A gestão do governador João Doria decidiu cancelar o projeto da Linha 18-Bronze de metrô, anunciou o governo nesta manhã. Em seu lugar será construído um corredor de ônibus BRT que fará praticamente o mesmo trajeto do monotrilho com exceção do trecho que ficaria sobre a avenida Faria Lima.

Trata-se da primeira vez na história do estado de São Paulo que uma linha de metrô é cancelada e substituída por ônibus após ter sido licitada e contratada. Como se imaginava, o governador Doria e seu secretário Alexandre Baldy se esforçaram para dar a impressão de que o estado está fazendo um bom negócio ao cortar em mais da metade a demanda do trecho que, segundo os novos estudos, caiu de 340 mil pessoas para apenas 150 mil pessoas por dia.

Também apelou para um argumento absurdo, de que o monotrilho não teria flexibilidade para atender menos ou mais pessoas, ao contrário do corredor. E, claro, tentou colar a imagem de que o BRT é praticamente uma linha de trem: “estações” no lugar de paradas de ônibus, velocidade idêntica à do monotrilho e adoção de veículos elétricos.

Mas é no prazo e custo de implantação que o anúncio mais parece peça de ficção: apenas 18 meses ao preço de R$ 680 milhões. É claro que todas essas informações são preliminares mas o site assume um compromisso desde já de monitorar a evolução dessa obra para conferir se as promessas de Doria serão cumpridas. A STM se comprometeu a dar detalhes sobre o projeto em agosto.

Por outro lado, o monotrilho, objeto de estudos de anos, de uma hora para outra ficou mais e mais caro. Durante a coletiva, o governo jogou o valor do projeto para R$ 6 bilhões, argumentando que se trata de um valor alto pela demanda. Só esqueceram de comentar que a parte que cabe ao governo não chega a R$ 2,5 bilhões. Quem banca a parte pesada é o parceiro privado que continuava interessado na obra apesar dos cinco anos de espera.

A mesma gestão, no entanto, acha válido investir em outras regiões da cidade somas até maiores como os R$ 5,5 bilhões estimados para os 8,3 km da extensão da Linha 2-Verde e que atenderá crca de 377 mil passageiros por dia. Ou a soma bilionária para esticar a Linha 5-Lilás até o Jardim Ângela, para atender mais 114 mil passageiros.

Cortina de fumaça

Para aplacar ou minimizar as críticas à decisão polêmica, a gestão atual preparou um “pacote” de anúncios vistosos, entre eles a prioridade de modernização da Linha 10-Turquesa, que atende o ABC Paulista, e a “aprovação” do governador para iniciar os projetos da Linha 20-Rosa, cuja segunda fase (leiam bem, segunda fase) tem previsão de chegar à divisa entre São Bernardo do Campo e Santo André. A linha de metrô subterrâneo chegou a ter sua construção aberta à manifestações de interesse privado, porém, do trecho entre a Lapa e São Judas Tadeu. O alto custo de implantação, no entanto, colocou o projeto na geladeira. A fase 2, que faria o ramal se encontrar com a Linha 18-Bronze na então estação Afonsina, ainda não passa de um esboço.

Dos anúncios, o único palpável é a aposentadoria da velha Série 2100 de trens, que será trocada por composições mais novas de outras linhas, conforme rumores que circularam na semana passada.

De resto, apenas promessas cuja execução não é tão fácil quanto o governador João Doria e seu secretário Alexandre Baldy querem fazer parecer.

Veja mais informações ainda nesta quarta-feira.

Traçado da Linha 20-Rosa (em destaque): governo promete começar seu projeto, mas horizonte está distante (GESP)