Consórcio afastado da Linha 19-Celeste contesta desclassificação e diz ter “expertise inquestionável”

Grupo liderado por empresas chinesas afirma que proposta de R$ 4,98 bilhões era a mais vantajosa e questiona decisão do Metrô de São Paulo

Linha 19-Celeste deve ser disputada por vários grupos
Linha 19-Celeste deve ser disputada por vários grupos (Montagem com uso de IA)

O Consórcio Nove de Julho, formado pelas empresas Yellow River, Highland e Mendes Júnior, divulgou posicionamento público em que contesta a decisão do Metrô de São Paulo de desclassificá-lo da licitação do Lote 1 da Linha 19-Celeste. O grupo havia apresentado a menor proposta, no valor de R$ 4,98 bilhões, mas foi inabilitado após recurso administrativo do segundo colocado, consórcio liderado pela Agis.

Segundo o Metrô, a desclassificação ocorreu por insuficiência na comprovação de experiência técnica em obras de túnel em ambiente urbano, conforme exigência do edital. O consórcio, por sua vez, afirma que a justificativa causa “estranheza” e sustenta que suas integrantes possuem ampla experiência internacional em projetos metroviários de grande porte.

No comunicado, o Nove de Julho destaca que as empresas do grupo participaram da construção de mais de 1.000 km de metrô em grandes metrópoles e executaram dezenas de projetos ferroviários na China. A Highland, fundada em 1958, e a Yellow River, com cerca de sete décadas de atuação, são apontadas como responsáveis por obras em ambientes densamente urbanizados.

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O consórcio argumenta que classificar esses projetos como não urbanos desconsideraria a complexidade das intervenções realizadas em grandes centros asiáticos.

Resultado final do Lote 01 da Linha 19-Celeste (CMSP)

Impacto financeiro ao erário

O grupo também sustenta que apresentou a proposta mais vantajosa para o Estado e que a desclassificação pode gerar impacto financeiro relevante ao erário. O comunicado menciona possível oneração de “dezenas de milhões de reais” caso a contratação recaia sobre proposta de valor superior.

Outro ponto levantado é a tentativa de negociação com o segundo colocado após a divulgação do resultado, o que, segundo o consórcio, comprometeria a isonomia do certame, já que os concorrentes tiveram acesso ao valor apresentado pelo Nove de Julho.

O consórcio afirma que sua proposta previa a utilização de métodos construtivos como o NATM (New Austrian Tunneling Method) e tuneladoras de grande diâmetro (TBMs), tecnologias já empregadas em obras urbanas complexas.

Também destaca que, em projetos no Brasil, prioriza mão de obra nacional e recolhimento de tributos no país, além de transferência de tecnologia para a engenharia local.

Dados da Linha 19-Celeste (CMSP)

Judicialização

Após a decisão administrativa, o Nove de Julho acionou a Justiça para tentar reverter a inabilitação. O Metrô, no entanto, obteve liminar que permite o prosseguimento da licitação enquanto o mérito da ação é analisado.

O Lote 1 da Linha 19-Celeste abrange cinco estações em Guarulhos e é estimado em cerca de R$ 5 bilhões. Já os Lotes 2 e 3 foram declarados vencedores para consórcios liderados pela Odebrecht Engenharia & Construção, em parceria com Álya e Ghella. Nesses dois casos, a Andrade Gutierrez, segunda colocada, também apresentou questionamentos sobre o resultado, mas ainda não há confirmação sobre eventual judicialização.