Tarcísio sugere que Metrô de SP pode construir Linha 20-Rosa
Governador voltou a afirmar que ramal terá projeto executivo e obras civis contratadas em 2027 em vez de concessão
O que parecia um mal-entendido em discurso ganhou ares mais sólidos nesta sexta-feira: o governador Tarcísio de Freitas voltou a afirmar que a Linha 20-Rosa terá o projeto executivo e as obras civis contratadas em 2027.
A promessa traz uma entrelinha, a de que essa meta não combina com uma concessão ou PPP (Parceria Público-Privada). Contratar essas etapas é uma tarefa comum ao Metrô de São Paulo.
“Falando um pouco do projeto: ele está avançando. O projeto básico deve ser concluído no fim deste ano ou no início do ano que vem. Depois disso, já entramos na etapa de projetos executivos e contratação das obras”, disse o governador em evento no ABC onde anunciou um acordo com a empresa Prologis para que o pátio de manutenção do ramal conviva com um centro logístico na antiga fábrica da Ford.
“As pessoas precisam ter paciência, porque estamos falando de uma obra de metrô. São 31 quilômetros operacionais, 33 quilômetros totais de linha. Vamos ter 24 estações, 33 poços de ventilação, além de desapropriações. É uma obra de grande porte”, comentou.
Tarcísio no futuro pátio da Linha 20-Rosa (GESP)
O governador confirmou uma informação já conhecida, de que a escavação dos túneis serão feitos por quatro tatuzões, com duas delas saindo do pátio em direções opostas – sentido Santo André e Saúde. Ele prometeu as quatro operando de forma simultânea, o que indica frentes de trabalho também na capital, a despeito de começar pelo ABC.
O prazo de implantação será rápido por isso, apenas cinco anos, segundo ele. A despeito do otimismo, é uma previsão extremamente otimista.
Ao fundo a área onde ficava a Ford (GESP)
Oficialmente, a Linha 20 tem os estudos sob responsabilidade do Metrô, mas a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) a lista como um dos projetos qualificados para concessão, junto das linhas 19 e 22. Mas, ao contrário da Linha 16, as informações são genéricas, sem um plano claro de como isso seria feito.
Quem vai operar?
A opção em delegar o trabalho de implantação ao Metrô não chega a surpreender. A companhia tem ganhado prestígio junto ao governador, assumindo o trabalho de tirar do papel a Linha 19, avançar com os estudos da Linha 20 e também preparar a Linha 22-Marrom para uma futura licitação no próximo mandato, caso ele se reeleja.
A estratégia pode ser a mesma adotada na Linha 19-Celeste, que teve esse escopo dividido em três lotes leiloados no final do ano passado.
Mapa atualizado com as estações da futura Linha 20-Rosa (Divulgação Metrô)
Até agora, apenas a Linha 6-Laranja tem sido bancada por uma PPP completa desde o início. A Linha 18-Bronze era o segundo caso, mas o antecessor de Tarcísio, João Doria, decidiu brindar o grupo empresarial que controla a concessionária Next Mobilidade com um pacote enorme que inclui um corredor de ônibus que não saiu do papel após sete anos.
Outras concessões têm assumido a missão de operar ramais implantados ou, então, expandi-los mas já com receitas advindas de serviços em funcionamento. E talvez esse possa ser o futuro das linhas 19 e 20, serem construídas pelo governo e operadas pela iniciativa privada, como ocorreu com a Linha 4-Amarela.
