Ao contrário de tendência mundial, Metrô e CPTM passam a usar QR Code como pagamento eletrônico

Batizado de TOP, sistema foi lançado na sexta-feira pelo governo Doria após meses de teste. No entanto, tecnologia digital mais usada, o NFC, é a preferida por cidades como Nova York, Londres e Rio de Janeiro
Bilhete QR Code impresso (GESP)

Após meses em testes em algumas estações, o governo Doria lançou nesta sexta-feira (11) o TOP, novo bilhete digital baseado na tecnologia QR Code. Agora os passageiros que desejarem adquirir o bilhete unitário poderão fazê-lo nas máquinas de autoatendimento localizadas nas estações com uso apenas de cartão de débito, ou baixar o aplicativo TOP para Android e IOS, limitado a 10 unidades.

A intenção da atual gestão é eliminar a médio prazo o bilhete magnético Edmonson e com isso reduzir custos. Como hoje essa modalidade perdeu representatividade por conta do bilhete único, a manutenção de bilheterias físicas e uma enorme quantidade de funcionários torna a operação cara e pouco eficiente. Os funcionários que forem liberados dessa função no futuro, serão realocados para outras áreas, afirmou o presidente do Metrô nas redes sociais. O governo também sinalizou que pretende cadastrar estabelecimentos comerciais para que possam vender o QR Code.

No entanto, o sistema QR Code tem pontos fracos. A versão impressa nas máquinas pode se deteriorar se não for usada em até 72 horas, dificultando sua leitura nos bloqueios. A tecnologia, fornecida pela empresa Autopass, que também é responsável pelo cartão BOM, não é a preferida pelos mais importantes sistemas metroferroviários do mundo, que têm aderido ao meio eletrônico NFC, também conhecido como contactless (sem contato).

O sistema OMNY, do Metrô de Nova York: pagamento mais moderno (MTA)

Nesse caso, o usuário do transporte público não precisa realizar qualquer procedimento de compra anterior de bilhetes virtuais ou físicos já que o débito é feito na própria leitora das catracas. O NFC também aceita cartões de débito e crédito, facilitando a vida de pessoas que usam os trens diariamente ou clientes eventuais como turistas, por exemplo.

A tecnologia é comum nos metrôs de Nova York (sistema OMNY), Londres (TFL), Paris (RATP) e de Pequim, na China, onde o QR Code também é usado. No Brasil, o Metrô de Rio foi pioneiro em introduzir o pagamento por aproximação enquanto a SPTrans, que administra o transporte de ônibus na capital paulista, também aderiu ao sistema. Um possível argumento contra o NFC seria sua baixa utilização em boa parte da população, já que o sistema ainda não se popularizou no país.

Resta entender afinal qual será vida útil da tecnologia já que o sistema bancário e de meios de pagamento vive uma revolução tecnológica e muito em breve será possível realizar pagamentos por meio de diversos aplicativos como Whatsapp. A chegada do PIX, criado pelo Banco Central, também pode impactar no curto prazo a forma como o cidadão realiza compras. Nesse cenário, espera-se que o governo esteja pensando mais à frente.

Por outro lado, persiste o maior problema do governo do estado com seu sistema de pagamento, justamente o bilhete único, que é gerenciado pela prefeitura de São Paulo. Com constantes fraudes, o meio de pagamento que concentra a maior parte das viagens no transporte público gera prejuízos à administração pública e chegou a ter sua concessão à iniciativa privada considerada por Doria quando foi prefeito da capital.

Para saber mais sobre o TOP, o governo disponibiliza um site especial.

Bloqueios da MetrôRio foram pioneiros em aceitar pagamento por celular, pulseira ou relógio (Visa)
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  1. É importante salientar que o Bilhete Único é o meio mais utilizado porque utiliza o benefício da integração com tarifa reduzida. Por isso além da tecnologia é fundamental saber se esses benefícios serão mantidos aos passageiros.

