Assembleia nesta segunda pode suspender greve no Metrô-DF
Metroviários decidem às 20h se mantêm paralisação prevista para começar nesta terça-feira; proposta do TRT prevê encaminhamento de novo concurso público
Os funcionários do Metrô do Distrito Federal realizam na noite desta segunda-feira (31) uma assembleia que poderá suspender a greve por tempo indeterminado prevista para começar nesta terça-feira, 1º de setembro.
Na semana passada, os trabalhadores aprovaram uma paralisação após meses de negociações com a companhia e o governo. O sindicato associa a necessidade de um novo concurso à redução do quadro de funcionários e à sobrecarga dos empregados.
A reunião foi convocada pelo Sindicato dos Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF) para as 20h, com participação presencial e virtual. A categoria avaliará a proposta construída pelo Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).
Segundo Neiva Lopes, diretora e porta-voz do SindMetrô-DF, a possibilidade de cancelamento da paralisação depende agora da aceitação da proposta pelo Governo do Distrito Federal e pelo Metrô-DF.
“Se o GDF concordar em cumprir a proposta feita pela CEJUSC, a categoria irá se reunir para dar continuidade a assinatura do acordo. Caso contrário, a greve está confirmada”, afirmou a dirigente ao Metrópoles nesta segunda-feira.
A pauta da assembleia prevê expressamente que os trabalhadores poderão ratificar, alterar ou suspender o movimento aprovado na semana passada caso haja acordo.
Concurso em até 120 dias
Um dos principais pontos do impasse é a realização de um novo concurso público para o Metrô-DF. A última seleção para empregados efetivos da companhia ocorreu em 2013, há 13 anos.
Na proposta formulada durante a mediação, o Metrô-DF assumiria o compromisso de publicar, em até 120 dias após a assinatura do acordo, o edital para contratação da entidade que realizará o concurso público.
O texto estabelece que o processo deverá considerar o número de vagas existentes e incluir cadastro de reserva. A efetiva contratação dos novos funcionários, entretanto, continuará dependendo de autorização do governo e de disponibilidade orçamentária e financeira.
Mapa do Metrô do Distrito Federal (Metrô DF)
A realização do concurso foi um dos motivos que levaram os metroviários a aprovar, na última quarta-feira (26), a greve por tempo indeterminado a partir de setembro. A categoria também reivindica melhores condições de trabalho e o cumprimento de pontos do acordo coletivo.
GDF ameaça recorrer à Justiça
Nesta segunda-feira, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o governo ainda busca um entendimento para evitar a paralisação, mas poderá recorrer à Justiça caso não haja acordo.
Celina também relacionou a proximidade da greve com o período eleitoral, afirmando que uma paralisação nesse momento poderia levantar questionamentos sobre eventual motivação política.
O Metrô-DF havia classificado a decisão de entrar em greve como “prematura” na sexta-feira (28) e sustentou que as negociações permaneciam abertas.
Caso a categoria mantenha a decisão tomada na semana passada, a paralisação deverá começar nesta terça-feira e não possui prazo determinado para terminar. A assembleia desta noite também deverá discutir as condições de uma eventual operação de emergência durante a greve.
