VLT de Salvador poderá continuar gratuito enquanto obras estiverem em andamento

Governador Jerônimo Rodrigues diz que não pretende cobrar passagem durante operação assistida; conclusão dos quase 44 km do sistema é prevista entre 2028 e 2029

Trem do VLT de Salvador
Trem do VLT de Salvador (GEBA)

O VLT de Salvador poderá continuar transportando passageiros gratuitamente enquanto o restante da rede estiver em construção, um período que pode se estender por mais dois anos. A intenção foi anunciada pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que também afirmou que o Estado pretende subsidiar a futura tarifa do sistema.

“Enquanto estiver em obra, ele vai ser assistido, eu não vou cobrar”, disse Jerônimo em entrevista ao programa Boa Noite, Bahia, da Bahia FM. Segundo o governador, a conclusão do sistema completo, com quase 44 km de extensão, deverá ocorrer entre 2028 e 2029.

A declaração amplia bastante o significado da operação assistida iniciada neste ano. Os primeiros passageiros começaram a utilizar gratuitamente o VLT em junho, inicialmente em um trecho de apenas 4 km entre Calçada e Lobato.

Desde então, o percurso foi ampliado e já atende 13 pontos entre São Joaquim e Ara Ketu. Em outubro, o governo baiano informou que mais de 300 mil passageiros haviam utilizado o sistema durante seus primeiros 100 dias de funcionamento.

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Trem do VLT de Salvador (GEBA)

e a gratuidade for mantida enquanto houver obras, como afirmou Jerônimo, novos trechos poderão ser incorporados à operação sem que os passageiros paguem passagem. O governador, no entanto, não detalhou se a cobrança começará quando cada trecho estiver concluído ou apenas depois do término de todo o projeto.

O VLT está sendo implantado em três grandes trechos e terá cerca de 43,7 km quando concluído, além de aproximadamente 50 paradas e da Estação Calçada. A rede chegará a áreas como Ilha de São João, Paripe, Águas Claras e Piatã e terá integração com o metrô.

Trem do Subúrbio também tinha tarifa fortemente subsidiada

A opção por utilizar recursos públicos para reduzir o custo da viagem não é novidade no corredor atendido pelo VLT.

O antigo Trem do Subúrbio, que ligava Calçada a Paripe e deixou de circular em fevereiro de 2021, cobrava apenas R$ 0,50 por viagem, além da meia tarifa de R$ 0,25.

O valor estava congelado desde 2002. Na época do encerramento do serviço, o então secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Nelson Pelegrino, reconheceu que a tarifa era simbólica e mantida com subsídios do Estado, associando o preço reduzido também à precariedade dos trens.

VLT de Salvador (Divulgação Governo da Bahia)

A diferença em relação ao transporte rodoviário era enorme. Com o fim dos trens, passageiros que gastavam R$ 1 para fazer uma viagem de ida e volta passaram a desembolsar R$ 8,40 utilizando ônibus.

O projeto de VLT existente naquela época era diferente do atual e previa a implantação de um monotrilho. Antes da desativação dos trens, o governo chegou a indicar uma tarifa de R$ 3,90 para o novo sistema, quase oito vezes o valor cobrado no Trem do Subúrbio. O projeto acabou abandonado e essa previsão tarifária perdeu validade.

Subsídio também deverá continuar depois da cobrança

Jerônimo Rodrigues sinalizou que o financiamento público do transporte deverá permanecer mesmo quando o VLT passar a cobrar passagem.

“A tranquilidade é que, enquanto eu tiver governador, nós não botaremos uma tarifa exagerada. O Estado tem que subsidiar”, afirmou.

O governador citou como exemplo o metrô de Salvador e Lauro de Freitas, cujo funcionamento já recebe recursos públicos. Segundo Jerônimo, o Estado desembolsa atualmente quase R$ 500 milhões por ano para ajudar a custear o serviço e limitar o valor pago pelos passageiros.

O governo ainda não definiu qual será a tarifa comercial do VLT atual nem apresentou o modelo de subsídio que pretende utilizar quando terminar a gratuidade.