A oito meses de inauguração, BRT ABC ainda não tem obras ao lado do Metrô
Serviço de ônibus prometido para ligar São Bernardo às estações Tamanduateí e Sacomã é prometido para outubro mas não deve ter integração gratuita com trilhos
Vendido como uma solução mais barata e eficiente em comparação com uma linha de metrô, o BRT ABC continua avançando em ritmo lento e as obras junto à estação Tamanduateí do Metrô e CPTM sequer começaram.
Este site visitou a região junto da Linha 10-Turquesa de trem e constatou que não há canteiro de obras ou movimentação de trabalhadores a apenas oito meses da data amplamente divulgada para a entrega de todo o serviço, em outubro deste ano.
Com custo superior a R$ 1,2 bilhão para 18 km de corredor de ônibus, com vários pontos de interferência como cruzamento com outras ruas, o BRT chegou a ter uma previsão irreal de atender 600 mil pessoas diariamente, conforme dados da concessionária Next Mobilidade. Recentemente, os dados divulgados passaram a estimar 173 mil usuários/dia.
Para levar todo esse público em um percurso que varia entre 40 a 52 minutos, serão operados 92 ônibus elétricos com intervalos médios variando entre 4 a 8 minutos a depender de um dos três serviços ofertados, parador, semi expresso e expresso.

No entanto, embora seja afirmada a existência de 22 frentes de trabalho, a maioria das “estações” está crua e ainda ganhando forma, com maior parte dos trabalhos na concepção do piso de concreto das vias dos ônibus.
O trecho que promete oferecer uma ‘ligação rápida’ com a malha sobre trilhos, contudo, não deve ficar pronto a tempo, tornando a eventual inauguração praticamente inútil para os usuários.
Outra surpresa desagradável deverá ser o custo da viagem já que tudo leva a crer que a Next vai cobrar a tarifa sem oferecer integração gratuita com o Metrô ou a CPTM.
Solução ‘rápida’ para o lugar da Linha 18-Bronze
O BRT ABC foi proposto pela então Metra em 2019, durante o governo João Doria, como alternativa à Linha 18-Bronze de metrô, que acabou cancelada, mas passados seis anos, a região segue sem metrô e sem o corredor de ônibus.
A Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) assumiu a fiscalização do projeto das mãos da extinta EMTU e tem apertado o cerco à empresa, cobrando maior celeridade por parte da Next, e que ela cumpra o cronograma de ações.
Outro ponto de “mistério” é a frota do BRT, uma vez que apenas uma unidade do E-Trol foi apresentada em evento oficial no único ponto de ônibus concluído até hoje, a ‘estação Metrópole’.
A solução vem se mostrando mais cara e demorada do que foi ‘vendido’ há sete anos, um transporte de qualidade entre o ABC de capital. Garantido até o momento apenas uma dívida para os cofres públicos superior a R$ 300 milhões em virtude da rescisão da concessão da Linha 18-Bronze.
