Metroviários do Distrito Federal aprovam greve a partir de 1º de setembro

Paralisação por tempo indeterminado pressiona governo por novo concurso público; seleção não é realizada há 13 anos

Metrô do Distrito Federal, com letreiro exibindo destino para Samambaia
Metrô do Distrito Federal, com letreiro exibindo destino para Samambaia (Divulgação Metrô DF)

Os funcionários do Metrô do Distrito Federal aprovaram uma greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira, 1º de setembro. A decisão foi tomada em assembleia na noite de quarta-feira (26), após meses de negociações envolvendo o Sindicato dos Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), a companhia e o Governo do Distrito Federal (GDF).

Entre as principais reivindicações está a realização de um novo concurso público para recompor o quadro de funcionários do Metrô-DF. A última seleção para empregados efetivos ocorreu em 2013, há 13 anos, e a contratação de pessoal vem sendo discutida desde pelo menos o início deste ano.

Segundo o SindMetrô-DF, a redução do efetivo tem aumentado a sobrecarga dos funcionários e prejudicado as condições de trabalho. Além do concurso e da contratação de empregados, a categoria cobra melhores condições de trabalho, cumprimento das cláusulas do acordo coletivo vigente e a aceitação integral de uma proposta apresentada pelo Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).

“Se tem algo que a história da categoria metroviária na capital do país nos mostra é que a greve é a ferramenta mais valiosa para a conquista de direitos. Não houve um concurso público realizado para o Metrô-DF sem luta, sempre foi greve e desta vez não será diferente”, afirmou o sindicato ao anunciar a paralisação.

Estação do Metrô do Distrito Federal (Metrô DF)

Concurso se arrasta desde 2025

A situação do quadro de pessoal do Metrô-DF já havia levado a categoria a ameaçar uma paralisação em março. Na ocasião, estava prevista uma greve a partir do dia 30, mas o movimento foi suspenso após uma nova rodada de negociações.

Uma proposta apresentada pelo Metrô-DF naquele momento previa a contratação, em até 120 dias após a assinatura de um acordo, da banca responsável por um concurso para aproximadamente 290 novos empregados, além da formação de cadastro de reserva.

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O problema, porém, antecede essa negociação. Em julho, o Metrô-DF informou à Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) que havia encaminhado à Secretaria de Economia, em setembro de 2025, o pedido de autorização para realizar um novo concurso.

Segundo a companhia, o processo passou pela Secretaria de Economia, que solicitou atualizações técnicas. A Superintendência de Recursos Humanos do Metrô-DF ficou responsável pelas adequações necessárias antes de uma nova análise do governo.

A carência de funcionários também foi discutida na Câmara Legislativa. Durante debates realizados neste ano, foi citado um quadro com mais de 300 cargos vagos, além da sobrecarga de operadores e agentes de estação.

Trem da Série 1000 do Metrô-DF

Metrô do Distrito Federal, com letreiro exibindo destino para Samambaia (Divulgação Metrô DF)

Novo impasse em agosto

A possibilidade de greve voltou à pauta neste mês. Em 6 de agosto, o SindMetrô-DF realizou nova assembleia dentro da campanha salarial. A categoria chegou a suspender o indicativo de paralisação após uma negociação intermediada pelo TRT-10, mas o entendimento não encerrou o impasse.

Com a decisão tomada na quarta-feira, a paralisação está prevista para começar em 1º de setembro e não tem data para terminar.

O atual Acordo Coletivo de Trabalho do Metrô-DF tem vigência até março de 2027. O documento foi firmado em maio de 2025, mas prevê uma negociação intermediária das cláusulas financeiras e de novas reivindicações na data-base de abril de 2026.

Até a publicação desta reportagem, não havia sido divulgado como deverá funcionar a operação do sistema durante a greve nem quais serviços serão mantidos caso a paralisação seja iniciada.