Confira em detalhes como é a nova estação João Dias

Vigésima estação da Linha 9-Esmeralda foi inteiramente construída pela iniciativa privada e possui um design arrojado além de contar com novas facilidades como os bloqueios para leitura de cartões por aproximação
Estação João Dias (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

A mais nova parada da Linha 9-Esmeralda foi inaugurada simbolicamente na sexta-feira (05) e entregue oficialmente para a operação comercial no sábado seguinte já em horário integral, entre as 4h e meia-noite. A nova estação se destaca por ter sido construída integralmente pela iniciativa privada em uma parceria inédita no transporte sobre trilhos em nível nacional. O site foi conferir de perto a nova estação e traz com detalhes os principais destaques do local.

A estação João Dias incluiu em seu escopo um trabalho bem executado de paisagismo na sua fachada. É possível notar a presença de pequenos jardins na entrada da estação, denotando uma preocupação maior com o verde. Além disso, os passageiros que eventualmente desejam utilizar suas bicicletas como meio de deslocamento no dia-a-dia poderão contar com um novo bicicletário, que inclusive é dotado de uma pequena rampa para facilitar o acesso das bikes.

A fachada é dotada de sinalização e piso tátil para auxiliar os passageiros portadores de deficiência visual. Um totem de sinalização foi instalado na entrada da estação com um mapa em alto relevo e escrita em braile dando ainda mais acessibilidade para estes passageiros.

A comunicação visual externa se baseia basicamente no totem em forma de flâmula e na tradicional placa da estação que sinaliza que a nova parada ferroviária é acessível e também dispõe de um bicicletário. Rampas de acesso permitem que os passageiros com dificuldade de locomoção possam ter acesso facilitado na estação. Uma área para parada rápida de veículos também foi concebida para auxiliar no embarque e desembarque de passageiros na estação.

A entrada da estação é coberta por brises, o que dá um tom agradável para os passageiros que acessam o local via Avenida das Nações Unidas. Já no ambiente interno da estação é possível ver o novo painel digital da estação composta de cinco telas. Ele possui  informações diversas como propagandas, notícias atualizadas, mapa da rede e regulamento de viagem.

O destaque fica para o mapa da rede digital que sinaliza através de marcas a estação onde o passageiro está. Este método de comunicação é bastante útil pois evita a troca dos grandes mapas adesivos que sempre precisam ser alterados quando há alguma atualização na rede.

A estação João Dias foi a primeira a ser aberta sem a presença de bilheteria. Em vez disso, o guichê disponível na estação se tornou um ponto para a emissão do novo cartão TOP. Através de um simples cadastro o passageiro poderá emitir seu cartão de forma rápida. Ao longo da estação estão disponíveis leitores para conferência do saldo do cartão, pontos de recarga que aceitam crédito e débito. Também há uma máquina específica para a emissão de QR Code e recarga do cartão TOP por dinheiro.

A estação também conta com pontos de recarga do Bilhete Único e também com telefones públicos, incluindo telefones adaptados para passageiros que possuam deficiência auditiva.

O próximo ponto de destaque é a linha de bloqueios, que apresenta uma série de inovações. A maioria dos bloqueios não vem dotada de leitor para bilhete Edmonson, o que já marca que o fim dos tradicionais bilhetes já é definitivo. A maioria dos bloqueios é dotado apenas de leitor de cartões e do novo leitor de QR Code.

A novidade fica para os novos bloqueios que aceitam pagamento por aproximação. Os passageiros que possuírem cartões que permitam o pagamento por aproximação das bandeiras Mastercard, Visa e Elo podem usufruir da nova modalidade de pagamento, o que é uma grande facilidade para boa parte do público. Destes bloqueios, apenas um possui entrada para bilhete Edmonson. A estação também conta com bloqueio especial para passageiros que utilizam cadeira de rodas.

A área paga da estação é bastante ampla e poderá ser explorada pela CPTM, e futuramente pela ViaMobilidade, para a obtenção de receitas extra tarifárias, uma modalidade importante de entrada de recursos que angaria serviços conjugados com o ambiente da estações.

