Associação quer mudar local da futura estação Dante Pazzanese da Linha 16-Violeta
Moradores sugerem que parada deixe área residencial e de comércio para ficar em estacionamento do instituto
A Associação dos Moradores da Vila Mariana propôs a mudança de localização da futura estação Dante Pazzanese, da Linha 16-Violeta de metrô, atualmente prevista para a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, entre as ruas Áurea e Morgado de Mateus.
Os estudos de traçado foram elaborados pela Acciona, mesma empresa responsável pelas obras da Linha 6–Laranja, que apresentou manifestação de interesse em participar do leilão.
Pelo projeto atual, a estação Dante Pazzanese ficará implantada no quarteirão formado pela Avenida Conselheiro Rodrigues Alves e pelas ruas Áurea e Morgado de Mateus. O acesso se daria pelo corpo da estação, pelos três lados da quadra. A área é ocupada por comércio e moradias na avenida, além de casas geminadas e assobradadas nas ruas laterais.
Localização da estação Dante Pazzanese sugerida pela Acciona (SPI)
Segundo os documentos técnicos, estão previstas desapropriações de nove imóveis comerciais, sete moradias e um imóvel de uso religioso. A região abriga cerca de 7.295 domicílios, com 15.385 moradores, resultando em densidade de 137,63 habitantes por hectare. Há ainda 987 estabelecimentos que empregam 17.725 pessoas. A renda média domiciliar é de 8,04 salários mínimos.
Estacionamento do Instituto
A associação propõe transferir a estação para o estacionamento do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, a cerca de 500 metros do ponto indicado no projeto original. A alternativa prevê a criação de um polo de mobilidade integrada em área de aproximadamente 12,5 mil metros quadrados, com espaço para veículos, acesso de ambulâncias e caminhões pela Rua Astolfo Araújo e conexão por um “calçadão verde” ao Parque Ibirapuera.
O relatório também pede a reavaliação da passarela prevista na futura estação Parque Ibirapuera, na altura da Avenida 23 de Maio, sob o argumento de possível interferência na paisagem do Obelisco, segundo reportagem da CBN.
O traçado da Linha 16 na região de Vila Mariana e o local sugerido pela associação (Arte sobre imagem da SPI)
A proposta, no entanto, aproximaria Dante Pazzanese da estação Parque Ibirapuera para cerca de 500 metros, enquanto o traçado atual mantém uma distância de aproximadamente 900 metros entre as duas paradas.
Por outro lado, a mudança aumentaria a distância em relação à estação Ana Rosa, que ficaria a mais de 1 quilômetro, em uma área com maior densidade urbana.
Em linhas de metrô, a distância costuma girar em torno de 1.000 metros entre as estações, para atender um entorno mais amplo.
Desenho prévio da estação Dante Pazzanese (SPI)
Traçado das linhas têm motivado reclamações
Moradores e comerciantes argumentam que o traçado atual da Linha 16-Violeta pode afetar imóveis históricos e residências antigas da região. Um abaixo-assinado contra a localização prevista reúne quase três mil assinaturas, segundo a entidade.
O caso da Vila Mariana não é isolado. Movimentos semelhantes ocorreram em bairros como Jardim Paulistano, Jardins e Pinheiros, onde associações também questionaram impactos de estações e obras em áreas valorizadas.
Na Mooca, empresários se mobilizaram para tentar impedir a implantação do pátio de manutenção da Linha 16 em área de galpões próxima à Linha 10–Turquesa.
Em nota à rádio, a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) informou que todas as contribuições recebidas estão em análise e poderão ser incorporadas ao edital final da concessão.
O projeto da nova linha com 16 estações está em fase final de análise e elaboração do edital. A publicação é esperada para o primeiro semestre, enquanto o leilão deve ocorrer no segundo semestre, segundo a SPI. A concessão terá prazo de 31 anos e investimento estimado em R$ 37,5 bilhões, com entrega prevista até 2040 e possibilidade de expansão futura até Cidade Tiradentes.
