Carteira Digital TOP passa a ser aceita nas estações da CPTM

Funcionalidade permite pagar passagens com créditos carregados por Pix, mas não oferece integração tarifária*

Carteira Digital do TOP
Carteira Digital do TOP (Autopass)

A Autopass, empresa que hoje controla os meios de pagamento na malha metroferroviária de São Paulo, revelou nesta segunda-feira que a Carteira Digital TOP passou a funcionar em todas as estações da CPTM. A nova modalidade permite armazenar créditos no aplicativo e utilizá-los para pagar as passagens de trem, sem a necessidade de um cartão físico.

Lançada em setembro para os ônibus intermunicipais da Grande São Paulo, a carteira registrou cerca de 50 mil utilizações desde então, segundo a empresa.

O aplicativo TOP já permitia comprar bilhetes unitários com QR Code para embarcar nos trens. A diferença é que agora o passageiro pode carregar um saldo por Pix e utilizá-lo em várias viagens, gerando um código dinâmico para passar pelas catracas.

A carteira, no entanto, não oferece integração tarifária entre ônibus e trens. Outra restrição é que os créditos depositados não podem ser sacados ou reembolsados, ficando disponíveis apenas para o pagamento de passagens nos serviços compatíveis.

Bloqueio com tecnologia NFC (Autopass)

Do Cartão BOM ao TOP

A Autopass atua na bilhetagem do transporte metropolitano paulista há mais de duas décadas. Criada em 2004 por empresários de ônibus, a companhia ficou conhecida pelo Cartão BOM, utilizado nos ônibus intermunicipais e também aceito no Metrô e na CPTM. O TOP surgiu para substituir esse cartão e os antigos bilhetes magnéticos dos trens, dentro de um projeto do governo João Doria para reduzir os custos de venda de passagens e modernizar a bilhetagem.

Para implantar o novo sistema, o governo fez com que Metrô e CPTM aderissem à Associação de Apoio e Estudo da Bilhetagem e Arrecadação (ABASP), entidade privada criada em 2019 por empresas de ônibus. Em vez de contratar diretamente um fornecedor por licitação, as companhias passaram a utilizar os serviços da associação, que firmou em 2020 um contrato de 20 anos com a Autopass para operar a bilhetagem eletrônica.

O arranjo foi questionado pelo Ministério Público de Contas e pelo Tribunal de Contas do Estado, sobretudo pela ausência de concorrência pública e pela falta de transparência sobre os custos da operação. A contratação permitiu que a Autopass assumisse um papel mais abrangente na venda de passagens e na operação dos meios de pagamento do transporte metropolitano, incluindo os bilhetes com QR Code e o aplicativo TOP.