Antes de comprar trens de BH, CBTU avaliou unidades com ar-condicionado da CPTM

Reforço de composições usadas da Série 900 que estão deixando o Metrô de Belo Horizonte deve começar a chegar ao Recife em 19 de maio, diz operadora federal

Série 3000 prestando serviços na Linha 10 (Jean Carlos)
Série 3000 prestando serviços na Linha 10 (Jean Carlos)

Antes de optar pela aquisição de trens usados de Belo Horizonte, a CBTU analisou outras alternativas no mercado brasileiro, incluindo composições desativadas da CPTM que contam com ar-condicionado.

Segundo técnicos envolvidos no processo, essas unidades paulistas exigiriam intervenções profundas para voltar à operação, após anos fora de serviço. Embora a estatal não tenha detalhado quais modelos foram avaliados, a CPTM retirou de circulação séries 2000, 2100 e 3000, todas com esse tipo de sistema, o que indica serem candidatas naturais na análise.

Outro caminho considerado foi a utilização de trens da Trensurb, no Rio Grande do Sul. Nesse caso, a avaliação apontou que a recuperação das composições demandaria um prazo elevado, incompatível com a urgência de recompor a frota no Recife. Além disso, a proposta envolveria cessão e não aquisição definitiva dos veículos.

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Diante desse cenário, a CBTU optou pelos trens da chamada Série 900, atualmente em processo de retirada gradual do Metrô de Belo Horizonte. As composições foram fabricadas na década de 1980, com as primeiras unidades entregues entre 1985 e 1986, o que as coloca entre as mais antigas ainda em operação no país.

Ultima viagem da Série 2000 (Matheus Barbosa)

A escolha se baseou principalmente na disponibilidade imediata e na compatibilidade técnica com o sistema pernambucano. Ainda assim, nem todos os trens apresentam o mesmo nível de conservação: apenas uma unidade estaria apta a operar de imediato, enquanto outras exigem intervenções ou apresentam limitações após décadas de uso.

De acordo com a CBTU, o primeiro trem deve ser embarcado no dia 8 de maio e chegar ao Recife entre os dias 15 e 19. A previsão é de que entre em operação em junho, após os procedimentos de adaptação e treinamento de equipes.

O cronograma prevê a chegada das demais composições ao longo dos meses seguintes, com a segunda unidade em junho, a terceira em julho, a quarta em agosto e as duas últimas em setembro. A expectativa é que toda a frota esteja integrada ao sistema até outubro.

Trem da Série 900, recebido pela CBTU nos anos 80 (Ladislau Fernandes)

O investimento total gira em torno de R$ 60 milhões, incluindo não apenas a aquisição dos trens, mas também custos associados como transporte, comissionamento e suporte operacional.

A CBTU sustenta que a medida é necessária para evitar um colapso da Linha Sul, que atende cerca de 60 mil passageiros por dia. A projeção interna indicava que, sem reforço, a frota disponível poderia cair a níveis críticos já em 2027, comprometendo a continuidade do serviço.

O Sindicato dos Metroviários de Recife, no entanto, considerou a opção cara e incompatível com as necessidades do sistema.

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Matteus
Matteus
1 mês atrás

Poderiam ter analisado a série 2070 da CPTM, já que há estudos de aposentar em breve, ser uma frota considerada “velha” para os usuários da L10, conter ar condicionado é demais; e rever o contrato com a Trivia, que herdou inúmeros trens para 3 linhas

Guile
Guile
1 mês atrás
Responder para  Matteus

A série 2070 está passando por RG, logo não será aposentada tão cedo. Foi considerada “velha” por causa de mimimi do jornal do ABC e de políticos da região (de oposição e situação) que não tem conhecimento mínimo de ferrovia, e que fizeram média com o seu eleitorado em ano eleitoral

Ivo
Ivo
1 mês atrás

Um trem da CBTU fabricado na década de 1980 está em melhores condições que trens da CPTM fabricados na década de 1990. Isso diz muito sobre a incapacidade da CPTM e a capacidade da CBTU Belo Horizonte.

Edson
Edson
1 mês atrás
Responder para  Ivo

Os trem mais antigos da CPTM foram fabricados em meados de 2008
Não existem trens da década de 90

Ivo
Ivo
1 mês atrás
Responder para  Edson

A Série 2000 foi fabricada em 2008?
A Série 3000 foi fabricada em 2008?

