Após recuo do governo, ferroviários encerram greve na CPTM

Categoria exigia pagamento do PPR de 2020 desde março além de reajuste salarial após dois anos sem aumentos. Participação nos resultados será paga em duas parcelas enquanto dissídio será decidido pelo TRT
Mesmo parcial, greve na CPTM teve efeitos mais graves do que o Metrô (GESP)

Após protelar o pagamento do PPR (Plano de Participação nos Resultados) aos funcionários da CPTM desde março, o governo Doria recuou após sindicatos dos ferroviários realizarem uma greve parcial nesta quinta-feira, 15.

Acertado entre a companhia e a categoria, o PPR 2020 será pago em duas parcelas, a primeira em agosto e a segunda em janeiro de 2022, informou a CPTM ao anunciar um acordo para retomada da operação nas sete linhas na noite passada – os recursos virão do caixa estadual.

Ainda está pendente o dissídio, que será decidido pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho). Enquanto os sindicatos exigem um reajuste após dois anos de salários congelados, o governo pretendia manter os valore atuais, por conta da pandemia.

O impasse entre a CPTM e seus funcionários já se prolongava há meses, desde que a empresa deixou de realizar o pagamento da primeira parcela, em março. Apesar de várias ameaças de paralisação, o governo do estado manteve a posição de não negociar qualquer valor, alegando a crise financeira e sanitária. A única concessão da gestão atual foi a vacinação da linha de frente meses atrás.

Apesar do acordo, os ferroviários decidirão em nova assembléia na segunda-feira, 19, se aceitam a proposta do governo. Caso contrário, há a possibilidade de nova greve na terça-feira que vem.

Mensagem postada pela CPTM explica o acordo (CPTM)

Caos no transporte

A paralisação das linhas da CPTM acabou sendo parcial, em primeiro lugar porque existem três sindicatos diferentes ligados às linhas operadas. A entidade que representa as linhas 11, 12 e 13, as duas primeiras oriundas da antiga Central do Brasil, não aderiu ao movimento e os funcionáirios operaram os ramais normalmente.

As quatro linhas restantes tiveram situações distintas. Enquanto a Linha 9-Esmeralda passou a maior parte do dia completamente paralisada, a Linha 10-Turquesa voltou a operar no final da manhã no trecho entre Santo André e Tamanduateí.

As linhas 7-Rubi e 8-Diamante abriram com operação parcial a partir de Palmeiras-Barra Funda até Caieiras e Barueri.

Sem opção de transporte rápido, muitos passageiros acabaram surpreendidos pelas estações fechadas. Houve protestos e depredações em alguns locais, sobretudo a estação Francisco Morato. Sem condições de utilizar plenamento o sistema PAESE, a CPTM acabou solicitando aumento das frotas de ônibus intermunicipais e municipais para amenizar os problemas.

Com uma malha maior e pendular, atingindo regiões de baixa renda e bastante distantes dos pólos de emprego, a CPTM se mostrou muito mais sensível às paralisações do que o Metrô.

A greve realizada em junho nas linhas da companhia acabou tendo menos efeitos por conta das linhas operadas pela iniciativa privada e também da própria CPTM, que ofereceram alternativas aos usuários, algo que não é possível na mesma escala com o Metrô.

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  1. Nao entendi nada, CPTM e METRO tem prejuizos bilionarios no ano de 2020 e os funcionarios querem receber PLR ?? participacao nos lucros e resultados quando ha prejuizo ?? os empregados vao ajudar a pagar os prejuizos ??

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