Volta da Trivia Trens às linhas 11, 12 e 13 será ‘faseada’, diz governo
ARTESP e concessionária estão colocando em prática um plano gradual para prepará-la melhor e evitar incidentes. Por enquanto, funcionários da Trivia circulam sem uniformes nas estações e trens
Após o retorno da gestão e operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o Governo do Estado, por meio da ARTESP, está executando um plano de ação para devolver a concessão à Trivia Trens mas evitar novos problemas na operação.
Durante agenda pública na sexta-feira, 21, o secretário de Parcerias em Investimentos (SPI), Rafael Benini, falou a este site sobre o processo. A concessão voltou à chamada fase pré-operacional, preparando novamente o terreno para a volta da Trivia, o que deve ocorrer por volta do final de outubro deste ano se o prazo não for alterado.
Segundo Benini, há um trabalho em conjunto envolvendo a ARTESP e a Trivia Trens para aplicar um plano faseado a fim de evitar novos problemas como o que afetaram os três ramais no final de julho.
“A ARTESP está trabalhando junto com a Trivia Trens em um plano de ataque para reassumir as linhas 11, 12 e 13. Então, eles estão trabalhando muito nisso. A gente já estava tendo a apuração do Copese para entender direito o que aconteceu. Mas eles estão trabalhando, montando um plano faseado para a assunção das linhas e evitar que as coisas ocorram de novo.”
A Agência de Transportes do Estado de São Paulo (ARTESP), por sua vez, enviou uma nota a este site, esclarecendo que os colaboradores da empresa estão circulando sem identificação e uniforme. Como a CPTM opera os trens, gerencia estações e atende os passageiros, as equipes da Trivia voltaram à fase de aprendizado. Além disso, foi interrompida a alteração na identidade visual de toda a frota de trens, mantendo apenas uma unidade com a nova cor e layout. Leia a seguir na manifestação na íntegra.
“A suspensão cautelar determinou o retorno do processo de transição à fase pré-operacional pelo prazo de até 90 dias para a retomada da operação pela concessionária Trivia. Durante este período, a Artesp solicitou à concessionária a apresentação de um plano de ação, visando eliminar todas as deficiências apresentadas no atendimento. O plano será avaliado para verificar se medidas tomadas serão suficientes para a retomada da operação.
Interior do trem pertencente as Trivia Trens, atingido por incêndio na manhã desta quinta (23) (Reprodução Redes Sociais)
A operação permanece sob responsabilidade da CPTM e a Trivia acompanha as atividades. Por esse motivo, os colaboradores da concessionária estão presentes nas estações sem uniformes, pois não atuam como responsáveis pela operação. Com o retorno à fase pré-operacional, a responsabilidade pelos ativos também retornou à CPTM, razão pela qual o processo de alteração da identidade visual dos trens está suspensa. Da mesma forma, a infraestrutura das estações permanece sob responsabilidade da CPTM.
A ARTESP realiza a regulação e fiscalização das concessionárias conforme os requisitos contratuais estabelecidos e conta, adicionalmente, com o apoio de verificador e de apoio técnico independente.”
A Trivia Trens também foi procurada sobre o assunto e em nota, informou estar cumprindo todas as etapas contratuais, incluindo a certificação de sistemas e trens por meio de um auditor independente. Além disso, tem o compromisso de investimento antecipado na ordem de seis bilhões de reais, com um quadro atual de 2,4 mil colaboradores em diferentes funções.
Trem da CPTM na estação Brás, sem a logomarca da estatal ((MetrôCPTM))
Veja abaixo íntegra da nota
“A Trivia Trens informa que, por determinação do Poder Concedente, foram adicionados 90 dias à fase pré-operacional, contados a partir de 24/07/2026. Na ocasião, o contrato encontrava-se na modalidade de Operação Assistida, na qual a Concessionária atuava sob a supervisão da CPTM.
Durante o período de três meses, a operação e a gestão das Linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Serviço Expresso Aeroporto estarão sob a responsabilidade da CPTM. Os colaboradores da concessionária acompanham as rotinas de forma assistida, utilizando uniforme de treinamento.
A Trivia esclarece que, desde o início da concessão, vem cumprindo todas as etapas contratuais com responsabilidade, dedicação e transparência, inclusive com a certificação da auditoria independente prevista no contrato de concessão. Nesse mesmo compromisso, a Concessionária tem apoiado todas as investigações no âmbito da COPESE (Comissão Permanente de Segurança que apura as causas de acidentes) e no inquérito policial, além de atender todas as solicitações advindas do Poder Concedente.
A concessionária conta atualmente com mais de 2.400 colaboradores, que já receberam cerca de 4 mil horas de treinamentos práticos e teóricos. Os treinamentos serão contínuos durante o contrato de concessão, para oferecer sempre uma prestação de serviço de qualidade à sociedade.
Durante o período de Operação Assistida, a Trivia Trens contou e contará com o apoio adicional de aproximadamente 460 colaboradores da CPTM (incluindo os operadores de trens), conforme modelo operacional que estava vigente de 21 a 23/07/2026.
A Concessionária também mantém seu compromisso com a melhoria da infraestrutura do sistema com a contratação antecipada de aproximadamente R$ 6 bilhões dos R$ 14,3 bilhões programados. O pacote inicial de revitalização foi finalizado, somando intervenções em 23 das 29 estações das três linhas, com melhorias em iluminação, sinalização, acessibilidade, pisos, coberturas e estruturas existentes, além da implantação de salas de primeiros socorros e de ações de reforço da segurança.
A implantação da nova identidade visual dos trens será retomada assim que a Concessionária retornar à fase de operação assistida, conforme previsto em contrato.
Em relação aos equipamentos e itens das estações, a Trivia Trens esclarece que nenhum item foi retirado em razão do retorno à fase pré-operacional.
A Trivia Trens reafirma seu compromisso com a segurança, transparência e compromisso em todas as etapas previstas no contrato de concessão.”
