O lento programa de modernização do sistema de sinalização das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha enfim avançou para esta última. Desde o sábado passado (11), o Metrô tem interrompido trechos da Linha 3 para implantar equipamentos necessários para que o sistema CBTC passe a ser usado num futuro breve.

Por enquanto, os trabalhos se concentram no trecho entre as estações Corinthians-Itaquera e Patriarca que teve uma das vias fechada no dia 11. Neste feriado da Páscoa, o mesmo trecho será totalmente fechado, sendo necessário utilizar o PAESE para seguir viagem da estação Patriarca.

As interferências na Linha 3-Vermelha ocorrem após mais de 10 anos que o novo sistema de sinalização foi contratado junto à francesa Alstom. Na época, a gestão de José Serra (2008) pretendia reduzir os intervalos nas três linhas do Metrô para comportar a demanda. Mais preciso que o sistema ATC, o CBTC permite que mais trens circulem nas vias e transitem mais próximos uns dos outros.

No entanto, a implantação foi problemática. Prometida para 2010, a operação na Linha 2-Verde, primeira a receber o sistema, só passou a ocorrer em tempo integral em 2016 após vários problemas o que gerou multas à Alstom. A empresa alegou na época que foi a primeira vez um sistema como esse foi implantado numa linha em operação.

Em fevereiro, o presidente do Metrô Silvani Pereira, afirmou que a intenção da companhia é de passar a operar o CBTC em testes na Linha 1-Azul este ano e concluir a mudança em 2020. A Linha 3-Vermelha, mais lotada do sistema, tem previsão para 2021, mas Pereira disse que a ideia é tentar antecipar esse prazo para o ano que vem.

Salvação que pode não vir

A escolha do sistema CBTC foi acertada pelo Metrô, afinal hoje essa tecnologia é tendência em todas as novas linhas que estão sendo construídas no mundo. Sua concepção é mais moderna e eficiente que o ATC, que trabalha com “blocos” com sensores nos trilhos. Com isso, para evitar acidentes, os trens não podem ocupar um mesmo bloco, mas isso acaba travando a circulação e impedindo que intervalos menores possam ser utilizados.

Trem da frota J: equipado com CBTC, ele passou a operar na Linha 2 nesta semana

Trem da frota J: intenção é ter o CBTC operando até 2020 nas Linhas 1 e 3

O CBTC, ao contrário, funciona por meio de frequência de rádio e de forma plena, ou seja, o trem envia sua posição em tempo real ao CCO. No entanto, o histórico de implantação é problemático como vimos também na Linha 5-Lilás.

Apesar disso, esperar que o CBTC vá resolver a superlotação na Linha 3 é ser ingênuo. Carente de transporte público de qualidade, a Zona Leste de São Paulo depende dos empregos que estão em outras regiões. Com isso, todos os dias milhões de pessoas se deslocam de lá para outras áreas da região metropolitana, num movimento pendular gigantesco. Mesmo que a Linha Vermelha possa levar mais passageiros nos horários de pico isso não significa que haverá alívio já que mais pessoas podem resolver utilizar o ramal.

A solução definitiva passa por várias ações, entre elas novas linhas de metrô ou trem metropolitano com destinos diferentes e que aliviem a Linha 3. Da mesma forma, incentivar novo pólos de emprego mais próximos e, mais do que nunca, incentivar uma melhor ocupação do solo em regiões que hoje possuem vários locais degradados como a Mooca, Brás e Belém poderia trazer milhares de habitantes para mais perto do centro da capital.

Sem medidas assim, nem o melhor dos CBTCs poderá resolver um cenário tão grave de mobilidade como esse.