Metrô de SP detalha como protegeu redes de esgoto na passagem do tatuzão sob o Aricanduva
Bombas desviaram temporariamente o fluxo de dois coletores da Sabesp; tubulação maior também receberá reforço permanente
O Metrô de São Paulo divulgou nesta segunda-feira (28) as medidas adotadas para a passagem da tuneladora Cora Coralina sob o Córrego Aricanduva, na expansão da Linha 2-Verde. O trecho exigiu cuidados especiais com dois coletores de esgoto da Sabesp instalados sob a Avenida Aricanduva.
A travessia ocorreu após uma parada de aproximadamente três meses da máquina na futura estação Aricanduva. Em julho, o MetrôCPTM revelou que o risco de danificar as tubulações havia retardado a retomada da escavação. A Cora Coralina voltou a avançar naquele mês, de modo que o comunicado agora esclarece como a interferência foi tratada.
A tuneladora passou a cerca de 10 metros abaixo do leito do córrego. Acima de seu trajeto estão coletores com 1,2 metro e 2,1 metros de diâmetro. Uma movimentação do terreno durante a escavação poderia comprometer as estruturas, que transportam esgoto da Zona Leste.
Para reduzir esse risco, o Metrô instalou bombas provisórias que retiravam o esgoto da rede antes do ponto sensível e o devolviam depois dele. Assim, o fluxo continuou em circulação enquanto a máquina passava sob as tubulações, mas sem depender exclusivamente do trecho mais exposto. No coletor menor, foi preparado também um desvio por gravidade, como alternativa durante períodos de chuva.
Tubulação de esgoto (Metrô de São Paulo)
O coletor de 2,1 metros apresentou o maior desafio. Segundo o Metrô, o solo mole, a profundidade da rede, o tráfego da avenida e a presença de instalações de outras concessionárias impediam a abertura de uma vala extensa para instalar uma tubulação auxiliar. A solução incluiu uma comporta feita sob medida para controlar o fluxo em um dos poços de inspeção, preservando uma rota de segurança para vazões excepcionais.
O cuidado remete ao acidente de fevereiro de 2022 na obra da Linha 6-Laranja. Perto do poço SE Aquinos, na Marginal Tietê, uma grande estrutura de esgoto da Sabesp foi afetada após a chegada de outra tuneladora. O material inundou poços e túneis, atingiu os equipamentos e parte das pistas cedeu. Laudos posteriores divergiram sobre a causa do acidente.
Equipamento de monitoramento (Metrô de São Paulo)
No Aricanduva, o Metrô afirma que monitorou continuamente o terreno, os coletores, o canal do córrego e um gasoduto da Comgás. Equipamentos robotizados filmaram o interior das tubulações antes e depois da passagem da Cora Coralina para verificar suas condições.
Além das providências tomadas durante a travessia, o Metrô programou um reforço permanente no coletor maior, que continuará acima do túnel da Linha 2-Verde. Um equipamento instalado dentro da galeria enrolará uma faixa de PVC em espiral, formando uma nova tubulação por dentro da antiga. O espaço entre as duas será preenchido com uma argamassa fluida para dar sustentação à estrutura, sem interromper totalmente o escoamento do esgoto durante a execução.
Segundo o Metrô, a Cora Coralina já instalou 598 anéis de concreto desde sua partida da Penha e está entre a estação Aricanduva e o poço de ventilação Júlio Colaço. Seu próximo destino é a futura estação Guilherme Giorgi.