A estação conta com três escadas rolantes, sendo uma no acesso e as outras duas na região das plataformas. Destacamos a presença de sinalização específica para indicar o sentido das escadas. Além do totem de comando, uma faixa de LED foi instalada como uma forma de sinalizar ao passageiro o sentido da escada. Caso a faixa esteja na cor verde o passageiro pode acessar a escada no sentido indicado, caso esteja com a cor vermelha é um indicativo que o sentido da escada é inverso ao da direção pretendida.

A estação também conta com elevadores e escadas fixas para permitir o deslocamento dos passageiros entre o acesso, mezanino e plataforma. Já no nível do mezanino é possível observar, assim como em todas as áreas da estação, lixeiras para coleta seletiva, pontos com hidrantes e extintores de incêndio. A estação também conta com um mural bastante elegante mostrando um mosaico da nova estação João Dias, as torres da Brookfield e o Rio Pinheiros.

Esta é a terceira estação da CPTM entregue pela atual gestão com intervenções artísticas – a primeira foi a de Francisco Morato, seguida da estação Bruno Covas Mendes-Vila Natal com um mural que homenageia o ex-prefeito da cidade.

Prosseguindo, os passageiros terão acesso à passarela da estação que foi construída sem a necessidade de pilares intermediários, cruzando a Avenida das Nações Unidas e a Marginal Pinheiros. O local é bem iluminado, possui piso tátil e brises que tornam o local bastante agradável. Nas laterais foram instaladas canaletas para a passagem de tubulações e fiações que estão harmoniosamente conjugadas com a estrutura instalada na passarela.

Ao final da passarela, o passageiro tem à sua disposição um elevador, duas escadas fixas e duas escadas rolantes para realizar o acesso para a plataforma. Do alto do mezanino é possível observar que foram concluídos os serviços da ciclovia, bem como a via permanente e a rede aérea. A cobertura do mezanino segue em partes o mesmo padrão das estações da Linha 9 entre Pinheiros e Santo Amaro com algumas poucas modificações. Do local também é possível ter uma noção melhor dos trabalhos realizados na fachada da estação.

Na região de plataforma o que se pode observar é um piso bem acabado e limpo. Os pisos adotados na estação seguem o novo padrão que a CPTM pretende utilizar em suas demais paradas, como a estação Palmeiras Barra Funda que está passando pelo processo de troca dos pisos.

As plataformas possuem placas para os sentidos Grajaú na plataforma 1 e Osasco na plataforma 2. A faixa amarela e o piso tátil estão instalados por toda a extensão da plataforma indicando de forma facilitada as principais interferências como as escadas e o elevador.

As lixeiras e bancos estão dispostos ao longo da plataforma permitindo ao passageiros se acomodar enquanto aguardam o trem e alocar seus resíduos nos locais devidos. Comunicação visual como placas, mapas e painéis digitais estão instalados em pontos estratégicos para a melhor visualização dos passageiros. O sistema de cronometria da estação está dentro das expectativas esperadas indicando o horário correto nas plataformas.

Na ponta das plataformas temos o totem para o sistema de atendimento ao passageiro com informações em braile e também um botão para a sinalização aos funcionários da estação. O botão está posicionado em local mais baixo para permitir que os passageiros cadeirantes possam acionar o dispositivo.

Também nas pontas de plataforma foram instalados telefones e telas que possuem acesso ao sistema de câmeras da estação. Esses telas auxiliam os maquinistas na visualização da plataforma. Cabe lembrar que os trens que operam atualmente na Linha 9-Esmeralda não possuem câmeras nas laterais dos carros, sendo que a visualização é feita através de um retrovisor, que facilita na verificação dos primeiros carros, mas não abrange totalmente a composição, ainda mais levando em conta o fato da plataforma ser curva.

Foi instalada comunicação específica para indicar as portas preferenciais aos passageiros com deficiência. O borrachão também foi implantado, porém somente no primeiro carro do trem. Apesar deste fato o vão existente está dentro das normas estabelecidas pela ABNT.

