Tarcísio sugere Autoridade Metropolitana para integrar transportes de São Paulo

Governador defende novo modelo de governança e cita integração física, tarifária e operacional entre trens, metrô e corredores de ônibus

Trens da CPTM e do Metrô (Jean Carlos)
Trens da CPTM e do Metrô (Jean Carlos)

O governador Tarcísio de Freitas afirmou nesta quarta-feira (2) que, caso seja reeleito, pretende criar uma Autoridade Pública de Transporte Metropolitano para melhorar a integração dos diferentes sistemas que atendem a Região Metropolitana de São Paulo.

A proposta foi citada durante visita às obras da Estação Aricanduva, da expansão da Linha 2-Verde, quando Tarcísio enumerou quatro frentes que considera necessárias para integrar a rede: institucional, física, tarifária e operacional.

“A ideia é que a gente possa criar, no Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana, uma autoridade pública de transporte metropolitano para a gente melhorar a governança do transporte metropolitano”, afirmou o governador.

Tarcísio não detalhou como funcionaria o novo órgão, quais seriam suas atribuições ou quando pretende implantá-lo. A declaração, no entanto, indica a intenção de estabelecer uma instância de coordenação sobre sistemas hoje administrados por diferentes entes públicos e operadores privados.

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Na Região Metropolitana de São Paulo, a rede sobre trilhos reúne linhas operadas diretamente pelo Metrô e pela CPTM e outras concedidas à iniciativa privada. Os ônibus metropolitanos também possuem operadores distintos, enquanto a capital mantém sua própria rede municipal.

Para Tarcísio, a criação da autoridade seria a primeira das quatro integrações necessárias. A segunda seria física, aproximando diferentes modos de transporte em estações e terminais.

Governador Tarcísio de Freitas (GESP)

Como exemplo, o governador citou a própria Estação Aricanduva, que terá conexão com o BRT Aricanduva, corredor em implantação pela Prefeitura de São Paulo.

Tarifa e subsídios

A terceira frente mencionada por Tarcísio foi a integração tarifária. O governador citou o Bilhete Único e o cartão TOP e relacionou a política de integração ao subsídio público destinado ao transporte.

“Sempre quando você pensa em integração tarifária, a gente tem um subsídio associado. Hoje, para manter os patamares de tarifa, a gente aporta mais ou menos R$ 9 bilhões no sistema para fazer o subsídio”, afirmou.

O valor citado pelo governador não veio acompanhado de detalhamento sobre quais sistemas e modalidades estão incluídos nesses aproximadamente R$ 9 bilhões.

A dimensão do subsídio é especialmente relevante porque a tarifa paga pelo passageiro não corresponde necessariamente à remuneração recebida por cada operador. Integrações, gratuidades e regras de repartição da arrecadação exigem compensações e transferências públicas, como ocorre com a CPTM.

A quarta frente seria operacional. Tarcísio não detalhou durante a entrevista quais mudanças pretende realizar nessa área, limitando-se a afirmar que as quatro formas de integração são trabalhadas para tornar o sistema metropolitano mais integrado.

A superestação Água Branca (TIC Trens)

Água Branca como grande hub

Entre os exemplos de integração física, Tarcísio voltou a citar a futura configuração ferroviária de Água Branca e confirmou a intenção de estender a Linha 3-Vermelha da Barra Funda até o local.

“A gente vai fazer uma integração na Estação Água Branca. Então, lá a gente vai ter extensão da Linha 3 da Barra Funda até Água Branca”, disse.

A declaração reforça uma solução que já havia aparecido em materiais divulgados pelo governo estadual. A chegada da Linha 3 permitiria acrescentar mais uma ligação ao complexo ferroviário que está sendo formado na região.

Segundo Tarcísio, Água Branca deverá reunir as linhas 3-Vermelha, 6-Laranja, 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, além do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas.

Parte dessa configuração ainda depende de projetos futuros e de adaptações da infraestrutura ferroviária existente.

Linha 21-Vinho vai colocar Diadema na rede metroviária (Imagem gerada por IA)

Novas linhas fora do eixo central

O governador também citou uma série de projetos ainda em diferentes estágios de desenvolvimento e indicou uma mudança no desenho pretendido para a expansão da rede.

Além das linhas 19-Celeste, 20-Rosa e 22-Marrom, Tarcísio mencionou estudos das linhas 21, 23 e 25.

Segundo ele, a intenção é pensar também em ramais que circundem a rede, em vez de concentrar os novos projetos em ligações direcionadas ao centro de São Paulo.

“A gente continua trabalhando o projeto da Linha 21, o projeto da Linha 25, o projeto da Linha 23, para a gente começar a integrar cada vez mais essa rede, pensando inclusive naquelas linhas que vão circundar o sistema e não só naquelas que têm como direção o centro da cidade”, afirmou.

Os três projetos estão em estágios preliminares e a declaração não significa que tenham obras ou implantação asseguradas.

Projeção do Pátio da Linha 20-Rosa em São Bernardo (CMSP)

Linha 20 e TIC Sorocaba

Sobre a Linha 20-Rosa, Tarcísio disse que o projeto está praticamente concluído e que a intenção é licitar as obras após essa etapa.

O ramal deverá ligar o ABC Paulista à capital e terá seu pátio implantado em parte do terreno da antiga fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo. O acordo para compatibilizar a instalação ferroviária com o empreendimento logístico previsto para a área foi anunciado pelo governo em maio.

Tarcísio afirmou ainda que o Estado optou por iniciar a implantação da Linha 20 pelo ABC, buscando conectar Santo André e São Bernardo do Campo à rede metroferroviária.

O governador também tratou do Trem Intercidades entre São Paulo e Sorocaba. Segundo ele, o projeto está “na iminência de ir para licitação” e se encontra praticamente pronto.

A afirmação chama atenção porque o cronograma do TIC Eixo Oeste sofreu sucessivos adiamentos. Mais recentemente, a Secretaria de Parcerias em Investimentos passou a prever a publicação do edital em 2027, após aprofundamento dos estudos de modelagem.