Metrô de SP desiste de quatro trens previstos para a Linha 15-Prata
Contrato do monotrilho passa de 54 para 50 composições, mas frota deverá chegar a no máximo 48 após perda de dois trens em acidentes
O Metrô de São Paulo decidiu reduzir em quatro unidades a quantidade de trens prevista no contrato original de implantação da Linha 15-Prata. A mudança consta do 20º aditivo firmado com o Consórcio Expresso Monotrilho Leste (CEML), que altera de 54 para 50 o número de composições contempladas pelo acordo.
A alteração encerra uma pendência que permanecia no contrato desde que a companhia decidiu encomendar apenas parte do segundo lote de monotrilhos.
Quando o acordo foi assinado, em 2010, a Linha 15 teria 54 trens, divididos em dois lotes de 27 unidades. O primeiro foi integralmente produzido pela Bombardier e entregue ao Metrô, formando a Frota M.
O segundo lote, no entanto, nunca foi encomendado por completo. Em 2022, já após a aquisição da Bombardier pela Alstom, o Metrô acertou a fabricação de 19 novos trens, oito a menos que os 27 originalmente previstos.
Quatro dessas unidades continuavam contempladas pelo contrato. O novo aditivo agora formaliza sua supressão, reduzindo de 27 para 23 a quantidade de trens vinculada ao chamado Trecho 2 da Linha 15.
Na prática, porém, a Linha 15 não chegará a ter 50 composições com os fornecimentos atualmente contratados.
Trens M14 e M15 que colidiram (Reprodução/TV Globo)
Dos 27 monotrilhos originais, quatro foram envolvidos em dois acidentes fora do horário comercial. Os carros aproveitáveis permitiram recompor duas unidades, deixando a Frota M com 25 trens.
Somados aos 19 exemplares da Frota S, já entregues ao Metrô após serem fabricados na China pela parceria entre Alstom e CRRC, o monotrilho terá 44 composições. Para alcançar 48 unidades fisicamente disponíveis, seria necessária uma futura aquisição dos quatro trens que acabam de ser retirados do contrato ou de quantidade equivalente de novas composições.
Projeto mudou desde previsão dos 54 trens
A redução chama a atenção também pelas mudanças ocorridas no projeto da Linha 15 desde que a frota de 54 trens foi definida.
O contrato original considera o empreendimento entre Vila Prudente e Hospital Cidade Tiradentes. A extensão completa para leste acrescentaria Boa Esperança, Jacu-Pêssego, Jardim Marilu, Jardim Pedra Branca, Cidade Tiradentes e Hospital Cidade Tiradentes ao trecho atualmente em operação.
Parte desse projeto permanece suspensa. As obras em andamento chegam somente a Jacu-Pêssego, além do novo Pátio Ragueb Chohfi.
Por outro lado, a Linha 15 ganhou posteriormente uma expansão no sentido oposto, entre Vila Prudente e Ipiranga. A futura estação permitirá conexão com a Linha 10-Turquesa e ampliará a extensão percorrida pelos trens, aumentando também o tempo necessário para completar uma viagem de ida e volta pelo ramal.
Os 27 primeiros trens do monotrilho foram fabricados em Hortolândia pela Bombardier
Por isso, a redução da frota contratada não pode ser explicada apenas pela indefinição da extensão até Cidade Tiradentes. Mesmo com um trecho menor no extremo leste, a Linha 15 terá uma extensão adicional que não fazia parte do desenho atendido originalmente pelos 54 trens.
O aditivo não informa por que o Metrô decidiu suprimir as quatro composições nem apresenta uma nova estimativa da frota necessária para operar a configuração futura da Linha 15.
A retirada dos quatro trens deste contrato também não significa que a frota esteja definitivamente limitada a 44 unidades. O Metrô poderá realizar uma nova licitação para adquirir outras composições caso considere necessária uma oferta maior para atender futuras expansões ou mudanças na operação.
Obras de construção da estação Ipiranga da Linha 15-Prata, em outubro de 2026 (MetrôCPTM)
O contrato assinado em 2010 não se limita ao fornecimento de material rodante. Ele reúne obras civis, sistemas, equipamentos e outros serviços necessários à implantação do monotrilho. O 20º aditivo altera vários desses componentes ao mesmo tempo e eleva o valor contratual em apenas R$ 1,7 milhão, na data-base de agosto de 2010.
O documento não esclarece se a supressão dos quatro trens foi utilizada para compensar financeiramente outros serviços acrescentados ou revistos no contrato.
Atualmente, a operação regular utiliza apenas parte dos 44 trens existentes. As 19 composições da Frota S ainda passam pelo processo de testes e comissionamento antes de entrarem definitivamente no serviço comercial.
