A CPTM anunciou ter conseguido nesta semana arrecadar R$ 8,9 milhões em leilão de materiais inservíveis, vulgarmente conhecidos como sucata. A maior parte do valor (R$ 3,156 milhões) foi obtida com a venda de trilhos que não atendem mais os padrões técnicos, segundo a empresa. Curiosamente, o lote de 71 trens das séries 1700 e 4400 conseguiu alcançar apenas R$ 2,879 milhões.

As composições eram utilizadas pela CPTM nas linhas 7-Rubi, 10-Turquesa e 12-Safira e foram substituídas por trens novos como os das séries 8500 e 9500 nos últimos anos. Em comunicado, a companhia celebrou o fato ao afirmar que “o leilão de peças inservíveis permite a Companhia recuperar parte do investimento, gera benefício ambiental e abre espaço para outros materiais do ciclo de substituição“, segundo Leandro Capergiani Moreira, gerente de logística.

No entanto, a ‘recuperação de investimento’ parece ter sido extremamente modesta em relação aos trens. Basta observar que o valor arrecadado (quase R$ 3 milhões) é o equivalente a pouco mais da metade de um vagão da Série 2500, a mais nova da CPTM e que custou aos cofres públicos cerca de R$ 39,6 milhões (ou R$ 5 milhões por vagão).

Não há como negar que ambas as frotas de trens já estavam bastante desgastadas, sobretudo a 4400 que foi fabricada em 1965, portanto há 55 anos, mas a numerosa Série 1700, que até há pouco tempo atrás rodava na extensão da Linha 7, é formada por composições relativamente recentes. Elas foram fabricadas em 1987 e entregues para a CBTU então como Série 700.

Em 1998 passaram por uma primeira reforma além de modificações em seu sistema de freios nos anos 2000 após um grave acidente em Perus. Nos seus últimos anos em serviço eram considerados confiáveis a ponto de o próprio governo anunciar o fato em comunicado de 2006: “O trem que apresentou o desempenho mais alto no ano foi o da série 1.700, que circula na Linha A. Em novembro, por exemplo, seu MKBF (Mean Kilometer Between Failure ou quilometragem rodada entre falhas) ficou em 8.911 km entre avarias. Na segunda posição, estão as composições da série 1.100, também da Linha A, com média de 6.789 km entre falhas, no mês passado“, disse na época.

A última viagem oficial do Série 1700 ocorreu em junho do ano passado, quando a Série 9500, fabricada pela Rotem, assumiu toda a operação. A pergunta que fica no ar é se o leilão dos trens como sucata foi realmente uma forma de valorizar o patrimônio da CPTM.

Trem da série 4400 chegando na estação Brás. Foto: Diego Torres Silvestre