O sistema de videovigilância engloba basicamente toda a estação, permitindo a visualização remota dos ambientes através da SSO. A cobertura da estação possui um sistema especial que permite a coleta de águas pluviais que poderão ser reutilizadas para as funções mais básicas na própria estação, como descarga nos banheiros e limpeza geral.

Na SSO, está o cérebro da estação onde os funcionários podem controlar as funções básicas da estação, realizar o videomonitoramento, bem como emitir os avisos públicos para os passageiros. Ela está localizada estrategicamente próximo a linha de bloqueios.

Para finalizar nossa análise, é necessário mostrar o acesso da estação que leva o passageiros até a Brookfield Towers. Este acesso teve o acabamento feito basicamente de vidro com o mesmo padrão de paisagismo adotado na parte frontal da estação. O local está em perfeita harmonia com as edificações que ficam a poucos passos da entrada da estação João Dias.

Em linhas gerais a estação João Dias é praticamente um projeto finalizado, muito bem executado e que praticamente não possui pontos negativos a serem apontados. Ao longo de nossa visita tudo estava em perfeita ordem e funcionando de forma devida. 

A parceria com a iniciativa privada não deve ser observada como mero gesto de altruísmo, mas como uma tendência importante: Empresas e instituições que possuam empreendimentos de alto valor agregado podem contribuir de forma ativa para o desenvolvimento da rede de transportes na metrópole, atraindo mais clientes e beneficiando uma região por consequência de tal investimento.

A crítica, que com todo respeito fazemos, está nos eventos meramente simbólicos. Apesar da estação ser “inaugurada” numa sexta-feira ela poderia operar plenamente no mesmo dia sem maiores dificuldades. O fato peculiar que está acontecendo apenas nas últimas entregas de estações gera uma série de questionamentos acerca das estratégias adotadas para estes eventos. 

É compreensível que haja uma “liturgia” quando é realizada a entrega de uma obra deste porte, entretanto, este fenômeno pode causar uma certa confusão por parte do passageiro, que é a causa final da implantação do empreendimento ferroviário. Não há dúvida que seria muito mais aprazível que após todo o cerimonialismo os passageiros pudessem desfrutar desta nova estação no mesmo dia de sua entrega.

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6 comments
  1. Achei irônico colocarem um mural do projeto prometido dentro da estação, que ficou bem mais feia do que no design divulgado pela construtora e serve pra nos lembrar disso.

    Tanto é que “A foto” de divulgação que todos estão usando pra falar de João Dias é a da saída das torres, em vidro, como todo o acesso deveria ser.

    1. O lado oeste também é de vidro, foi necessária a colocação dos brises devido a alta incidência do sol da tarde. Quando vc afirma que “ficou bem mais feia” dá entender que tanto o design original quanto o atual são feios. O que na minha opinião não é verdade.

      1. Qual sua fonte sobre essa afirmação de que o sol afetou o design da estação? Não vi nada a respeito, então gostaria de saber em detalhes.

        Tem diversas estações em São Paulo, principalmente as da Linha 5 – Lilás, com muito vidro, então se fosse o caso, por que não usarem o vidro com película em João Dias?

    2. Acho irônico você ficar problematizando uma obra que foi feita inteiramente pela iniciativa privada, sem gastar dinheiro do pagador de impostos e sem a corrupção/negligência que é comum a todos os governantes tucanos em SP.
      Não gostou, é só não utilizar. Agora, os caras fazem a obra, ajudam a população, e o inútil do Marcos ainda vem encher a paciência? Tenha dó, e caçar o que fazer.

      1. Não é bom por ai.

        A obra contou com parte sim de investimento da CPTM, tanto que necessitou de aditivo para o termino das obras.

        A obra não foi uma obra de caridade, ela foi feita porque a Brookfield precisava de fazer alguma compensação no entorno devido ao impacto na região que o empreendimento vai causar. Isso é lei. A extensão da avenida auro Soares na barra funda é outro exemplo.

  2. O ruim desses prédios espelhados é que os pássaros acham que não tem nada ali e batem a cabeça. Deveria haver alguma forma de conter isso ou usarem algum outro tipo de acabamento.

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