Coberturas das estações Brás e Pedro II passarão por reforma para diminuir o calor nas plataformas
Metrô de SP abriu licitação de R$ 14,7 milhões para substituir 19,2 mil m² de estruturas metálicas das da Linha 3-Vermelha, abertas na década de 80
As coberturas das estações Brás e Pedro II, da Linha 3-Vermelha, passarão por uma ampla reforma que deverá reduzir a incidência de calor nas plataformas. O Metrô de SP abriu nesta quinta-feira (29) uma licitação estimada em R$ 14,67 milhões para substituir telhas, domos e outros componentes das estruturas existentes.
O projeto prevê a retirada de aproximadamente 12.020 m² de telhas e 7.180 m² de domos. Em seu lugar, a planilha da licitação contempla o fornecimento de 19.200 m² de novas telhas de aço termoacústicas, exatamente a soma das duas áreas removidas.
A mudança indica que parte significativa das superfícies translúcidas existentes deverá desaparecer. Os domos permitem atualmente a entrada de iluminação natural nas estações, enquanto as novas telhas deverão proporcionar maior isolamento térmico à cobertura.
Os documentos disponíveis não permitem determinar, no entanto, em que medida o sistema terá efeito sobre o ruído percebido pelos passageiros. Embora as telhas sejam classificadas como termoacústicas, a capacidade de reduzir a reverberação dentro das estações depende das características do material e de seu acabamento interno.
Estação Brás nos anos 80 (CMSP)
A reforma inclui ainda a substituição de cerca de 1.650 m² de calhas, 950 m² de rufos e acabamentos e 1.820 m² de fechamentos laterais. Também estão previstos tratamento anticorrosivo e pintura de aproximadamente 5.200 m² de superfícies metálicas.
O Metrô de SP prevê ainda utilizar 32,2 toneladas de estruturas metálicas e instalar 150 m² de passarelas de segurança nas coberturas. O escopo aponta para adaptações e recuperação das estruturas existentes, sem indicar a construção de coberturas com uma concepção arquitetônica inteiramente nova.
Metrô de São Paulo melhora desempenho (Jean Carlos)
A sessão pública da licitação está marcada para 18 de novembro. Depois da emissão da primeira ordem de serviço, a empresa contratada terá 30 meses para concluir os trabalhos.
Parte das atividades poderá ser realizada durante a madrugada. Para serviços sujeitos às restrições da operação dos trens, o edital estabelece uma janela entre 0h30 e 4h30, com a retirada das equipes antes do início do serviço comercial.
Cobertura “padrão” dos anos 1970 e 1980
Brás e Pedro II são estações elevadas e bastante movimentadas da Linha 3-Vermelha e conservam uma solução arquitetônica bastante associada ao período em que foram construídas. Grandes estruturas metálicas treliçadas, revestidas por telhas e elementos translúcidos, foram adotadas pelo Metrô de SP em várias estações da linha implantadas entre o fim dos anos 1970 e o início da década seguinte.
Esse tipo de cobertura industrializada também se espalhou por outros equipamentos públicos construídos em São Paulo naquele período. Terminais rodoviários e de ônibus, pavilhões e outras grandes estruturas recorriam a sistemas metálicos modulares capazes de cobrir grandes áreas com poucos apoios e montagem relativamente rápida.
Uma das empresas que se tornou referência nesse mercado foi a Pérsico Pizzamiglio, que produzia estruturas tubulares para grandes coberturas. A solução era eficiente do ponto de vista construtivo, mas deixou como herança edifícios de aspecto bastante utilitário, com extensas superfícies de telhas metálicas e estruturas aparentes.
Terminais de ônibus hoje utilizam soluções de coberturas mais modernas e eficientes (ITechDrones)
O padrão perdeu espaço nos projetos mais recentes. Terminais de ônibus anexos às novas estações e estações de superfície ou elevadas passaram a adotar coberturas com desenho e materiais diferentes. Mesmo as estações elevadas da Linha 15-Prata, embora mantenham uma concepção arquitetônica relativamente simples e repetitiva, já utilizam outro padrão construtivo.
A reforma de Brás e Pedro II não deverá eliminar essa herança. A documentação da licitação indica a manutenção da concepção estrutural das coberturas, com substituição de telhas, domos, fechamentos e outros componentes. Pedro II, inaugurada em 1980, já recebeu portas de plataforma, enquanto Brás será a última estação da Linha 3-Vermelha a contar com o equipamento.