Ligeiro
Ligeiro
1 mês atrás
Responder para  Ivo

Série 2000 entregue em 1999 até 2000 Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/TUE_S%C3%A9rie_2000/2070_(Trem_Metropolitano_de_S%C3%A3o_Paulo) (mas está em processo de desativação)

Série 3000 operou inicialmente em 2000 (está em fim de vida útil, infelizmente) https://pt.wikipedia.org/wiki/TUE_S%C3%A9rie_3000_(Trem_Metropolitano_de_S%C3%A3o_Paulo)?wprov=rarw1

Se analisar, os trens atuais são da geração do 7000, entegues em 2010 https://pt.wikipedia.org/wiki/TUE_S%C3%A9rie_7000/7500_(Trem_Metropolitano_de_S%C3%A3o_Paulo)?wprov=rarw1

Beatriz Andrade
Beatriz Andrade
1 mês atrás
Responder para  Ivo

Esses trens já foram baixados, colega. Menos por favor

Ivo
Ivo
1 mês atrás
Responder para  Beatriz Andrade

A CPTM conseguiu a proeza de baixar trens com a menor vida útil da história ferroviária do país. Nem nos piores tempos da RFFSA isso aconteceu.

Mas para a Beatriz Andrade, a CPTM pode desperdiçar recursos públicos à vontade.

Guile
Guile
1 mês atrás
Responder para  Ivo

A CPTM (ou alguém da CPTM) alugou um apartamento na mente desta pessoa …

Ligeiro
Ligeiro
1 mês atrás
Responder para  Guile

Tem um comentário meu em moderação, mas tipo, o que o Ivo falou tem um ponto: são séries antigas mas em processo de baixa na cptm . A 7000 é lá de 2010 parece (preguiça de abrir a wiki no celular, mas chuto Serra como governador, como psdb…

Gabriel
Gabriel
1 mês atrás
Responder para  Ivo

Talvez porque aqui a demanda seja muito maior, assim como o uso. A exemplo do 1100, que era da década de 50 e foi utilizado até meados de 2018, assim como o 1700 da década de 70. Já os outros eram frotas parecidas, inferiores, rodando em linhas com demanda muito maior do que comportam. Lembrando também que, a estratégia de SP teve foco maior na compra de novos trens do que a modernização, teve algumas modernizações, algumas fracassadas (5550), outras que deram certo (A, C e D do Metrô), mas compra teve a 7000 (usada como modelo de licitação no Brasil todo), 7500, 8000, 8500, 9000, 9500, 2500, G, H, F, sem contar os de linhas novas. Ou seja, em SP teve pouca modernização e mais compra, já em outros estados teve mais modernização e algumas compras (vide o 1700 no Rio com A/C)

Edson
Edson
1 mês atrás

Não entendo
Bh tem trem ou metrô??
No meu entender e trem porém chamam de metro
Os trens da CPTM são compatíveis com metro??

Derru
Derru
1 mês atrás
Responder para  Edson

Fala Edson, embora chamem de metrô, BH e Recife tem as mesmas caracteristicas da CPTM. São originários da CTBU, pussuem alimentação via catenária (3 kVcc), bitola de 1600mm. os trens da CPTM podem rodar nessas linhas operando com o sistema de sinalização de bloco fixo.

Gabriel
Gabriel
1 mês atrás
Responder para  Edson

Metrô, em SP é uma empresa pública, o serviço de metrô é uma abreviação de metropolitano. É preciso analisar as características da linha pra dizer se é metrô, subúrbio ou de viagem. Ou seja, dá pra chamar a CPTM de metrô já pelo menos 15 anos, os intervalos são maiores que as linhas da Metrô, mas os menores são equivalentes aos de horário fora de pico ou de domingo da Metrô. Já os trens, são mais modernos que os do Metrô, considerando a soma de todas as frotas e tecnologia embarcada, embora os sistemas da Metrô sejam mais modernos. Com isso, só aplicar a mesma lógica prós demais serviços Brasil afora.

Resposta curta: trem é TUE, trem unidade elétrico, composto por “carros” para transporte de alta demanda sobre trilhos, metrô, com m minúsculo é a abreviação de metropolitano, Metrô, com M maiúsculo é o nome de uma empresa que presta serviços de transporte metropolitano que usa trens.