    1. Esse de Q-CODE não inclui a integração gratuita e nem o desconto com os onibus.

      Isso ai é só uma desculpa para extinguir o bilhete único a médio/longo prazo e terá tantas fraudes ou até mais do que o bilhete único.

      1. Na matéria ele fala da extinção do bilhete magnético (Edmonson)… Acho que para o BU deveria ser dada outra solução. Mas não pode deixar de oferecer uma alternativa para passageiros não-bancarizados e não-frequentes de utilizarem o sistema

  2. O QR code deve ser uma opção, até pq ele não agiliza em nada o embarque, epe demora pra ler, e gera filas. Em todos esses meses isso não foi observado?

    GESP incompetente comp sempre!

  3. Era o que eu precisava, pena que a SPTrans ainda não aderiu ao QR, queria fazer a integração só por app.

  4. o que deveria ser feito, e nao é, é a integraçao total entre os modais. com isso vc teria um cartao unico para toda a GSP, independente do modal. como a grande maioria das pessoas utiliza os meios detranpsorte para trabalho e estudo, vc teria um bilhete unico mensal que abrangeria a maior parte dos usuarios. para os usuarios eventuais, poderia continuar com o edmonson, qr code ou até mesmo um cartao contactless unitario.

  5. Quanto ao uso do NFC por aqui, discordo em partes. O maior empecilho está nos celulares.
    Acredito talvez que diferente da maioria dos lugares citados (países desenvolvidos), no Brasil uma parcela provavelmente imensa de smartphones simplesmente não tem NFC. Normalmente, só aparelhos mais robustos (top) é que vêm com essa tecnologia, os quais muitas pessoas, infelizmente, sequer podem sonhar em ter.

    Só para citar o exemplo da maior fabricante desses aparelhos (ao menos no mercado nacional), a Samsung, até poucos anos atrás, disponibilizava NFC também em parte dos aparelhos considerados de linha intermediária (alguns custando abaixo de mil reais). Atualmente, só a linha top (ou praticamente top) é que possui tal tecnologia de aproximação.

    Sim, considero um retrocesso da Samsung nesse sentido.

    Resumindo: por aqui, talvez para a maioria, o NFC só seria possível de ser utilizado com cartão de crédito ou débito — e olhe lá, pois tem banco por aqui que, dependendo do tipo de conta, ainda emite cartão novo, em pleno ano de 2020/quase 2021, sem NFC… (é Brasil que fala, rs, né?!).

  6. Acho que os colegas estão confundindo as coisas.
    O sistema novo não chega para substituir o bilhete único, e sim os bilhetes de papel unitários comprados nos guichês.

    E quanto ao NFC, apesar de ser usuário da tecnologia há alguns anos, não adianta nada implementar uma tecnologia que na melhor das hipóteses está disponível em 20% dos aparelhos celulares. (um pouco mais se considerar apenas os privilegiados que usam apenas o metrô e não precisam de integração com ônibus/CPTM).
    A não ser que tivessem fechado parceria para aceitar também pagamento direto com os cartões múltiplos dos bancos…

    1. São Paulo não existe bilhete de papel em São Paulo para sistema de ônibus, somente o metrô e o trem ainda usam nas catracas.

  7. Primeiro eles superfaturam a implantação do qrcod depois eles superfaturam a implantação do NFC. Quer melhor???

  8. Penso que o QR Code não substitua o NFC. Atualmente o QR Code será somente aceito nas catracas, mas eventualmente poderia ser utilizado também nos ônibus com integração, uma vez que o mesmo código poderia ser validado duas vezes. Além disso, possibilita a compra de bilhetes múltiplos com desconto, ou em faixas de horário etc., o que não é possível com o pagamento contactless com cartões de banco, que apesar de ser aparentemente similar ao pagamento com Bilhete Único ou Cartão BOM, não tem como oferecer esse tipo de funcionalidade. Os pagamentos são sempre feitos no ato e sempre com tarifa cheia; o validador não tem como saber que vc passou há X tempo no validador anterior. Então não seria possível fazer integrações temporais ou vender bilhetes múltiplos.

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