Veja o trajeto da Linha 20-Rosa defendido por associação de moradores dos Jardins

Estudo encomendado pela AME Jardins compara alternativa pelo eixo Faria Lima com traçado previsto pelo Metrô em direção à Fradique Coutinho

A Linha 20-Rosa e a Avenida Faria Lima
A Linha 20-Rosa e a Avenida Faria Lima (Imagem gerada por IA)

A Associação de Moradores dos Jardins (AME Jardins) apresentou nesta terça-feira (10) um estudo técnico para sustentar a viabilidade de um traçado alternativo da futura Linha 20-Rosa no trecho entre os Jardins e Pinheiros.

A proposta, apresentada pela empresa Urucuia Mobilidade Urbana difere do conceito atualmente adotado pelo Metrô de São Paulo, que prevê a passagem do ramal por baixo dos Jardins em direção à estação Fradique Coutinho, da Linha 4-Amarela.

A AME Jardins também esclareceu que a proposta não envolveu uma nova alternativa de trajeto e sim avaliar uma das opções estudadas pelo próprio Metrô mas que foi descartada.

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O trabalho compara duas alternativas: a que segue até a estação Fradique Coutinho (B1) e a que avança pelo eixo da Avenida Faria Lima (R), alcançando a estação Faria Lima antes de entrar em Pinheiros.

Em verde, a opção escolhida pelo Metrô e em rosa o traçado defendido pela associação (AME Jardins)

Como são os dois trajetos analisados

No traçado escolhido pelo Metrô, a linha segue em direção à estação Fradique Coutinho, com implantação de nova parada na região da Teodoro Sampaio e depois conexão ao trecho comum a partir da estação Girassol.

Já na alternativa defendida pela associação, o eixo da Linha 20 segue no eixo da avenida, para na estação Rebouças e então chega à estação Faria Lima, onde haveria ligação com a Linha 4-Amarela. Em seguida, avançaria até Pedroso de Morais antes de reencontrar o traçado comum em Girassol.

Ambas as opções garantem integração com a Linha 4-Amarela, mas a diferença está na localização das novas estações e na forma como distribuem o acesso à rede metroviária na região oeste.

A alternativa B1, escolhida pelo Metrô de SP (AME Jardins)

Critérios técnicos utilizados

A análise foi estruturada com base em seis grupos de critérios: demanda e acessibilidade; aspectos urbanísticos e uso do solo; engenharia e viabilidade técnica; desempenho operacional; fatores econômicos e financeiros; e impactos socioambientais.

Os dados utilizados incluem a Pesquisa Origem e Destino 2023 da Região Metropolitana de São Paulo, bases viárias e levantamentos de campo. Foram aplicadas ferramentas de análise espacial e modelagem de demanda para estimar o desempenho de cada alternativa.

Na ponderação de pesos adotada no estudo, os critérios ligados à demanda e à acessibilidade aparecem como os mais relevantes, seguidos por fatores operacionais e econômicos.

A alternativa R, defendida pela AME Jardins (AME Jardins)

Diferenças de acessibilidade

Um dos principais pontos destacados é a quantidade de empregos e equipamentos acessíveis a pé a partir das estações projetadas. O estudo considerou áreas de influência em raios de até 3 km, com intervalos sucessivos de 300 metros.

Segundo a simulação apresentada, o traçado pelo eixo Faria Lima (R) permitiria acesso a cerca de 16 mil empregos a mais em comparação com o trajeto em direção à Fradique Coutinho (B1). Também seriam alcançadas centenas de matrículas escolares adicionais. No total, a alternativa pela Faria Lima concentraria mais de 44 mil empregos em sua área de influência direta.

Impactos operacionais e urbanos

O estudo também aponta diferenças quanto às intervenções necessárias. No caso do traçado que segue até Fradique Coutinho, seriam necessários dois poços de emboque e intervenções em vias locais, com impacto relevante durante as obras, segundo o estudo.

A comparação entre os dois traçados da Linha 20 (AME Jardins)

Outro ponto levantado é a necessidade de adaptações estruturais na estação Fradique Coutinho para comportar a integração com a Linha 20, dado que a configuração atual não teria sido concebida para receber fluxos adicionais dessa magnitude.

Já a alternativa que passa por Faria Lima é apresentada como concentrando estações em áreas com maior densidade de empregos e atividades comerciais, além de distribuir melhor os acessos no eixo da avenida.

A Linha 20-Rosa deverá ligar Santa Marina a Santo André, com cerca de 33 km de extensão e demanda projetada em torno de 1,3 milhão de passageiros por dia até 2040.

A Linha 20-Rosa está em fase de elaboração do projeto básico, com estudos técnicos, financeiros, jurídicos e comerciais em andamento. A conclusão dessa etapa é prevista para o segundo semestre.