Destaques Linha 18

Consórcio VEM ABC busca novo fornecedor para o monotrilho

Com desistência da Scomi, concessionária da futura Linha 18-Bronze diz conversar com outras fabricantes de trens
Monotrilho da BYD é uma das opções para a Linha 18-Bronze (BYD)

Assim como ocorreu na Linha 17-Ouro, também o consórcio VEM ABC está à procura de um novo fornecedor de trens para a Linha 18-Bronze. Os problemas financeiros da empresa Scomi, da Malásia, já haviam motivado o governo do estado a conversar com a chinesa BYD, que recentemente entrou no segmento de monotrilhos. Por enquanto, as negociações ainda estão ocorrendo para que ela assuma o lugar da Scomi no fornecimento das composições do monotrilho da Zona Sul de São Paulo.

No caso da concessionária que foi contratada para construir e operar o monotrilho do ABC, a situação é mais simples. Ao contrário da Linha 17, que foi construída seguindo as especificações do equipamento da fabricante malaia, o projeto da Linha 18 não saiu do papel ainda por falta de recursos para suas desapropriações.

Por essa razão, a escolha de um novo fornecedor não preocupa os executivos da VEM ABC que afirmaram estar conversando com várias empresas. Em entrevista aos blogs de mobilidade dias atrás, Maciel Paiva, presidente da empresa, confirmou que “há outros fornecedores iguais ou melhores. A vantagem de uma PPP é enorme, a responsabilidade da contratação do material rodante é rápida por isso. Poderá ser a BYD, CRRC, Bombardier, Hitachi ou até uma joint venture. Estamos conversando com todas, mas a questão não nos preocupa“.

Na época da licitação da PPP, a Scomi fechou um acordo para fornecer os trens para a linha. A ideia era montar as unidades numa futura fábrica que a empresa ergueria no interior de São Paulo. Porém, desde então, a fabricante praticamente desapareceu. O site chegou a entrevistar o representante da empresa no Brasil que garantia que a Scomi tinha imenso interesse nos projetos no país, incluindo assumir a operação de outras linhas como a 15-Prata, cujos trens foram fornecidos pela concorrente Bombardier.

Com o imbróglio das empreiteiras do consórcio Monotrilho Integração, do qual era sócia, a Scomi se manteve no projeto assumindo outros serviços, inclusive. Mas na prática pouca coisa avançou.

Sua ex-sócia local, a MPE, chegou a montar algumas caixas dos vagões no Rio de Janeiro, mas os trabalhos pararam há anos. Em abril de 2017 finalmente uma novidade: o primeiro trem do monotrilho surgiu em testes nas instalações da Scomi na Malásia. Na época, os comentários eram de que as primeiras composições seriam entregues nos próximos meses, mas sem o pátio pronto, o Metrô teria recusado o envio dos trens.

Agora sabe-se que o tal primeiro trem não era exatamente uma das composições encomendadas pelo Metrô. Embora com a aparência do modelo brasileiro, a unidade não estava equipada com os sistemas e padrões que serão usados no Brasil.

O suposto primeiro monotrilho da Linha 17 feito pela Scomi: só aparência para agradar cliente (Reprodução)

Partindo do zero

A desistência da Scomi agora abre uma boa oportunidade para outros fabricantes. Caso a Linha 18 seja de fato iniciada, serão necessárias pelo menos 27 unidades com cinco carros cada, além de outros 14 trens para a Linha 17, também com cinco vagões.

O desafio dos futuros fornecedores será adaptar o projeto da Scomi. Ao contrário de trens convencionais, monotrilhos correm por vigas construídas sob medida. Em outras palavras, o trem que hoje circula na Linha 15-Prata não se encaixa na viga-trilho da Linha 17, exceto se houver grandes adaptações.

Não se trata de um impedimento, mas sim uma dificuldade a mais por ser necessário reprojetar o posicionamento de vários componentes no caso da Linha 17. Ao menos nesse aspecto a VEM ABC leva imensa vantagem afinal nenhum pilar sequer foi construído ainda.

 

 

 

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

2 Comentários

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  • Prezado Ricardo,
    Sigo o seu site sempre que posso. Suas informações são utilíssimas para nos deixar informados sobre os diferentes projetos do setor metroferroviário.
    Tenho uma curiosidade. Vc trabalha onde ? É alguma empresa ligada ao setor ?
    Normalmente os assuntos veiculados só nos mostram, de uma maneira geral, além da noticia em si, os desatinos dos diferente projetos – atrasos, má administração, a não veiculação dos nomes e cargos dos responsáveis, contratação de empresas sem a devida verificação da real capacidade em realizar os contratos, uso de tecnologias/soluções não consolidadas, etc
    Vc se sentiria à vontade para tentar abordar esses aspectos que mencionei ?

    • Olá, Henrique, como vai? Que bom saber que o site é útil para você. Sobre sua curiosidade a meu respeito, sou um jornalista com carreira mais ligada aos setores automobilístico e de aviação, onde também escrevo. O setor metroferroviário, no entanto, me chamou a atenção pela importância que tem no cenário da mobilidade urbana. Mas não tenho numa relação com qualquer empresa da área. E me considero um leigo no assunto, para ser honesto. Apenas acho importante mostrar o que está ocorrendo nesse meio, assim como outros colegas em seus blogs e perfis de rede social. Para você ter uma ideia, esse movimento de veículos especializados despertou a atenção de gestores públicos e de empresas. Com isso, temos sido mais ouvidos sobre o assunto, o que não deixa de ser uma vitória no sentido de cobrar atitudes mais responsáveis deles.

      Sobre sua sugestão, acho ótima. Vou colocar na minha lista de pautas e tentar apurar para breve. Obrigado novamente pelo apoio.

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