Guile
Guile
1 mês atrás

Conforme já foi explicado aqui por mim neste site, os trens mais modernos possuem muita eletrônica embarcada e controle via software. Por esse motivo, trens como a série 2000 e 3000 estão baixados, pois as placas e componentes eletrônicos estão obsoletos e não há mais fabricação. Uma modernização sairia mais caro que a compra de um trem novo (erro que o metrô cometeu na modernização de sua frota).

O grande erro da CPTM foi a terceirização da manutenção desses trens desde o início. Com isso a empresa, apesar do domínio técnico sobre o equipamento, não domina a cadeia de suprimentos. Não tem fornecedor para os insumos, não tem domínio sobre reparo ou substituição dos componentes eletrônicos, com isso fica refém das empresas terceiras e fabricantes. Como para o fabricante e terceiras é interessante manter essa dependência, e por questões que vem de cima por via política (como demonstrou o escândalo do trensalao), essa frota de trens acaba ficando obsoleta e sua modernização e reativação muito custosa.

Davi
Davi
1 mês atrás
Responder para  Guile

Comentário Excelente e mto didático!
Deixa eu perguntar, guardadas as devidas proporções, é o q aconteceu com a Frota K do metrô não é?

Guile
Guile
1 mês atrás
Responder para  Davi

A frota K é a modernização da antiga frota C do metrô. A frota C do metrô possuia tração com motor CC e controle por Chopper, sem refrigeração e portas com comando pneumático, dentre outras características.

O que chegaria mais próximo dos trens 2000 e 3000 da CPTM seria o que aconteceu com as frotas E e F do metrô, que são contemporâneas e possuem tecnologia similar.

Gabriel
Gabriel
1 mês atrás
Responder para  Davi

Complementando a resposta abaixo: Sim, as frotas A e B viraram I (Alstom e Siemens) e J (Bombardier e Temoinsa), a C virou a K (T’Trans e Temoinsa) e a D virou a L (Alstom).

Ivo
Ivo
1 mês atrás
Responder para  Guile

Ou seja, você defende que a CPTM é vítima de todas as empresas fabricantes de trens do mundo.
Mesmo assim, continuou comprando trens da CAF e eletrocentros da Siemens.

Isso é burrice ou síndrome de Estocolmo?

A modernização das Séries 2000 e 3000 sairia mais barato que uma compra de trens novos, porém a CPTM não tem capacidade técnica para licitar, contratar, fiscalizar e receber qualquer coisa. Enquanto isso, o Metrô SP conseguiu reformar as frotas A, C e D com sucesso.

Segundo Laurindo Junqueira, ex-diretor da Companhia do Metropolitano:

“…Por exemplo, os trens estão chegando aos 40 anos, o que vamos fazer? Vamos substituir por novos ou fazer uma revisão completa deles? Quanto é que dura uns trens lá fora? Na França são 60, 80 anos, na
Inglaterra. Um trem de metrô foi projetado para funcionar 100 anos.

Mas houve uma evolução tecnológica muito grande, entrou eletrônica embarcada. Então vamos reformar, não vamos jogar fora essa casca que funcionou 40 anos perfeitamente, porque jogar isso no lixo. Aí os fabricantes de trens novos, que tem um monte deles preparadinhos na prateleira, você quer o verde ou o amarelo? Não quero nenhum dos dois, quero que você me monte aquilo que eu quiser dentro desse trem, como a gente fez na década de 60 e 70.

Eles não aceitam. Então os fabricantes mundiais, houve uma forte concentração, eles dominam o mercado mundial e te constrangem a comprar novos trens, joga fora esse aí, ponha outro no lugar…”

Segundo o engenheiro Didier Legrand da RATP (Metrô de Paris):

“a vida útil econômica de um trem é estimada em até 48 anos, considerando realizado o plano de manutenção preventivo preconizado pelo fabricante e ainda com realização de pelo menos uma intervenção de grande porte de modernização de seus sistemas principais. Assim, a vida útil originalmente de 30 anos pode ser estendida em mais 60 %.”

Segundo o engenheiro Joubert Flores (ex-presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), a vida útil de um trem é de 30 anos.

Segundo o Ministério dos Transportes do Brasil, a vida útil estimada de um trem é de 30 anos.
Segundo o BNDES, a vida útil estimada de um trem é de 25 a 30 anos.

Só na CPTM que eles duram 23 anos.