis melhorias

São poucos os pontos onde a estação Jardim Colonial precisa melhorar. No geral, a cobertura vegetal do entorno tende a se desenvolver ao passar dos anos, aprimorando o embelezamento da estação. A conclusão das vias no sentido leste também é importante para viabilizar uma operação mais fluida no novo trecho.

Um ponto que necessita de atenção é a bilhetagem eletrônica pelo cartão TOP. Em nossa visita realizamos o teste do cartão TOP nos bloqueios da estação e foi constatado que o sistema de leitura apresentava problemas.

Em suma, existem dois tipos de cartão TOP. O primeiro tipo é o cartão que funciona apenas para transporte e o segundo tipo é aquele que está atrelado a uma conta digital, possuindo a função de crédito e débito. Ao realizar a validação da passagem com segundo cartão, os bloqueios não conseguem identificar o mesmo.

Foi feito um teste com o primeiro tipo de cartão que estava sendo lido normalmente. Ressalta-se que o cartão de crédito TOP estava com o saldo suficiente certificado pelos próprios leitores disponíveis na estação. Este tipo de situação, onde um dos tipos de cartão não pode ser lido, constitui-se como erro crasso que impede o passageiro do seu direito mais básico: pagar e usufruir do sistema de transporte.

Conclusão

A estação Jardim Colonial foi entregue em plenas condições de funcionamento e com trens operando normalmente com o sistema de controle automático CBTC. O paisagismo da estação e a adequação do espaço urbano transformaram e ainda vão ser indutores de mudanças positivas na região.

As grandes melhorias operacionais dependerão de obras que estão em curso após a estação. Assim que o track switch estiver em pleno funcionamento, os trens poderão seguir diretamente até a estação Jardim Colonial, inserindo-a, na prática, na malha de transporte sobre trilhos.

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  1. Parabéns pelo artigo Jean! Excelente artigo, deu para ter uma ótima noção de como é a estação.

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