Pátio Paulo Freire recebe tratamento para preparar solo antes das obras da Linha 2-Verde
Imagens mostram centenas de elementos sendo introduzidos no terreno próximo ao Rio Tietê; técnica sugere uso de drenos verticais para acelerar a consolidação do solo
As obras do futuro Pátio Paulo Freire, da Linha 2-Verde, entraram em uma etapa pouco convencional e que chama a atenção pelas dimensões. Centenas de pequenos elementos estão sendo introduzidos no solo do enorme terreno onde será implantado o complexo de manutenção e estacionamento dos trens.
Imagens aéreas recentes do canal iTechdrones mostram uma máquina dotada de uma longa haste vertical percorrendo uma extensa área previamente coberta por uma camada de material granular. Depois da passagem do equipamento, pequenas pontas permanecem expostas e formam uma espécie de malha sobre o terreno.
A aparência e o método de execução sugerem a instalação de drenos verticais pré-fabricados, conhecidos pela sigla PVD (Prefabricated Vertical Drains) e também chamados de geodrenos. O MetrôCPTM consultará o Metrô para confirmar qual é a técnica empregada e sua finalidade no Pátio Paulo Freire.
Esse tipo de solução é empregado no tratamento de solos moles e saturados. Uma fita de material drenante é introduzida verticalmente no terreno com auxílio de um mandril, que depois é retirado. O dreno permanece no subsolo e cria um caminho para facilitar a saída da água existente entre as partículas do solo.
Máquina parece instalar drenos verticais no terreno (iTechdrones)
O processo costuma ser combinado com uma camada drenante superficial e posteriormente com aterro ou uma sobrecarga temporária. O peso comprime o terreno e os drenos aceleram a dissipação da água, antecipando parte dos recalques que, sem tratamento, poderiam ocorrer durante um período muito mais longo.
Terreno na várzea do Tietê
A possível utilização dessa técnica é coerente com a localização do Pátio Paulo Freire. O complexo está sendo construído nas proximidades da Marginal Tietê, em uma região associada à várzea do rio e que pode apresentar camadas de solos moles e elevada presença de água subterrânea.
Fitas de material drenante espalhados pelo local do pátio e manta geotêxtila geod (iTechdrones)
Documentos do contrato das obras mostram, de fato, que o terreno exige uma extensa investigação e acompanhamento geotécnico. O projeto prevê sondagens, ensaios de campo e laboratório, placas para acompanhamento de recalques, inclinômetros e piezômetros, instrumentos utilizados para acompanhar o comportamento do terreno e da água no subsolo.
Também chama a atenção a previsão de grandes quantidades de material para preparação da área. A planilha do Lote 8 inclui mais de 137 mil m² de manta geotêxtil e mais de 1,1 milhão de m³ de aterro compactado. A manta cinza que já aparece sendo estendida em parte do terreno é compatível com esse material previsto no contrato, embora os documentos consultados até agora não permitam relacionar diretamente cada etapa observada nas imagens ao respectivo item da planilha.
Projeção do Pátio Paulo Freire (CMSP)
Pátio para expansão da Linha 2
O Pátio Paulo Freire será uma das principais estruturas da expansão da Linha 2-Verde em direção à Guarulhos. A grande área foi desapropriada e teve as construções existentes removidas para receber oficinas, edifícios operacionais, vias de estacionamento e manutenção, além de outras instalações necessárias à operação da linha ampliada.
A contratação remonta a 2014, mas permaneceu paralisada durante anos e foi posteriormente retomada, incluindo a elaboração e atualização dos projetos executivos. Os trabalhos são de responsabilidade do Consórcio Cetenco-Acciona-Agis.
O pátio terá cerca de 150 mil m² e contará com 34 vias destinadas ao estacionamento, manutenção e movimentação de trens.

