Artesp aperta o cerco na Next Mobilidade para recuperar atraso do BRT ABC
Agência determinou que superintendência mantenha monitoramento contínuo das obras do corredor de ônibus no ABC
A situação do projeto do BRT ABC, que enfrenta atrasos de anos na sua implantação, tem ficado cada vez mais grave, exigindo medidas drásticas da Artesp, a agência de transportes do estado, que assumiu a fiscalização da obra recentemente.
Em nova medida tomada pelo conselho diretor nesta terça-feira, 11, a agência determinou que a Superintendência de Transporte Coletivo (SUCOL) faça o monitoramento contínuo do plano de ação proposto pela Next Mobilidade, concessionária responsável pelo projeto.
A SUCOL deverá enviar um relatório para o conselho dentro de 30 dias demonstrando se a empresa está cumprindo o prometido.
O BRT ABC é um corredor de ônibus que foi escolhido pela gestão Doria para substituir a Linha 18-Bronze de monotrilho, que já tinha contrato assinado e dependia apenas de desapropriações – sob responsabilidade do estado – para sair do papel.
Em 2019, no entanto, o ex-governador acatou proposta da Metra (atual Next) para construir o corredor de ônibus, com metade da capacidade da Linha 18, tempo de viagem 50% mais demorado e sem oferecer integração tarifária gratuita com trilhos. Na apresentação, ocorrida há 76 meses, o governo prometia tirar o BRT ABC do papel em apenas 18 meses.
Mas enquanto o corredor continua com obras parciais, a Next ganhou uma renovação de mais 25 anos à frente do Corredor ABD, além de herdar linhas de ônibus intermunicipais da EMTU.
A situação mudou em meados deste ano, com a futura extinção da EMTU e o repasse da fiscalização para a Artesp, que iniciou a fiscalização de fato do contrato.
Em agosto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que assumiu o fardo e até então se mostrava alheio ao problema, endureceu o discurso, ameaçando até iniciar um processo de caducidade com a Next caso o BRT ABC não seja entregue no prazo – supostamente em outubro de 2026.
Além de multas, a Artesp estaria de fato levantando dados para extinguir o contrato de concessão, assinado originalmente em 1997 e que não atende por larga margem os novos padrões da gestão estadual.
